A World Series of Poker deste ano ficou marcada pela presença japonesa excepcionalmente grande. Os jogadores do Japão também estiveram extremamente ativos nas redes sociais, e a empolgação alegre deles com o ambiente de Las Vegas me fez lembrar das primeiras grandes incursões de jogadores de países pós-soviéticos na WSOP. Mas será que existem diferenças? Em 2009, fiquei impressionado com o buffet de um dos hotéis perto do Rio, onde era possível comer por apenas $6 — um enorme contraste com a cara Moscou. Mas Las Vegas ficou muito mais cara desde então, e o iene...

Kazuhiro Shirasawa, que terminou em terceiro lugar no torneio de nine-game de $3.000 e ganhou $111.610 (o que mal o salvou de quebrar), compartilhou suas primeiras impressões ao voltar para casa:

Experiências comuns de quem volta da WSOP, nº 2:

Converter toda refeição japonesa para dólares

Café da manhã: $4

Ele também compartilhou sua empolgação ao ver o novo solver de razz:

A primeira vez que vi o Razz Solver, foi um mundo que superou completamente tudo o que eu imaginava. 90% de limp.

Temos um 6 aberto, um 8 atrás de nós e um rei no bring-in.

Tyler Phillips:

— Apague isso, por favor. Os bons jogadores já estão jogando perto de 100% de limp.

Ryutaro Suzuki:

— Vamos comprar kkk.

— Parece que custa $25.000 😫

— Melhor deixar para lá e entrar no torneio de $25.000 que vai ter no futuro!

Por causa das cinco rodadas de apostas, da ausência de cartas comunitárias, da importância crítica das cartas mortas e da falta de boas abstrações, a árvore do jogo é enorme, o que torna essa modalidade incrivelmente difícil de ser resolvida por um computador. Mas isso aparentemente não impede algumas pessoas!

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Derek Kwan escreveu um pequeno artigo pedindo a volta da possibilidade de os jogadores construírem pequenas cidades com suas fichas.

O título? "Make chip stacks great again" ("Torne as pilhas de fichas grandes novamente"), é claro.

Matt Savage chamou a ideia de "absurda", mas Alex Foxen chamou atenção para as vantagens dessa mudança:

Além dos óbvios benefícios estéticos de stacks maiores, essa obsessão pelo color-up também tem desvantagens técnicas. Jogar com 1.500bb sem fichas de 100 em jogo força os jogadores a usarem 2x, 2,33x ou 2,67x. Quase ninguém escolheria esses sizings se não houvesse restrições. Forçar opções tão limitadas de sizing prejudica a capacidade de ser preciso muito além do que seria razoável.

Os níveis de blinds não deveriam ser modificados para se adaptar a um cronograma de color-up. As fichas só deveriam ser retiradas de jogo quando não fossem mais necessárias, usando uma proporção padrão de 1:2 entre small blind e big blind. Você deveria sempre poder apostar em incrementos que representem, no máximo, 10% de 1bb, com exceção dos níveis iniciais.

Isso significaria que as fichas de 100 sairiam quando entrássemos no big blind de 5k; as de 500 sairiam após o fim do big blind de 10k. As de 1k continuariam em jogo até o fim do big blind de 50k. Não deveríamos sacrificar opções de tamanho de aposta para facilitar o trabalho do diretor do torneio — dentro do razoável.

A exceção são os torneios turbo, nos quais all-ins acontecem com frequência. Um color-up agressivo é mais necessário quando os stacks precisam ser contados regularmente. Em um torneio como o Main Event da WSOP, no qual os all-ins são bastante raros até mesmo por volta dos Dias 5 e 6, ter stacks maiores é uma escolha óbvia.

Alec Torelli:

Concordo totalmente. A política do color-up está passando um pouco dos limites.

Além disso, é extremamente anticlimático chegar aos Dias 6, 7 ou 8 e ter 20 fichas físicas na sua frente.

Outro jogador levantou um bom ponto sobre a possibilidade de isso deixar o jogo mais lento.

Imagina nisso naqueles Dias 2, com níveis de 30 minutos, em que os jogadores passam metade do tempo pedindo contagens e os dealers contando stacks depois dos all-ins. Ter mais fichas deixaria esse processo ainda mais lento.

Durante a pausa entre o fim da parte principal da WSOP e o encerramento do Main Event, Faraz Jaka começou a relembrar o passado.

Aos 19 anos, transformei $3 mil em $180 mil jogando poker no meu dormitório da faculdade.

Foi assim que aconteceu.

No meu primeiro ano de faculdade, eu tinha cerca de $3 mil no total, que havia acumulado jogando partidas live nos dormitórios.

Peguei $500 e comecei a entrar em jogos $10/$20 NL online, sempre fazendo o buy-in mínimo.

Perdi duas vezes. Depois, naquela mesma semana, consegui transformar um stack em $10 mil.

A partir daí, comecei a sentar em todas as mesas $25/$50 NL nas quais conseguia ação e, às vezes, até em $100/$200 — buy-in de $20 mil — em heads-up e 6-max na Prima Network.

Isso foi em 2004. Eu jogava com o nick The-Toilet 0 e, sem saber, estava enfrentando alguns dos melhores jogadores de cash game do mundo naquela época. Entre meus adversários regulares estavam caras como Ram Vaswani, Prahlad Friedman e "Dared".

Eu não fazia ideia de quem eles eram. Não acompanhava poker e não conhecia mais ninguém que jogasse seriamente.

Eu jogava com um estilo absurdamente agressivo que quase ninguém utilizava naquela época. Mostrava blefes enormes para tiltar as pessoas, era bom em me adaptar aos meus adversários, e eles simplesmente não sabiam como combater aquilo.

Em poucos meses, transformei aqueles $3 mil em $180 mil... do meu dormitório na Universidade de Illinois.

Ir às aulas passou a ter um custo de oportunidade muito alto. Eu acordava, via alguém sentado com $10 mil em uma mesa de heads-up e precisava escolher entre jogar contra aquela pessoa ou ir para a aula.

Mas jogar buy-ins de $5 mil a $20 mil, mesmo com um bankroll de $180 mil, é uma maneira garantida de acabar quebrando em algum momento, apenas pela variância.

Some a isso o fato de que eu nunca havia aprendido fundamentos de verdade e dependia quase inteiramente de talento natural e feeling. Então imagino que os jogadores devem ter se ajustado às minhas falhas fundamentais.

Quando cheguei ao terceiro ano, não apenas havia perdido tudo, como também tinha acumulado mais de $30 mil em dívidas aos 21 anos.

Fiquei extremamente deprimido e passei pelo que foi o ano mais difícil da minha vida. Financeira e emocionalmente, estava em um buraco do qual não sabia se algum dia conseguiria sair.

Mas consegui.

Olhando para trás, jogar tão caro foi um desastre de gestão de bankroll, mas...

Ao mesmo tempo, enfrentar os melhores jogadores do mundo sem nenhum medo e depois precisar aprender a engolir meu orgulho e reconstruir tudo jogando buy-ins de $5, depois de ter jogado buy-ins de $20 mil... me ensinou lições que eu não poderia ter aprendido de nenhuma outra maneira.

Desde então, nunca mais fiquei realmente intimidado por nenhum adversário nem tive medo de puxar o gatilho em um blefe enorme, independentemente de quanto dinheiro estivesse em jogo.

E sempre que a vida ou os negócios ficam difíceis, lembro a mim mesmo que já consegui sair de uma situação que parecia ser o fundo do poço. Se consegui me recuperar daquilo, consigo me recuperar de qualquer coisa.

Na verdade, a história fica muito mais maluca... mas vou guardar os detalhes para outro dia. 😉

P.S.: Eu não olhava para esses screenshots havia mais de uma década. Tinha esquecido que eles ainda mostravam os logs do chat. 😂

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A foto oficial dos finalistas do Main Event da WSOP despertou associações inusitadas em Ben Wilinofsky:

Gags está parecendo aquele cara que ganhou um torneio de MTG sob efeito de cogumelos.

Depois de uma pesquisa cuidadosa, diria que 70% é por causa da camisa laranja.

Jornalismo gonzo em sua melhor forma: Christopher Morris-Lent não apenas venceu um prestigiado torneio em Portland e ganhou $5.000, como também escreveu um relato vívido de sua jornada até a vitória em um longo artigo.

Não sabemos se o cosplay de Galliano foi intencional ou se era apenas a camisa laranja, mas a atuação de Michael na mesa final foi bastante sóbria e um pouco deprimente.

Lauri Saaskilahti também fez um pouco de cosplay, mas somente Nick Rigby percebeu:

Bom, o cosplay mais marcante do primeiro dia das finais ficou por conta de Han Feng.

Doflamingo, do anime One Piece, caso você queira encomendar um para você no AliExpress

Greg Jennings fez uma pergunta inesperada:

Se Feng vencer, daqui a 30 anos os jogadores vão ficar olhando para esse banner e se perguntando que diabos estava acontecendo em 2026.

Mas Feng não conseguiu vencer. Ele foi eliminado da mesa final no Dia 2, caiu em um all-in pré-flop com ases, e a mão se tornou uma das mais comentadas no Twitter de poker.

Com um stack de 8,5bb, Feng deu min-raise de primeira posição em uma mão 5-handed. Saaskilahti rapidamente o isolou do botão. Greg Mueller, no big blind, pegou suas cartas com a clara intenção de descartá-las o mais rápido possível, mas de repente percebeu que a situação não era tão simples...

Faraz Jaka trabalhou em algumas simulações levando o ICM em consideração.

Range de mini-raise do solver no lugar de Han Feng:

Reação do solver para Saaskilahti:

Aqui já podemos ver que os noves tendem mais jogarem de fold, e uma 3-bet de 5bb é muito mais frequente do que um all-in de 20bb. E, no geral, levando em consideração a jogada do finlandês, a estratégia parece completamente irrealista. Ao ver isso, Jaka propõe sua própria variação para a estratégia de Saaskilahti:

Greg Mueller vs BTN Solver:

E contra um adversário que não segue o solver:

A decisão matematicamente correta, em qualquer caso, era pagar. Mas Greg acabou foldando — e fez bem: Saaskilahti completou uma sequência, eliminando Feng em quinto lugar, enquanto Müller sobreviveu a Galliano e terminou em terceiro.

É claro que essa mão não escapou ao olhar atento de Sam Greenwood. Logo depois, ele escreveu:

Eu não rodei a simulação e não sei os stacks exatos, mas o fold de JJ do Greg só funciona se ele acreditar que Lauri entende que o range de mini-raise de UTG é muito forte e consiste em AA ou blefes. E não acho que Lauri esteja se ajustando dessa forma; acho que ele vai estar loose demais, então Greg deveria ir para o all-in com JJ.

Depois da eliminação de Greg Muller, restaram dois jogadores no torneio. Jess Vierling decidiu demonstrar preocupação com a frágil saúde mental de um deles:

Conselho de médica: eu realmente espero que Jumalon NÃO ganhe o Main Event da WSOP simplesmente porque, se esse garoto de 22 anos vencer com suas habilidades técnicas inferiores, vai ser exaltado, achar que é um Deus do poker, jogar caro, perder os $10 milhões e mais um pouco e depois precisar sair do buraco do jeito mais difícil — ou morrer tentando. GG para Feng, que foi punido pelo erro de não shovar TT pré-flop. Era o que ele deveria ter feito... mas agora vamos ver Saski levar essa. Parece que ele tem maturidade e bankroll suficientes para não deixar isso foder com a cabeça dele.

Ben Rolle respondeu:

— Se existissem braceletes para as piores opiniões durante a WSOP, você teria ganhado um.

O ex-campeão mundial Ryan Reiss foi mais eloquente:

Espero que você nunca ganhe um torneio de poker porque provavelmente compraria um monte de cachorros a mais e levaria uns nove cachorros para o torneio, e todo mundo na mesa ficaria chutando seus cachorros sem querer enquanto você fica sentada lá jogando poker 12 horas por dia. Não é porque eu não gosto dos cachorros. É JUSTAMENTE PORQUE eu gosto.

Jessica Vierling chegando à mesa

John Arie tentou fazer seus colegas relembrarem o passado:

Como duas pessoas vão ficar absurdamente ricas depois de hoje, vamos começar uma thread sobre as maneiras mais idiotas pelas quais vocês já quebraram. Eu começo.

Quando eu tinha 20 anos, havia uma mesa de sinuca em uma feira. As regras eram simples: faça a saída e encaçape quatro bolas, em qualquer ordem, para ganhar qualquer prêmio. Quatro bolas na mesa, fácil, certo? KKKK. $2.500 depois, eu estava quebrado e sem nenhum prêmio.

Scott Seiver:

— Sentei no RailHeaven da Full Tilt Poker com todo o meu bankroll. Perdi.

Rob Kuhn:

— Joguei em um jogo privado com Keating, Bruno Mars e alguns figurões de Nova York. O jogo havia sido anunciado como 100/200, então eu não quis vender muita ação — vendi 20%. Depois de duas órbitas, os blinds eram 100/200/400/800/1600/3200/6400.

Levei $200 mil, perdi $1,1 milhão e deixei os caras que tinham comprado ação freerollarem os outros $900 mil que perdi por cima — eles só perderam a parte correspondente ao buy-in inicial, meio óbvio. Não me quebrou completamente, mas doeu bastante.

Beriuzy:

Eu tinha $25 mil aos 17 anos, jogando sem ter idade legal.

Aos 18, estava com $100 mil e comecei a dar festas enormes para os amigos, pagando tudo.

A última festa custou uns $15 mil porque eu queria impressionar uma garota. Não funcionou.

Meu amigo disse: “Por que você simplesmente não levou ela para Turks & Caicos?”

Percebi que era um idiota e nunca mais fiz uma merda dessas 😂

Joe Cada levantou um ponto importante, na minha opinião, que quase nunca é discutido antes do heads-up:

Sinceramente, eu meio que odeio o BB ante no heads-up. Todo o objetivo do BB ante era acelerar o jogo e eliminar um monte de fichas de circulação em mesas full ring. Manter um blind extra em jogo no heads-up muda demais o jogo. Eles poderiam pelo menos reduzi-lo para 0,5bb.

Jonathan Tamayo:

— Isso deixou o pré-flop meio insano, porque tem muita coisa no meio.

Andy Wilson:

— Também aumenta o quanto os recreativos podem ser destruídos no pré-flop.

A mão frenética na qual o infeliz calldown de Saaskilahti praticamente decidiu o título provocou uma tempestade de reações diferentes.

Analisamos uma das maiores catástrofes já vistas no Main Event, o que pode ter levado à decisão e como a comunidade do poker reagiu.

Leia

Scott Seiver, porém, saiu em defesa do jogador finlandês:

Só vou dizer uma coisa sobre aquela mão final: se o river não fosse outra carta de espadas, provavelmente teríamos outro campeão do Main Event e as pessoas estariam chamando aquilo do melhor call da história do Main Event. Engraçado como o poker funciona. Então vamos todos lembrar disso neste momento.

— Ele blefaria no river se viesse um blank depois de apostar 2x o pote no turn e tomar call?

— 10000000% sim.

O próprio Jumalon escreveu posteriormente: “Eu teria desistido instantaneamente no river contra ele”, referindo-se a Saaskilahti.

Decida você mesmo em quem acreditar.

De 2 de julho a 5 de agosto, o Main Event da WSOP 2026 passou de 9.608 jogadores para apenas um. Veja como Lucas Jumalon venceu o torneio e garantiu o prêmio de $10.000.000 destinado ao campeão.

Leia

Matthew Waxman:

O novo campeão da WSOP parece ser um garoto muito gente boa e um jogador sólido.

Fico feliz em vê-lo vencer, PARABÉNS!

Também é bastante engraçado ouvir um garoto de 22 anos falar sobre os altos e baixos de uma carreira no poker quando ainda tenho gente me devendo dinheiro desde antes de ele nascer.

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