– Você é um dos líderes da corrida pelo prêmio de Jogador do Ano da WSOP. Já planejava disputar o título ou decidiu ir até o fim depois de um bom começo?

– Não, claro que não planejei nada disso. Essa competição acontece naturalmente, enquanto eu simplesmente jogo determinados torneios de acordo com o meu cronograma. É claro que ficarei feliz se vencer, ainda mais porque meu calendário de torneios me permite perfeitamente disputar as primeiras posições em cada série.

Mais perto do fim, quando as chances de vitória se tornam realmente concretas, naturalmente posso jogar um ou dois torneios que inicialmente não estavam nos planos. Mas jogar todos os dias por causa do prêmio de "Jogador do Ano" definitivamente não é para mim. Descansar é muito importante, porque quero disputar todos os torneios no máximo das minhas capacidades.

– O resultado da disputa será decidido na WSOP Paradise, que tem muitos torneios caros. Isso te dá alguma vantagem?

– Naturalmente, isso me favorece. Meus principais concorrentes – Deeb, Kihara e Josh Arieh – conquistam a maior parte dos pontos nos mixed games. Nenhum deles é regular dos torneios de high rollers. Acho que tenho uma vantagem considerável.

Classificação atual da disputa pelo Jogador do Ano da WSOP

– Recentemente houve uma discussão bastante intensa sobre a ideia de que apenas jogadores que terminassem a série no lucro poderiam concorrer ao prêmio de Jogador do Ano. Você concorda?

– Acompanhei essa discussão com interesse. Por um lado, é uma exigência bastante justificável. Mas entendo por que essa regra estaria longe de agradar a todos.

Temos, por exemplo, Michael "Texas Mike" Moncek, que nos últimos anos também vem disputando o título. Mas não apenas graças ao bom jogo, e sim também por causa de all-ins no escuro e do multitabling. Na minha opinião, o prêmio de "Jogador do Ano" não deveria ser entregue por causa disso.

Michael Moncek (Foto: Regina Cortina/PokerNews)

Por outro lado, é bom para o poker existirem jogadores dispostos a colocar três ou quatro buy-ins em cada torneio. Eles injetam bastante dinheiro na comunidade. Restrições desse tipo podem fazer com que percam a vontade de continuar fazendo isso, e eu não gostaria que acontecesse.

Existe ainda outro problema. Um jogador pode disputar os torneios mais caros – de $250k, $100k e $50k –, perder um milhão de dólares neles e depois ganhar três braceletes em campeonatos de $10k, digamos, em NL 2-7, Stud e NLHE 6-Max. Um currículo desses é digno de Jogador do Ano, mas é perfeitamente possível que ele termine a série no prejuízo.

Então eu mesmo não tenho certeza se deveria existir uma exigência de lucro obrigatório. Talvez faça sentido pensar em alguma maneira de dificultar a vida dos jogadores que "compram" stacks, embora pessoalmente eu não ache isso algo terrível. No momento em que o late registration termina, restam cerca de 40% do field e, dali em diante, você ainda precisa jogar poker. Ninguém garante a vitória, mesmo que você tenha cinco stacks iniciais quando as inscrições se encerram.

Portanto, mesmo que Texas Mike ou alguém parecido vença, será totalmente merecido. Depois que o registro fecha, eles estão nas mesmas condições que todos os outros participantes.

A solução ideal seria descontar pontos a cada reentry. Não sei exatamente como isso poderia ser organizado, mas acho que seria melhor do que impor uma exigência de lucro.

Shaun Deeb, depois desses debates, publicou seus resultados para provar que terminou a série no lucro. Você mostraria os seus resultados?

– Sim, sem problema algum. Ainda mais porque já fizeram isso no Twitter.

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É engraçado que tenham atribuído a mim e à Kristen vários buy-ins extras. Por exemplo, no HORSE de $25k eu fiz apenas uma entrada, mas segundo os dados deles foram três. A Kristen também jogou o torneio de $50k apenas uma vez, e eles escreveram que foram três. Houve vários exemplos assim.

Eu mesmo forneceria facilmente as informações exatas, caso fosse necessário.

– Você e Kristen se tornaram o primeiro casal a conquistar braceletes em torneios abertos. Uma parceria assim provavelmente não apenas ajuda, mas também gera uma pressão adicional, certo?

– Considero uma sorte incrível dividir a vida com uma jogadora de elite. O poker é uma profissão peculiar, que exige muito tanto dentro quanto fora das mesas.

Ter ao meu lado uma pessoa com quem consigo compreender todas essas nuances no mesmo nível é, na minha opinião, uma experiência única que poucas pessoas têm a oportunidade de viver.

– No verão, você chegou a duas mesas finais consecutivas: primeiro em um torneio de $600 e depois em um de $100.000. Foi difícil fazer essa transição?

– Para mim, não existe diferença entre torneios de $600 e de $100k. Essa é a minha abordagem ao poker em geral e aos torneios em particular: o dinheiro que está em jogo não influencia de forma alguma minhas decisões.

Eu me concentro na profundidade dos stacks, no estilo dos adversários, na estrutura, na minha posição e na dinâmica. O buy-in às vezes pode influenciar a maneira como meus oponentes jogam. Quando percebo isso, faço os ajustes necessários.

Ou seja, para mim tudo se resume a uma análise bastante simples: qual é o range do adversário? Como ele joga determinadas mãos? Que conclusões sobre o range dele posso tirar a partir das apostas? Como posso utilizar todas essas informações da maneira mais lucrativa possível, levando em consideração minha mão e os ranges? Existem fichas, cartas e adversários, e todos eles jogam de maneiras completamente diferentes.

Naturalmente, o field de um torneio de $600 é muito diferente do field de um torneio de $100k. Meu jogo e minha estratégia também mudam. Mas isso não tem nenhuma relação direta com o tamanho do buy-in. Estou montando os mesmos quebra-cabeças, só que eles têm preços diferentes.

– Durante o Main Event, os organizadores introduziram o shot clock sem aviso prévio. O que você achou disso?

– Acho que o shot clock no Main Event é inevitável. Assim como aconteceu com o big blind ante. Quando finalmente o limite de tempo para tomar decisões se tornar o padrão, vamos nos perguntar por que demoraram tanto para implementar isso. Para mim, jogar poker sem shot clock é uma completa loucura. Tenho certeza de que, com o tempo, praticamente todos os jogadores vão pensar da mesma forma.

Todos os torneios de high rollers já são disputados assim há muito tempo. Quando vou para séries convencionais, às vezes jogar se transforma em uma tortura. Alguns participantes abusam descaradamente da ausência dessa regra. No Main Event isso fica especialmente evidente. É verdade que, enquanto tudo estiver dentro das regras, sou contra punições severas aos jogadores.

Talvez não seja necessário desde o primeiro dia, mas, em algum formato, o shot clock é indispensável no Main Event. Simplesmente não temos dealers experientes suficientes e haveria uma série de problemas logísticos se ele fosse instalado imediatamente em todas as mesas.

Mas jogar sem shot clock no Dia 7, no Dia 6 ou até mesmo no Dia 5 é absurdo. Portanto, apoio completamente os organizadores nesse ponto. Dizem que isso beneficia principalmente os regulares. Não tenho certeza. É algo muito individual. Na minha opinião, beneficia todo mundo. Existem regs que começam a jogar pior sob pressão, enquanto alguns recreativos, pelo contrário, ficam mais soltos.

Para falar a verdade, nem importa exatamente quem vai se beneficiar. As regras não são criadas para facilitar a vida de um jogador e dificultar a de outro. Elas existem para que a experiência de jogo seja a mais positiva, agradável e justa possível para todos. A questão é o que é bom para o poker, e não quem se beneficia com isso.

E, quando o assunto é shot clock, para mim a resposta é óbvia.

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