Um mês antes de o mundo tomar conhecimento do caso de trapaça de Paul Gregg, semelhante ao de um “superusuário”, Patrick Howard — hoje conhecido como fundador da Mobius Poker — analisou 32.780 mãos e encontrou anomalias.
O relatório foi encaminhado à GG, mas o maior site de poker do mundo aparentemente ignorou o alerta de Patrick Howard naquele momento.
Jornalistas do site espanhol Poker-Red, que vêm acompanhando de perto esse escândalo de grande repercussão, tiveram acesso exclusivo a novas evidências.
As suspeitas surgiram a partir das perdas recorrentes de um dos amigos de Patrick. No relatório, Howard ressaltou que não estava acusando Paul Gregg de nada, mas pedia à equipe de segurança da GG que desse atenção especial ao jogador.
O relatório foi elaborado e enviado em 1º de setembro.

Ao longo de 32.780 mãos, Paul Gregg apresentou um win rate de 13,9 bb/100, venceu 75,6% dos showdowns em mãos com ação no river e ganhou 2.497 bb em potes grandes, de 150 bb ou mais. Todos esses números diferem significativamente das estatísticas habituais dos jogadores regulares.

Com base na análise, Howard chegou a uma conclusão cautelosa:
Paul parece ser um regular vencedor, passando por uma sequência extraordinária de resultados, ou alguém que trapaceia apenas nas situações mais importantes.
Resumo do relatório
Segundo Howard, a estatística mais estranha é que, das 78 mãos que chegaram ao showdown após Gregg apostar ou dar raise no river, ele venceu 59. Mais da metade de seu lucro veio de vitórias em potes superiores a 150 bb. Em comparação com o restante do field, ele perdia com uma frequência anormalmente baixa as mãos nas quais colocava dinheiro no river.
Paul Gregg disputou 225 mãos com ação no river em potes superiores a 40 bb. Em apenas cinco delas, perdeu 90% ou mais de seu stack inicial, o equivalente a 2,22%. Entre os regulares, esse índice era de 7,30%.
Alguns indicadores, porém, não se encaixavam na hipótese de um “superusuário”:
- Gregg perdeu 19 potes nos quais mostrou agressividade no river.
- Perdeu seis stacks completos no river.
- Perdeu 29 dos 81 potes em que pagou uma aposta no river jogando com stacks profundos.
- Seus maiores potes foram vencidos com mãos convencionais de valor ou em coolers.
- Um dos regulares da amostra apresentou um win rate maior em uma sequência de 10 mil mãos.
Olhando retrospectivamente, fica claro que Gregg selecionava cuidadosamente as mãos nas quais utilizava seu conhecimento das cartas dos adversários. Em tese, porém, resultados assim também poderiam ter sido alcançados por um jogador tight que se encontrasse repetidamente em situações favoráveis.
O win rate de Gregg em comparação com o field
Na amostra de mãos apresentada, os regulares tinham, em média, um win rate negativo de -3 bb/100. Se Gregg tivesse esse mesmo win rate, considerando um desvio padrão de 80 bb/100, a probabilidade de terminar uma sequência de 32 mil mãos com um win rate de 15 bb/100 ou mais seria de uma em 35.100.
Se, por outro lado, considerarmos que Gregg era um regular de elite com um win rate de 9 bb/100, seu resultado já não parece tão extraordinário.

As conclusões de Howard:
- Gregg ser um regular mediano em uma sequência de resultados absurdamente positiva: impossível.
- Gregg ser um regular de elite em uma sequência positiva: uma possibilidade real.
Por isso, não é possível tirar conclusões apenas com base no win rate. As estatísticas de jogo no river e com stacks profundos são muito mais representativas.
O dado mais preocupante é que, em potes superiores a 40 big blinds, Gregg apostou ou deu raise no river 153 vezes. Dessas mãos, 78 chegaram ao showdown, e ele venceu 59, um índice de 75,6%. O restante do field venceu 58,2% dos showdowns nessas situações.
Howard enfatiza que a amostra é pequena, mas os números chamam a atenção e merecem ser investigados.

Quanto mais dinheiro havia no pote, “melhor” Gregg jogava.
Em potes de menos de 40 bb, ele perdeu 802 bb. Nos potes entre 40 e 100 bb, ganhou 1.768 bb. Entre 100 e 150 bb, lucrou 577 bb. Já nos potes superiores a 150 bb, apresentou um resultado excepcional, com um ganho de 2.497 bb.
Seu percentual de vitórias no showdown também aumentava: de 54,2% nos potes pequenos para 74,3% nas mãos com potes de 150 bb ou mais.
Patrick Howard considera duas possibilidades: o jogador conseguia ver as cartas dos adversários, mas só aproveitava essa vantagem nas mãos mais importantes; ou era um jogador muito tight, que alterava significativamente seus ranges quando havia muito dinheiro em jogo.
Entre os demais jogadores do field, esses percentuais eram significativamente menores.

Quando um adversário apostava no river em potes heads-up, Paul acertava o call com uma frequência anormalmente alta.
Em potes superiores a 40 bb, ele pagou uma aposta no river 81 vezes e venceu 52, um índice de 64,2%, contra 48,6% entre os regulares.
Ao mesmo tempo, sua frequência de calls no river não fugia do padrão: em 29 dessas ocasiões, ele pagou e perdeu.
No relatório, Howard pediu à equipe de segurança que estudasse as mãos de Paul Gregg com mais profundidade e analisasse novas mãos utilizando os mesmos parâmetros. Se os desvios encontrados fossem explicados por uma sequência positiva de resultados, os números voltariam ao normal. Se o jogador investigado realmente conseguisse ver as cartas dos adversários, a tendência se manteria.
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Para a análise, Patrick Howard utilizou uma amostra de 1.020.724 mãos disputadas em mesas da rede GG. Das 32.780 mãos envolvendo Paul Gregg, 31.502 foram jogadas no limite $10/$20, em mesas 6-max, sem antes ou straddles.
O relatório foi elaborado em 1º de setembro de 2026. As notícias sobre Paul Gregg apareceram nos canais “GTO or GTFO” e “A-Game” em 28 de setembro. O relatório de Patrick Howard foi publicado pelo Poker-Red em 2 de outubro. A reportagem informava que, até o momento da publicação, representantes da GGPoker ainda não haviam entrado em contato com os autores do documento.
Naquele mesmo dia, Patrick publicou uma nova mensagem:
Um esclarecimento rápido sobre a matéria do Poker-Red: o relatório foi uma análise de uma base de dados que fiz no início de setembro, apontando anomalias para que a GG continuasse monitorando, e não uma acusação. A GG entrou em contato comigo hoje. A investigação é conduzida por wolfsec0x0, com a ajuda dos jogadores afetados. A thread dele traz as atualizações.
A última publicação de WolfSec0x0 mencionada no texto original foi feita em 2 de outubro. Ele afirmou que o número de jogadores afetados era significativamente maior do que os 30 citados inicialmente e pediu que todos os jogadores que encontrassem o MeshAgent entrassem em contato por mensagem privada, especialmente aqueles que nunca haviam utilizado o Jurojin ou o IntuitiveTables.
Since I"m seeing a lot of questions about this:
— WolfSec0x0 (@wolfsec0x0) October 1, 2026
When the number ~30 was given with the initial report/tweet, this was the CONFIRMED number of players that had found MeshAgent running on their boxes.
Since then, a much larger number of players have been found via ... (Continued) https://t.co/9aDZtOtqjD