Por Sergey “Swordfish”

Em entrevista exclusiva ao GipsyTeam, Luca Vivaldi contou como elabora os cronogramas e as estruturas dos torneios, quem cuida da segurança na Triton e por que não se preocupa com o valor das gorjetas deixadas pelos campeões.

— Você parece incrivelmente jovem para alguém que trabalhou 14 anos no EPT e agora está há quanto tempo na Triton Poker? No nono ano?

— Por dentro, ainda me sinto jovem, mas, ao mesmo tempo, parece que estou envelhecendo rápido demais... Mas, sim, tenho 42 anos.

— Do ponto de vista da organização, o que diferencia os torneios da Triton dos eventos do PokerStars?

— Quando começamos, tínhamos apenas algumas mesas. Portanto, a diferença mais evidente é o tamanho do field. No EPT, você precisa administrar centenas de mesas. Na Triton, mesmo com o nosso crescimento incrível, a escala ainda é completamente diferente. Há muitos pequenos detalhes dos quais era simplesmente impossível cuidar no EPT, mas foi justamente lá que aprendi a pensar neles, quando o PokerStars introduziu os torneios super high roller e me colocou como responsável por eles.

— Que detalhes, por exemplo?

— Você simplesmente passa a olhar tudo de outra perspectiva. São torneios que movimentam quantias enormes, e os jogadores prestam muito mais atenção aos detalhes das regras. E nós acompanhamos esse movimento. Um exemplo é a busca por mesas favoráveis. Lembro do primeiro super high roller do EPT Monte Carlo, quando alguns jogadores me disseram: “Não, não, vamos esperar antes de ocupar nossos lugares. Vamos nos registrar, mas vamos esperar”. Eu respondi: “Tudo bem”. Dez minutos depois, houve uma eliminação, e eles imediatamente se sentaram. O que tinha acontecido? Depois entendi: as chances de caírem na mesa que queriam haviam aumentado. Hoje, na Triton, se houver uma mesa com três lugares vagos e outra com dois, você não terá mais chances de ir para a que tem três, porque fazemos um sorteio em duas etapas. Primeiro sorteamos a mesa; depois, o assento.

— Recentemente surgiu a Triton One, uma versão mais acessível da Triton, com fields maiores. Você também vai participar tão ativamente da organização dela ou contratarão uma equipe separada?

— Estamos justamente pensando em montar uma equipe separada. Até agora, realizamos apenas duas edições da Triton One. A terceira será no Chipre, em novembro. Atualmente, essas séries estão vinculadas ao calendário dos super high rollers, o que acaba criando um festival muito longo. Mas o objetivo é que a Triton One se torne uma série independente. Mais precisamente, que algumas etapas continuem vinculadas e outras sejam realizadas separadamente. Para isso, precisaremos de outra equipe, porque é impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo: existe um trabalho enorme de organização por trás de cada torneio.

— O que é permitido na Triton que você jamais permitiria no EPT? Afinal, o público de vocês tem mais dinheiro e está acostumado a privilégios.

— Pergunta interessante! Porque acho que foi justamente por causa disso que mantive meu emprego.

— Como assim?

— Nunca fui conhecido por ser excessivamente flexível, nunca cedi à pressão de ninguém e também era bastante rigoroso no EPT. Mas, quando cheguei à Triton, só havia VIPs ao meu redor. As pessoas podiam acender um charuto no meio do salão e coisas do tipo. Decidi que não queria apenas colocar o circuito no nível das séries europeias, mas elevar ainda mais o padrão. Então, hoje, talvez a pergunta devesse ser o contrário: o que eu permitiria no EPT, mas jamais permitiria na Triton? E digo que mantive meu emprego por causa disso porque uma das primeiras decisões difíceis que precisei tomar foi contra Paul Phua, fundador da série.

— Uau!

— Sim, foi uma decisão delicada, mas considerei justo decidir de maneira desfavorável ao senhor Phua, e foi o que fiz. Todo mundo olhou para mim com pena: “Pronto, esse cara acabou de perder o emprego”. Mas acredito que Paul, por ser uma pessoa inteligente, entendeu que eu simplesmente havia tomado a decisão mais justa possível. E, quando você demonstra respeito, recebe respeito de volta.

— Respeito pelo jogo, claro. Eu também esperaria exatamente isso de Paul, porque ele é um jogador por natureza. Não sei se você ouviu falar das batalhas dele no Full Tilt, em 2013, contra os regulares de língua russa. É uma história absolutamente lendária. Não me surpreende que ele respeite o poker e as regras do jogo.

— Com certeza.

Relembramos a passagem de Paul Phua pelos nosebleed high stakes online, em que ele perdeu muitos milhões de dólares.

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— Você se lembra do que tratava aquela decisão?

— Sinceramente, não me lembro mais. Já se passaram tantos anos.

— Qual é o envolvimento dos fundadores da série, Paul Phua e Richard Yong, no trabalho?

— No início, o envolvimento era grande, claro, porque havia muitas dúvidas. Eles sabiam de onde eu vinha e o que havia feito antes, mas não passaram a confiar imediatamente nas minhas decisões. Nas primeiras discussões sobre o cronograma, todos voltavam a olhar para mim com surpresa: “Quem é você para dizer ‘não’ a eles?”. Mas, quando você tem argumentos sólidos para cada decisão, eles respeitam. No fim, confiaram em mim e deixaram de interferir nos pequenos detalhes. Naturalmente, continuo ouvindo a opinião deles, porque vivem tudo isso como jogadores. Estamos sempre conversando, e eles também trazem boas ideias com frequência.

— Podemos voltar um pouco? Como você foi parar na Triton? Fez uma pausa depois de trabalhar no PokerStars?

— Foi uma sitFoi uma situação engraçada, porque eu realmente queria fazer uma pequena pausa. O ritmo de vida de um diretor de torneios é insano: você está sempre viajando de um lugar para outro e, entre uma viagem e outra, carrega uma responsabilidade enorme. O dealer termina o expediente e pronto, pode descansar. Na nossa função, é um pouco diferente. Enfim, Kate [Badurek], minha namorada, também havia saído do PokerStars naquela época e foi imediatamente convidada para trabalhar na Triton, por causa de sua experiência e de seus contatos com os high rollers. Fui com ela para Jeju, onde conheci o atual CEO da Triton, Andy Wong.

Conversamos sobre tudo, menos poker. Depois de sair do PokerStars, eu estava jogando muito Hearthstone. Em determinado momento, cheguei a ser o número um do mundo. Falamos sobre Hearthstone, esportes eletrônicos e truques com cartas, um interesse que compartilhamos até hoje. Basicamente, ficou por isso mesmo. Mas, depois de ir embora de Jeju, soube que estavam procurando um diretor de torneios. Ofereci meu nome e, se não me engano, comecei a trabalhar em 2018. Richard e Paul jogavam com frequência os super high rollers do EPT, então já nos conhecíamos. Não começamos do zero.

Luca Vivaldi, na época que trabalhava no EPT

— Como são tomadas as decisões sobre o cronograma das séries da Triton? Por exemplo, às vezes vocês incluem Short Deck e Omaha, e às vezes não...

— EEssas decisões são minhas e se baseiam em muitos fatores. Por exemplo, como está a popularidade do Short Deck? Ele ocupa um lugar especial no nosso coração, afinal, fomos nós que introduzimos esses torneios, mas... O cronograma é bastante dinâmico. Por mais que eu quisesse anunciar de uma vez a programação do ano inteiro, do Dia 1 ao Dia 15 de cada etapa, isso é muito difícil por causa dos valores dos buy-ins da Triton. Se eu anunciar com seis meses de antecedência um torneio de Short Deck de $100 mil na próxima etapa de Montenegro, por exemplo, preciso ter certeza de que haverá jogadores de Short Deck por lá. E isso não é tão simples, porque, na Europa, a modalidade praticamente desapareceu. Na Ásia, onde temos mais VIPs asiáticos e jogadores recreativos, talvez ainda valha a pena tentar. Mas, no fim, prefiro esperar até chegarmos ao local para ver se haverá field para o torneio.

Quanto ao restante do cronograma, o poker evoluiu muito. Lembro que, quando comecei, as pessoas saíam para jantar e discutiam ranges em grupos de quatro: se o call no river havia sido correto ou não. Hoje, discutem se é possível obter uma vantagem de 0,03 BB dando call em 37,4% das vezes, em vez de 35%... Nas primeiras edições da Triton, os jogadores chegavam à premiação com um stack médio de 50 BB e literalmente entregavam essas fichas. Agora, avaliam cada decisão, e os torneios precisam se adaptar a isso. Fazemos até simulações.

— Com um software próprio? Como funciona?

— Tive sorte de encontrar um analista. Ele é um ex-jogador profissional.

— Conhecido?

— Não, era um grinder comum do online. Chama-se James. Basicamente, ele é o meu ChatGPT. Processa todos os dados que eu antes analisava sozinho com um monte de macros no Excel. Hoje, qualquer planilha do Excel pode ser facilmente transformada em um programa que consigo usar até no celular.

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— Pode contar pelo menos um pouco sobre o processo? Digamos que você precise criar uma estrutura que agrade aos amadores e permita aos profissionais explorar sua vantagem de 0,3%. Como aborda isso?

— O mais importante são os dados históricos. Se, depois dos meus 14 anos no PokerStars, você me perguntasse qual percentual de jogadores restava ao fim do décimo nível, eu responderia: entre 52% e 55%, sempre. Isso porque a estrutura foi a mesma durante dez anos seguidos e, embora o jogo evoluísse, isso não tinha tanto impacto. Mas, nos últimos anos, o poker evoluiu muito mais. Se observarmos a curva de quantos jogadores restam depois do 12º nível em uma estrutura padrão, quando o stack médio está em torno de 15 BB, antes eram 40% do field. Depois da pandemia, o percentual de jogadores restantes não para de aumentar. O jogo ficou mais lento em alguns níveis e, em outros, mais rápido.

Reunimos muitos dados desse tipo e fazemos simulações: o que acontece se tivermos 220 jogadores com determinada estrutura? E se acrescentarmos um nível? E se repetirmos o décimo nível? Qual será o efeito disso no 16º? E assim por diante.

Em termos práticos, no EPT, nos torneios com fields grandes, você tenta liberar o máximo possível de mesas para iniciar o próximo evento. Na Triton, é um pouco diferente, porque começamos apenas um torneio por dia. Meu principal objetivo, tanto do ponto de vista do negócio quanto dos jogadores, é tentar dar a eles a possibilidade de participar de todos os torneios que realizamos.

Ao mesmo tempo, buscamos uma estrutura equilibrada, na qual qualquer pessoa possa demonstrar seu nível de jogo a qualquer momento. Se eu criar um torneio com níveis de cinco minutos, vou impedir que Stephen Chidwick aproveite plenamente sua habilidade. É um equilíbrio delicado, mas o software ajuda muito a encontrar as melhores estruturas, os buy-ins e tudo mais.

— Então vocês levam até o estilo de jogadores específicos em consideração nas simulações?

— Sim, mas não quero revelar meus segredos. Basicamente, é como fazer node locking [nota da redação: fixar a estratégia de um adversário na árvore de decisões de um solver].

— Você faz node locking do Stephen Chidwick?

— Sim, exatamente. Se você tem, digamos, 150 jogadores em um torneio, os percentuais acabam convergindo para uma média, por mais desvios que coloque no modelo. Mas, se chega à bolha com 24 jogadores de elite e dois VIPs com stacks curtos, de 10 BB cada, por exemplo, é claro que aquele nível pode demorar mais. No fim, porém, as coisas acabam se ajustando. É como dizer: “O torneio vai terminar quando houver 50 BB em jogo”. Ou 40 BB. Mas pode chegar a 20 BB, porque, tecnicamente, as pessoas conseguem jogar com 10 BB, e isso significa mais dois níveis...

— Com que frequência vocês alteram as estruturas?

— Estamos justamente mudando as estruturas para o ano que vem. Haverá um pouco mais de espaço para jogar, digamos assim. Acho que vamos incorporar aos super high rollers algumas soluções da Triton One, como repetir determinados níveis. Os stacks iniciais serão um pouco menos profundos, mas não muito. Nenhuma mudança será gigantesca. Em alguns torneios, em vez de começar com 300 BB, os jogadores começarão com 250 BB. No último nível de registro tardio, o stack de entrada passará de 18 BB para 22 BB. São pequenas mudanças, mas todas acompanham os dados que temos.

Agora também temos o Triton Tempo, um sistema de time bank que dá a cada jogador, em cada torneio, uma quantidade determinada de tempo para tomar decisões. Não é mais necessário gastar um cartão de 30 segundos se você pensou por apenas 12. Cada mesa tem terminais integrados do Triton Tempo, que mostram quantos segundos de time bank ainda restam para você usar até o fim do torneio.

Agora conseguimos dizer com precisão, a qualquer momento, quanto tempo um jogador leva para tomar qualquer decisão, até mesmo um fold. Isso ajuda muito a entender onde podemos melhorar a estrutura de um torneio. Já temos um volume enorme de dados sobre como os jogadores usam seu tempo em cada evento e conseguimos identificar onde é possível acelerar ou desacelerar o jogo. Enfim, esses dados podem ser usados de muitas maneiras.

— Imagino que você tenha participado bastante da criação do Triton Tempo.

— Sim! Normalmente, não gosto de reivindicar os méritos, mas, nesse caso, a ideia foi inteiramente minha. Deu muito trabalho e envolveu grandes riscos, porque tudo depende do Wi-Fi. Então, se faltar energia, acabou tudo...

— Você consegue dizer, de cabeça, quanto tempo Isaac Haxton leva, em média, para tomar uma decisão?

— Não quero dar um número que pode estar errado, porque tenho números demais na cabeça. Mas, sim, também temos esses dados de cada jogador. Só que não os utilizamos individualmente, e sim por categorias: VIP, profissional, superprofissional...

— Existem os profissionais e os superprofissionais. Entendi.

— Precisamos dar algum nome às categorias! Na verdade, porém, separamos os jogadores pelo tempo que levam para agir: os que praticamente não param para pensar nas decisões, os que levam um tempo mediano, os que demoram e os que demoram ainda mais.

— E o que você faz com todas essas informações?

— Às vezes, examino dados específicos para entender se podemos melhorar algo em determinada situação. Em outras, analiso conjuntos maiores. Assim, minha equipe e eu percebemos coisas nas quais nem havíamos pensado, e isso acontece com bastante frequência: “Olha só, nos torneios turbo, as pessoas levam muito menos tempo para agir. Por isso, chegam ao fim com muito mais tempo no time bank do que em qualquer outro torneio”. E aí você começa a analisar...

— Que tipo de situação vocês precisam resolver quando chamam o floor na Triton? Imagino que sejam casos bem diferentes dos que apareciam no EPT.

— Sim, são muito diferentes. Sinceramente, sinto falta da época em que tomava 20 decisões por dia, porque isso funciona como um treino e mantém você afiado. Quando chamam o floor na Triton, normalmente é por algo muito sério, porque o nosso público é... Bem, é diferente.

— Seu cargo é “diretor de poker ao vivo”. Isso significa que você também decide situações nos cash games quando chamam o floor? Lembra qual foi o maior pote em que precisou tomar uma decisão?

— Adoraria falar sobre os cash games, mas todos os nossos jogos acontecem em áreas restritas e estão sujeitos a acordos de confidencialidade. Por isso, não posso dizer nada sobre eles, exceto sobre o que aparece nas transmissões.

— Já que estamos falando de dinheiro, quanto os campeões costumam deixar de gorjeta na Triton?

— Parece que essa tradição perdeu um pouco de força nos últimos anos. Mas isso não significa, evidentemente, que os jogadores valorizem menos o trabalho dos dealers. Na verdade, não sei muito sobre o assunto e procuro não me envolver. Há organizações de torneios nas quais todo mundo sabe quem deixou quanto de gorjeta e quem não deixou nada, mas eu não gosto disso. De qualquer forma, estamos falando de quantias enormes. Antigamente, diziam que era preciso deixar entre 1% e 3%. Essa era a regra de ouro, uns 20 anos atrás. Mas, se alguém ganha $15 milhões, 3% é uma quantia muito significativa. Ao mesmo tempo, você nunca sabe: talvez a pessoa tenha vendido 99% da própria ação ou tenha jogado com o dinheiro de um patrocinador e, no fim, não tenha ganhado nada...

— Quem monta a lista de empresários para o Invitational?

— O Invitational funciona assim: primeiro, nós convidamos o participante. Quem faz isso é Kate. Basicamente, ela está por trás da organização do torneio.

— Então é ela quem decide quem será convidado?

— Não. Existe uma comissão que depois decide se a pessoa se enquadra nos critérios, mas é Kate quem recebe o pedido inicial. Ou ela mesma encontra a pessoa e a convida. Depois, se a comissão aprovar, o participante pode convidar um profissional. Essa escolha é inteiramente livre. Mas, se for alguém que está na Triton pela primeira vez e não tem contato com nenhum jogador, Kate tem uma lista de profissionais interessados, em ordem alfabética, sem favorecimento. Então, ela coloca o participante em contato com o jogador escolhido. Na maioria das vezes, porém, tudo já está definido:Jean-Noël Thorel, por exemplo, sempre convida Christoph Vogelsang. É assim há muitos anos.

— Qual é o cargo de Kate na empresa?

— Ela é diretora de relacionamento com os clientes VIPs.

— Claro, a Triton não poderia ficar sem alguém nessa função. Aliás, sempre tive curiosidade: alguém pode simplesmente entrar na Triton vindo da rua? Você passa por um cassino, vê que há um torneio de $1 milhão e, por acaso, está carregando uma bolsa com $1 milhão em dinheiro. Essa pessoa pode entrar, pagar o buy-in e sentar imediatamente à mesa?

— Se você conhece algumas pessoas assim, mande todas para falar comigo.

— Combinado! Mas vocês fazem algum tipo de verificação, certo?

— Sim, claro. Nossa equipe de segurança tem uma lista de pessoas impedidas de participar e diferentes maneiras de verificar e proteger os jogadores. Também depende do local. Se aparecer um jogador novo em Jeju que ninguém conhece, por exemplo, é uma situação bastante complicada. Mas, quando realizamos um torneio em Monte Carlo, tudo pode acontecer... Alguém pode simplesmente aparecer e entrar em um torneio de $100 mil. Mesmo assim, vamos verificar quem é essa pessoa e fazer uma checagem de identidade, um KYC, digamos assim.

— Como vocês garantem a segurança em uma série tão cara? É a mesma equipe de segurança que acompanha todos os festivais?

— Sim, temos uma equipe que viaja conosco e cuida da segurança. Mas, ao mesmo tempo, acho que o mais importante, quando se trata de valores tão altos, é deixar claro para todos que esse dinheiro não está no local. Não temos dinheiro em espécie na área do evento e não aceitamos buy-ins em dinheiro vivo. Provavelmente, ainda há quem veja o anúncio da série e pense: “Opa, serão $150 milhões, dá para levar”. Mas, na prática, esse dinheiro não está no local.

Portanto, e isso não se limita à parte financeira, a segurança na Triton é a última coisa com que os jogadores precisam se preocupar. Temos muitos protocolos que seguimos antes, durante e depois da série para que todos se sintam confortáveis. Há muito dinheiro em jogo, e contamos com vários procedimentos, equipamentos e ferramentas que ajudam na segurança, inclusive na prevenção de trapaças.

— Imagino que todas essas exigências também determinem os destinos da série. É preciso ter um excelente espaço para os torneios e bons hotéis por perto, por exemplo? Vocês estão considerando novos lugares? A Austrália?

— Ah, quem dera! Adoro a Austrália. Mas há muitos fatores. Um avião particular facilita as coisas, mas, ainda assim, para muita gente, seria um voo de 15 horas, com conexão ou parada para reabastecimento... A legislação também tem um papel importante. Há um lugar excelente na Suíça que avaliamos alguns anos atrás. Prometeram mudar algumas coisas, mas, até hoje, continua como na França: é preciso pagar 3% de imposto sobre qualquer prize pool. Obviamente, isso pesa muito em um negócio como o nosso, porque as nossas premiações são... Muito grandes. Por isso, não podemos ir para lá.

Também precisa ser um lugar bonito, onde o VIP possa levar toda a família e todos tenham o que fazer. A comida também é importante. Definimos o cardápio dos jogadores com base nos pratos mais pedidos nas séries anteriores. Literalmente chegamos e dizemos: “Vocês precisam ter salmão grelhado com batatas cozidas”. Ou um ribeye, que também precisa estar no cardápio. Além de pelo menos cinco pratos veganos. Em alguns lugares, é muito difícil conseguir tudo isso.

— Com essa atenção aos detalhes, parece que você cuida de tudo, do salmão às cadeiras.

— Sim, testamos muitas cadeiras, ha, ha. Elas precisam ter uma altura exata em relação à mesa e ser muito confortáveis. Em geral, pouca gente pensa nas cadeiras, a não ser os jogadores quando se sentam para jogar. E elas estão entre os maiores custos da operação! Custam mais do que as mesas porque são muito volumosas. Transportá-las é um pesadelo.

— Vocês sempre levam as cadeiras? Vão levá-las também para o Chipre?

— Exatamente.

— Em contêineres enormes?

— Sim, gigantescos. Existem muitos custos que as pessoas nem imaginam. Mas não economizamos no conforto dos jogadores. Eles passam o dia inteiro à mesa, e até o revestimento dela é muito importante. Há uma empresa na Itália que fabrica as mesas e esse revestimento para nós.

De 5 a 30 de novembro, o Merit Royal Diamond, no Chipre do Norte, receberá duas séries da Triton: a Triton ONE e a Super High Roller Series. Confira os principais torneios, como conquistar uma vaga e o que os jogadores encontrarão no local.

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— Pode contar o que esperar da etapa do Chipre?

— Será a última etapa da comemoração dos nossos dez anos, um evento marcante. O Triton Invitational se chamará Triton Invitational X. Voltamos ao Chipre depois do sucesso em Jeju, onde batemos um recorde, então acredito que a etapa também será um grande sucesso. Pela primeira vez, faremos uma Triton One por lá, com alguns formatos novos. Não acho que alguém tenha realizado, no Chipre ou em qualquer outro lugar, uma série com quase um mês de duração. Provavelmente porque não são tão loucos quanto nós...

— Não são tão ambiciosos!

— Sim, ambiciosos. Gosto mais dessa palavra.

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