Brasil se despede no Dia 6; Deeb e Ensan vão ao Dia 8 do Main Event
GipsyTeam
Hoje, 07:36
Arthur Campos foi o melhor representante do país, enquanto Malcolm Trayner lidera os 21 sobreviventes na disputa pelo prêmio de $10 milhões
Os Dias 5, 6 e 7 transformaram por completo o cenário do Main Event da WSOP 2026. O Brasil passou de 11 representantes para nenhum, antigos campeões ficaram pelo caminho e estrelas como Shaun Deeb, Hossein Ensan e Todd Brunson se aproximaram da formação da mesa final mais importante do poker.
Dos 9.208 jogadores que iniciaram o torneio, somente 21 seguem na disputa pelo bracelete e pelo prêmio de $10 milhões. O australiano Malcolm Trayner ocupa a liderança, mas Deeb e Ensan aparecem logo atrás e carregam duas das principais histórias desta reta decisiva.
Dia 5 reduz grupo brasileiro de 11 para quatro jogadores
O Brasil começou o Dia 5 com 11 representantes entre os 533 sobreviventes. Belarmino de Souza era o melhor colocado do país naquele momento, com 2.725.000 fichas e presença no top 20 da classificação geral, enquanto Lucas Bandeira, Vinicius Lima, Rafael Caiaffa e Douglas “Dowgh-Santos” Ferreira também haviam avançado com stacks acima da média ou próximos dela.
A jornada, no entanto, foi dura para a delegação. Somente Fábio Porcino, Arthur Campos, Erick Mossinger e Rafael Caiaffa conseguiram sobreviver aos cinco níveis disputados.
Porcino assumiu a liderança brasileira com 2.010.000 fichas. Arthur veio logo atrás, com 1.950.000, seguido por Erick, com 1.895.000. Caiaffa completou o quarteto com 855.000 e teria o menor stack entre os brasileiros no começo do Dia 6.
Jogador
Stack ao fim do Dia 5
Fábio Porcino
2.010.000
Arthur Campos
1.950.000
Erick Mossinger
1.895.000
Rafael Caiaffa
855.000
Entre os eliminados, Douglas Ferreira obteve a melhor colocação, terminando em 175º para $57.500. Belarmino, que havia começado o dia como principal esperança brasileira, caiu pouco depois, em 179º, também com $57.500. Wellington Araújo e Ramon Pessoa receberam a mesma premiação.
Lucas Bandeira terminou em 246º e embolsou $50.000. Vinicius Lima e Bruno Porto completaram a lista de baixas brasileiras, ambos com $35.000.
O Dia 5 também representou o fim da tentativa de Michael Mizrachi de conquistar o Main Event em anos consecutivos. Campeão em 2025, “The Grinder” sofreu uma sequência de golpes, incluindo um flush contra flush maior, antes de encontrar os ases de Hossein Ensan em sua última mão. Mizrachi terminou em 241º e recebeu $50.000.
Alex Foxen, Artur Martirosian e Josh Arieh foram outros nomes importantes eliminados. Foxen chegou a perder um pote relevante ao pagar um all-in com uma trinca contra o flush de Ryan Miller, mas ainda permaneceu no torneio por algum tempo antes de cair com menos de dez big blinds:
Foxen paga com 22 após um raise do lojack, que tinha cerca de 25 big blinds. Especialista em jogos Limit, Ryan Miller também completa no big blind.
Foxen flopa uma trinca, mas o board traz três cartas de paus.
Depois dos checks dos jogadores nos blinds, Hasenburger faz uma c-bet de 55.000. Foxen aumenta imediatamente para 160.000. Miller observa toda aquela ação com certa preocupação, e há um motivo para isso:
Depois de pensar por bastante tempo, Miller paga. Hasenburger também dá call.
Turn (690.000):
O SPR de Foxen contra cada adversário é de aproximadamente 1. Parece difícil para ele preservar suas fichas nessa situação. Ainda assim, Foxen dá check e passa a observar Miller atentamente.
Depois de mexer em todas as suas fichas, Miller anuncia all-in.
Hasenburger folda, enquanto Foxen começa a procurar mãos de valor do adversário que ainda poderia vencer.
Na cabine de transmissão, Schulman restringe o range de Miller a vários flushes, 55, K5s e K2s. Contra esse range, Foxen tem 26% de equidade — claramente insuficiente. Se fossem acrescentadas algumas mãos com , a equidade aumentaria um pouco, mas ainda não seria suficiente para justificar o call em chipEV, apesar de a diferença ser de apenas alguns pontos percentuais. Fazer todas essas contas mentalmente é bastante difícil, então é preciso confiar na compreensão geral da situação.
Depois de uma reflexão angustiante, Foxen tenta obter alguma informação do adversário:
— Você realmente tem um flush? O que mais me preocupa é se você pode ter , porque essa mão eu venço...
Não sei o que Alex percebe no rosto de Miller, aparentemente pouco acostumado a anunciar all-ins...
...mas logo depois ele faz o call.
River:
Foxen fica com 29 big blinds. Não é uma catástrofe, mas, para ele, provavelmente foi muito mais doloroso ter cometido um erro.
Na outra direção, Shaun Deeb conseguiu se recuperar de um momento em que tinha menos de 1 milhão de fichas e ensacou 4.305.000. Patrick Leonard avançou com 2.860.000, Hossein Ensan com 3.450.000 e Todd Brunson com 3.690.000.
Zhao Liu terminou na liderança geral, com 10.150.000, sendo o único jogador a superar a marca de 10 milhões. Dhiraj Sharma ficou em segundo, com 9.840.000, e Xingyu Liu apareceu em terceiro, com 9.040.000. Ao todo, 174 jogadores avançaram.
Arthur Campos é o último brasileiro eliminado
A campanha brasileira chegou ao fim já nos níveis iniciais do Dia 6. Fábio Porcino, Rafael Caiaffa, Erick Mossinger e Arthur Campos foram eliminados entre a 160ª e a 125ª colocações, recebendo $65.000 cada.
Porcino foi o primeiro a cair. Depois de começar o dia com o maior stack do país, ele perdeu boa parte das fichas em uma sequência de potes e ficou com menos de um big blind. Na mão derradeira, seu não conseguiu superar o do adversário.
Caiaffa se despediu em 139º. Com , o brasileiro anunciou all-in após um raise de Blake Barousse, que encontrou o call com . O flop trouxe um rei e uma dama, mas Caiaffa não encontrou seus outs nas duas últimas cartas.
Erick Mossinger foi eliminado na 131ª colocação. O paranaense colocou suas 1.755.000 fichas no centro com , mas encontrou Mario Boos com . O board não trouxe a ajuda necessária, encerrando uma campanha na qual Erick esteve entre os maiores stacks brasileiros durante boa parte do torneio.
A última esperança do país era Arthur Campos. Com aproximadamente dez big blinds, o gaúcho respondeu ao raise de Aaron Barone anunciando all-in com . Barone pagou com .
O flop colocou Arthur à frente com um full house. O no turn manteve o brasileiro em vantagem, mas um inacreditável no river mudou tudo: Barone fez um full maior e o brasileiro deixou o Main Event em 125º, como o melhor representante do país em 2026.
Brasileiros eliminados nos Dia 5 e 6:
Colocação
Jogador
Prêmio
125º
Arthur Campos
$65.000
131º
Erick Mossinger
$65.000
139º
Rafael Caiaffa
$65.000
160º
Fábio Porcino
$65.000
175º
Douglas Ferreira
$57.500
179º
Belarmino de Souza
$57.500
204º
Wellington Araújo
$57.500
222º
Ramon Pessoa
$57.500
246º
Lucas Bandeira
$50.000
442º
Vinicius Lima
$35.000
476º
Bruno Porto
$35.000
Arthur Campos (FOTO: Monique Masrestein/WSOP)
Ao todo, 32 brasileiros chegaram à faixa de premiação do Main Event.
Chance Kornuth cai na bolha sem premiação, enquanto Chris Moneymaker termina entre os premiados. Para tirar fichas de Shaun Deeb, é preciso merecer. Patrick Leonard recebe um sinal divino. Artur Martirosian aparece entre os maiores stacks, e 11 brasileiros avançam para o Dia 5,
Sem brasileiros, o restante da jornada ficou marcado pelo avanço de alguns dos jogadores mais conhecidos do field. Hossein Ensan mostrou novamente a consistência que o levou ao título em 2019. Em um dos principais potes do dia, seus ases encontraram os reis de Michael Nugent, impulsionando o alemão na classificação.
Shaun Deeb também teve participação ativa. Em uma das mãos mais comentadas da rodada, ele colocou 37 big blinds no centro depois de um raise do cutoff e uma 3-bet de Ensan. O campeão de 2019 mostrou antes de desistir:
Dono de um grande stack, o francês Maxime Chilaud, com o rosto um pouco quadrado e um sobrenome que mais parece um apelido, abre do cutoff. Hossein Ensan, que não tem medo de aplicar 3-bets com um range relativamente amplo, aumenta do botão. Shaun Deeb para para pensar no big blind...
...e, sem demonstrar qualquer emoção, anuncia all-in de 37 big blinds!
Ensan havia aplicado a 3-bet por valor, mas estaria disposto a comprometer metade do stack?
Não! Ele folda AQo com as cartas viradas para cima e pede que Deeb também mostre sua mão.
Shaun, claro, se recusa.
No encerramento, Tyler Gaston assumiu a liderança com 21.000.000. Blake Barousse terminou com 19.375.000, enquanto Zhao Liu apareceu em terceiro, com 19.047.000.
Ensan ocupava a quinta posição, com 17.775.000, e Todd Brunson era o nono, com 17.000.000. Deeb avançou com 8.725.000 e Patrick Leonard, com 6.100.000. Restavam 62 jogadores.
Antes mesmo do início do Dia 7, uma mudança da organização tornou-se o principal assunto do torneio. A WSOP introduziu shot clocks para todas as decisões, com 20 segundos no pré-flop, 30 segundos no pós-flop e seis time banks de 30 segundos para cada jogador.
A medida foi adotada depois de episódios de demora excessiva no Dia 6. O caso mais extremo envolveu Loren Klein, que aguardou aproximadamente 15 minutos antes de colocar suas últimas fichas no centro enquanto esperava por um possível salto de premiação.
O problema não foi somente a redução do tempo. A decisão de modificar o procedimento durante o andamento do Main Event recebeu críticas por afetar principalmente os recreativos, menos habituados a jogar com shot clocks.
Patrick Leonard reconheceu que a mudança acabou funcionando bem para ele, mas avaliou que os profissionais receberam uma vantagem considerável. Segundo o britânico, muitos amadores tiveram dificuldade para entender o sistema e tomar decisões importantes dentro do novo limite.
Em meio à controvérsia, os antigos líderes viveram um dia complicado. Tyler Gaston começou com o maior stack, mas caiu na 36ª colocação. Blake Barousse, segundo no começo da rodada, terminou em 31º.
Patrick Leonard também ficou pelo caminho. “Pads” ainda conseguiu uma dobra importante com KK contra 99, acertando um flush quando uma terceira carta do mesmo naipe apareceu no river. Sua última mão, porém, foi um coin flip: o do britânico enfrentou o de Berkeley Yuan e perdeu após um ás aparecer no turn. Leonard terminou em 32º e recebeu $265.000.
Patrick Leonard (Foto: Tyler Abrams/WSOP)
A queda mais impressionante foi a de Zhao Liu. Depois de vencer o maior pote do torneio até aquele momento ao pagar três apostas com uma trinca de damas e encontrar um blefe, Liu chegou novamente à liderança. Nas mãos finais, porém, tudo mudou.
Primeiro, Evagoras Evagorou acertou um hero call sem nenhum par e levou um grande pote contra Liu. Na sequência, Lucas Jumalon extraiu mais fichas do antigo líder com um straight. Pouco depois, Liu anunciou all-in com e encontrou Jumalon com . Dois ases apareceram no flop, encerrando a recuperação. Liu recebeu $325.000.
Na parte de cima da classificação, Shaun Deeb fechou o dia com 31.300.000, na sexta posição. O norte-americano vive o melhor Main Event de sua carreira e está a uma jornada da mesa final. Hossein Ensan avançou logo atrás, com 29.700.000. Se conquistar novamente o Main Event, o alemão será o primeiro bicampeão desde Johnny Chan, vencedor em 1987 e 1988.
Todd Brunson também continua no field, embora tenha apenas 7.800.000, equivalentes a 13 big blinds. Sua campanha acontece exatamente 50 anos depois do segundo título de seu pai, Doyle Brunson, no Main Event.
Todd Brunson (Foto: Lennart Hennig/WSOP)
Malcolm Trayner lidera os 21 sobreviventes
Malcolm Trayner assumiu a liderança com 63.200.000, uma vantagem superior a 20 milhões para o segundo colocado. O australiano, campeão do Aussie Millions no começo de 2026, busca conquistar dois dos principais torneios do calendário mundial na mesma temporada.
Malcolm Trayner (Foto: Tyler Abrams/WSOP)
Rami Hammoud aparece em segundo, com 41.500.000, seguido por Lucas Jumalon, Evagoras Evagorou e Will Givens. Deeb e Ensan aparecem nas posições seguintes.
Posição
Jogador
País
Fichas
1º
Malcolm Trayner
Austrália
63.200.000
2º
Rami Hammoud
Canadá
41.500.000
3º
Lucas Jumalon
Canadá
40.800.000
4º
Evagoras Evagorou
Chipre
38.200.000
5º
Will Givens
Estados Unidos
31.700.000
6º
Shaun Deeb
Estados Unidos
31.300.000
7º
Hossein Ensan
Alemanha
29.700.000
8º
Thomas Clack
Reino Unido
27.500.000
9º
Antonio Galiana
Espanha
27.200.000
10º
Mario Boos
França
24.300.000
O Dia 8 será disputado nesta segunda-feira (13), a partir das 15h no horário de Brasília. Os blinds retornam em 300.000/600.000, com big blind ante de 600.000.
O Dia será encerrado quando restarem nove jogadores. Todos os finalistas garantirão pelo menos $1 milhão e retornarão a Las Vegas em 3 de agosto para disputar o bracelete e o prêmio principal de $10 milhões.
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