O segundo lugar de João Simão no $150K 10th Anniversary Special rendeu $2.517.090 e completou uma etapa de quase $10 milhões em premiações para o brasileiro na Triton Jeju II. O mineiro enfrentou Nick Petrangelo no heads-up e negociou a divisão do dinheiro quando tinha mais de três vezes as fichas do adversário. Terminou, assim, com $304.180 a mais que o campeão.
Petrangelo ficou com o troféu e $2.212.910. Depois do acordo, os dois decidiram resolver a disputa em all-ins às cegas, com $80 mil ainda em jogo. O americano venceu as três mãos da sequência e conquistou seu segundo título na Triton.
Para Simão, o vice acrescentou outro prêmio milionário à mesma viagem em que havia vencido o $200K Invitational por $7,25 milhões, o maior resultado individual da história do poker brasileiro. Somados os quatro ITMs em dez torneios disputados, o saldo da participação em Jeju foi de $9.874.090 em premiações brutas, o maior total entre os jogadores da etapa.
O torneio comemorativo dos dez anos da Triton teve 67 entradas de $150 mil, com 44 jogadores e 23 reentradas. O prizepool chegou a $10.050.000, distribuído entre os 11 melhores colocados.
Como o vice recebeu mais que o campeão
A diferença entre os pagamentos foi definida antes da primeira mão do heads-up. Simão havia acumulado uma vantagem superior a três para um e os finalistas chegaram a um acordo por ICM. O brasileiro assegurou $2.517.090. Petrangelo garantiu $2.132.910, com outros $80 mil reservados ao vencedor. Ao ganhar os all-ins seguintes, o americano somou esse valor ao que já tinha acertado e chegou aos $2.212.910 registrados no resultado final.
Na tabela original, o primeiro lugar valia $2.765.000. Simão, portanto, garantiu uma quantia $247.910 abaixo desse valor sem precisar vencer o confronto decisivo.
Um valete no river manteve Simão no torneio
Antes de negociar um prêmio de sete dígitos, Simão precisou escapar de uma eliminação na reta final. O brasileiro começou o Dia 2 com o sétimo maior stack entre os 26 classificados. Outras nove entradas foram feitas antes do início do jogo, encerrando o registro do evento.
Wai Kiat Lee caiu na bolha, deixando os sobreviventes com pelo menos $251 mil garantidos. Já dentro da faixa de premiação, Simão disputou contra Daniel Dvoress uma mão que poderia ter encerrado sua campanha antes da mesa final. No botão, o mineiro abriu para 80 mil com e recebeu o call do canadense no big blind, com . O flop deu uma trinca a Dvoress e deixou o par de Simão em uma situação delicada. Dvoress passou a ação, Simão apostou 45 mil e o canadense aumentou para 120 mil. O brasileiro pagou. No turn , Dvoress colocou 400 mil no meio e Simão deu call com as 300 mil que lhe restavam.
A sobrevivência dependia de um dos dois valetes restantes no baralho. Um deles apareceu no river. Com full house, Simão passou de um milhão em fichas. Alex Foxen terminou em 11º e Ben Tollerene em décimo, ambos com $251 mil. A saída de Tollerene definiu os nove finalistas, com Simão na sexta posição em fichas e cerca de 40 big blinds.
Par de ases muda o cenário na mesa final
Thomas Boivin iniciou a decisão na liderança, seguido por Petrangelo. A FT também incluía Adrian Mateos, Danny Tang, Seth Davies, Dvoress, Miroslav Atanasov e Murly Manokharan.

Sentados: Thomas Boivin, João Simão, Adrián Mateos, Daniel Dvoress e Nick Petrangelo.
As primeiras quatro eliminações aconteceram sem participação direta de Simão nos confrontos decisivos. Dvoress perdeu de para o de Atanasov e ficou em nono. Davies caiu em oitavo ao encontrar o de Petrangelo quando tinha . Atanasov voltou a crescer ao vencer de o de Tang, eliminado em sétimo. Depois, Mateos tirou Manokharan em sexto, com contra .
Simão continuava na disputa, mas ainda precisava aumentar seu stack para alcançar os líderes. A oportunidade apareceu quando restavam cinco. Atanasov abriu para 175 mil com e Boivin fez uma 3-bet para 1,4 milhão com . Simão encontrou e anunciou all-in de 1.915.000. O belga pagou. O bordo manteve os ases na frente. A dobra levou Simão à segunda colocação em fichas e deixou Boivin com menos de um big blind, que conseguiu dobrar algumas vezes, mas seu par de quatro perdeu para o de Mateos, encerrando a sua participação em quinto lugar.
O call contra Mateos que abriu caminho para o heads-up
Com quatro jogadores, Simão ganhou um pote de contra o de Atanasov e assumiu a liderança. O búlgaro também perdeu fichas para Petrangelo e acabou reduzido a um stack que já não permitia escolher quando entrar em ação.
Na mão de sua eliminação, Atanasov estava automaticamente em all-in no big blind, com . Simão abriu para 275 mil no cutoff com e Mateos pagou no botão segurando .
O flop veio . Simão apostou 225 mil e recebeu o call. O espanhol tinha uma possibilidade de flush e uma sequência, que poderia ser completada por um nove.
O do turn deu top pair ao brasileiro e ampliou as possibilidades de sequência de Mateos, que também passava a jogar por um ás. Simão deu check, o espanhol apostou 350 mil e o brasileiro pagou. O river foi um . Simão saiu apostando um milhão e Mateos aumentou para dois milhões, tentando um blefe. O brasileiro pensou e pagou com o par de reis.
O call teve efeito imediato sobre toda a mesa. Atanasov foi eliminado em quarto lugar. Mateos ficou com apenas 500 mil fichas, aproximadamente quatro big blinds. Simão chegou a cerca de nove milhões e abriu uma vantagem expressiva sobre os dois adversários restantes.
O espanhol ainda conseguiu dobrar e voltar a 1,3 milhão. Na tentativa seguinte, porém, encontrou Simão novamente. O brasileiro foi all-in do botão, segurando , e Mateos pagou no small blind com . O flop acrescentou um flush draw às cartas altas do espanhol. O no turn manteve a mão em aberto, mas o do river confirmou a vitória de Simão.

Mateos recebeu $1.286.000 pelo terceiro lugar. Simão havia eliminado os dois últimos obstáculos ao heads-up e chegava ao duelo com Petrangelo em condição de negociar a maior parte da premiação restante.
Três all-ins decidiram o troféu
Com os valores acertados, os finalistas passaram aos all-ins às cegas. Petrangelo ganhou o primeiro com contra . Na segunda mão, seu acertou um dez no turn e superou o de Simão, que ficou com 750 mil fichas.
Na terceira, o brasileiro tinha contra . Um oito do turn colocou Simão à frente, mas um ás no river deu a Petrangelo a terceira vitória seguida e encerrou o torneio.

Premiação completa do $150K 10th Anniversary Special
Buy-in: $150.000 · Entradas: 67 · Jogadores únicos: 44 · Prizepool: $10.050.000 · Premiados: 11
| Posição | Jogador | País/território | Premiação |
| 1º | Nick Petrangelo | Estados Unidos | $2.212.910* |
| 2º | João Simão | Brasil | $2.517.090* |
| 3º | Adrian Mateos | Espanha | $1.286.000 |
| 4º | Miroslav Atanasov | Bulgária | $990.000 |
| 5º | Thomas Boivin | Bélgica | $783.000 |
| 6º | Murly Manokharan | Malásia | $613.000 |
| 7º | Danny Tang | Hong Kong | $483.000 |
| 8º | Seth Davies | Estados Unidos | $377.000 |
| 9º | Daniel Dvoress | Canadá | $286.000 |
| 10º | Ben Tollerene | Estados Unidos | $251.000 |
| 11º | Alex Foxen | Estados Unidos | $251.000 |
*Valores de primeiro e segundo lugares definidos após acordo no heads-up.
Quatro premiações e quase $10 milhões em Jeju
O vice no Special e o título no Invitational responderam pela maior parte do faturamento de Simão na etapa. Juntos, os dois resultados somaram $9.767.090. As outras duas premiações acrescentaram $107 mil, levando o total a $9.874.090.
| Resultados de João Simão na etapa | Premiação |
| Título no $200K Invitational | $7.250.000 |
| Vice no $150K 10th Anniversary Special | $2.517.090 |
| Outros dois ITMs, somados | $107.000 |
| Total | $9.874.090 |
Segundo o levantamento publicado pela CardPlayer após o torneio, Simão chegou a $30.730.529 em premiações no circuito ao vivo, mantendo a liderança entre os brasileiros com mais que o dobro do segundo colocado, Yuri Martins Dzivielevski, que soma $14,8 milhões. Ele também ultrapassou Jose Ignacio Barbero, o 'Nacho' ($30,2 milhões), tornando-se também o latino com mais premiação em torneios de poker. Só essa passagem por Jeju representou aproximadamente 32% de todo o valor acumulado até então.
O novo resultado também entrou na lista das maiores premiações individuais do Brasil, em oitavo lugar. Simão passou a ocupar três posições entre as dez primeiras, sendo o único jogador com mais de um resultado nesse grupo. Além do oitavo lugar, ele tinha a liderança com os $7,25 milhões do Invitational e a quinta posição com os $3.067.000 recebidos pelo título no $150K da Triton disputado na WSOP Paradise de 2025.
Abaixo, as 10 maiores premiações brasileiras no poker ao vivo:
| Posição | Jogador | Torneio | Ano | Colocação | Premiação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | João Simão | $200K Invitational Triton Jeju | 2026 | 1º | $7.250.000 |
| 2º | Marcelo Aziz | $25K Super Main Event WSOP Paradise | 2024 | 2º | $4.600.000 |
| 3º | Belarmino de Souza | $25K Super Main Event WSOP Paradise | 2025 | 3º | $4.000.000 |
| 4º | Pedro Padilha | $100K Triton Main Event WSOP Paradise | 2025 | 2º | $3.160.000 |
| 5º | João Simão | $150K WSOP Paradise | 2025 | 1º | $3.067.000 |
| 6º | Yuri Dzivielevski | $100K WSOP | 2026 | 1º | $2.841.432 |
| 7º | Philipe Pizzari | $25K PSPC | 2023 | 3º | $2.524.871 |
| 8º | João Simão | $150K Triton Jeju | 2026 | 2º | $2.517.090 |
| 9º | Felipe Boianovsky | $150K WSOP Paradise | 2025 | 2º | $2.131.000 |
| 10º | Yuri Dzivielevski | $150K WSOP Paradise | 2025 | 3º | $1.409.000 |
O sexto prêmio milionário da carreira
Considerando torneios ao vivo e online, o acordo com Petrangelo levou Simão ao sexto resultado acima de um milhão de dólares. Cinco deles vieram em menos de um ano.
A primeira marca desse tamanho havia aparecido no online, em dezembro de 2019, quando o brasileiro venceu o The Venom, do ACR Poker, por $1.039.982.
Em dezembro de 2025, ele voltou a ultrapassar a barreira ao conquistar o $150K da Triton na WSOP Paradise. A reta final daquele torneio reuniu Simão, Felipe Boianovsky e Yuri Dzivielevski nos três primeiros lugares. Dez dias depois, veio outro título milionário, no Super High Roller Bowl.
O quarto resultado dessa lista foi construído em outra modalidade. Simão ganhou o $50K PLO High Roller da WSOP 2026, recebeu $1.368.700 e acrescentou um bracelete à coleção.
Em Jeju, o Invitational e o Special completaram a sequência. O brasileiro encerrou a etapa com dois títulos de Triton no currículo e quatro braceletes da WSOP. Em uma mesma viagem, conquistou o maior prêmio do poker brasileiro e adicionou outro resultado ao top 10 nacional.
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