Existem leaks conhecidos por todos: por exemplo, a alergia a foldar bluffcatchers em potes grandes. Mas, aqui, eu obviamente não vou descobrir a América para vocês, já que vocês já sabem disso, certo? Melhor eu tentar dizer hoje algo menos óbvio. Então, vamos lá! Três leaks que não são tão fáceis de perceber — e dos quais praticamente todos os meus assinantes certamente são culpados.
1. Value bets no piloto automático
O fato de a sua mão ser boa para uma value bet não significa que você sempre deve apostar. Vamos pegar uma mão como esta:
Raise de um fish no hijack, nós fizemos 3-bet do button com , call.
Apostamos em um flop secoe recebemos check-raise:

Pagamos, no turn dobrou o seis, e o recreativo deu check.

É bastante óbvio que nossos ases provavelmente são bons. O recreativo pode ter top pair, alguns oitos ou dez — e blefes completos, claro. Intuitivamente, dá vontade de apostar para jogar pelo stack no river, e esse desejo é totalmente compreensível. Obviamente, nem faz muito sentido pensar nos raros casos em que estaremos atrás.
Mas vale a pena pensar no seguinte: nem toda situação em que temos equidade suficiente para apostar exige que façamos isso. Há casos em que o slowplay é a decisão correta. Estas são as características deles:
1. SPR baixo: significa que não há necessidade urgente de inflar o pote. Abre-se uma janela para uma linha alternativa.
2. Range polarizado do adversário: Mais precisamente, estamos falando de um range com muitas mãos vazias, muitos blefes. Estudos sobre tendências do field mostram que jogadores recreativos overblefam em 3bet-pots quando enfrentam apostas pequenas e médias. E sabem por quê? Porque são gamblers!
As pessoas simplesmente querem ganhar potes em 3bet-pots, e pronto. Elas pagam 3-bets com frequência demais, chegam ao pós-flop com um range amplo demais e começam a inventar. Com um range largo, é impossível acertar o flop com frequência. Nosso herói do exemplo acima pode ter tanto trincas quanto . E apostar no turn contra essas mãos faz praticamente zero sentido.
O fato de ele ter dado check no turn não significa que não vai mais tentar levar esse pote. Precisamos dar a ele a chance de tentar de novo no river.
3. Sua mão dificilmente será prejudicada na próxima street: Aqui temos uma situação simplesmente ideal: é muito difícil imaginar uma mão que deu check no turn, estando pior do que a nossa, e que ainda tenha mais de dois outs. Já uma parte das mãos, como , chega ao river sem outs. Queremos mantê-las na mão.
No geral, o check no turn me parece absolutamente obrigatório nesse spot. E, mesmo assim, eu vejo constantemente pessoas que não encontram esse check, inclusive meus alunos. Apressadinhos gananciosos, correm o risco de engolir um ferro frio. E por quê? Simplesmente porque a aposta no turn parece algo correto, e todo mundo faz isso no automático. Não façam assim!
Damos check back, vem o river , e o adversário dá check novamente.

E agora? Talvez o adversário tenha desistido dos blefes. Se for isso, tudo bem, pelo menos demos a ele a chance de se enrolar. Outra possibilidade é ele ter algo como , com o qual deu raise no flop por value, mas agora não está mais disposto a extrair. Pode ter alguns , com os quais deu raise sem nem entender direito por quê, e que ainda podem servir no showdown. E, super raramente, uma armadilha.
Agora, claro, precisamos apostar por valor. E é muito importante não ser pequeno! Mandamos o máximo e não nos preocupamos com nada, contando com o bluffcatch de mãos de força média.

Ah, esqueci de mencionar mais um argumento a favor do check no turn. Quando damos check, aumenta muito a chance de o adversário não acreditar na gente no river.

Colocou a gente em , como dizem. No geral, usem a instrução que apresentei acima. Se eu tivesse apostado no turn no automático aqui, provavelmente não teria ganhado o stack.
Outro spot em que o slowplay não é apenas correto em teoria, mas obrigatório no jogo real. Abrimos do lowjack e recebemos call do jogador no SB com stack de 40 BB.
No flop, ele liderou meio pote:

Pagamos. Temos muita equidade, dificilmente vamos expulsar mãos melhores e, mais importante, queremos deixar o máximo de espaço possível para o adversário se perder.
Acertamos o flush no turn, e o oponente aposta meio pote de novo:

E aqui é muito importante não exagerar. O VPIP desse sujeito é 60%. Não precisamos inventar straights e flushes para ele, dos quais seria necessário extrair urgentemente antes que o river o assuste. Nessa linha, ele tem muitas mãos que não têm absolutamente nada a ver com o board. Dê a ele a chance de colocar mais algum dinheiro no pote com elas, então jogamos estritamente de call. Vamos passar rapidamente pelos pontos:
- O SPR é baixo; no river, dá para dar push de 1,5x pote sem problemas, caso ele mesmo não aposte.
- A mão é praticamente invulnerável.
- O range do adversário inclui muito lixo aleatório, que ele vai foldar contra um raise, mas com o qual ainda pode apostar no river.
2. Amor pelos blefes confortáveis
Passamos ao segundo leak: a incapacidade e a falta de vontade da maioria dos jogadores de blefar de verdade. Não dá para escolher apenas spots em que os blefes são óbvios e confortáveis. Com essa abordagem, não se bate nenhum limite decente.
Abrimos do button, apostamos 1 BB no flop e recebemos call.

E agora estamos no turn com uma mão que não tem relação com o board. Mas isso não significa que precisamos desistir sempre. Ainda não bloqueamos o range de fold, e a mão ainda tem alguma equidade: o adversário pode ter mãos como ou , contra as quais o e o são outs vivos. Mas a questão nem é exatamente essa, e sim que nem sempre precisamos de draw para barrel no turn em uma situação em que temos vantagem de range.
Se dermos barrel, será muito difícil para o BB jogar de maneira ideal aqui. Ele terá que pagar sempre não apenas com , mas também com todo um pacote de outras mãos, e pessoas reais não jogam assim. Por isso, eu tranquilamente disparo aqui o segundo barril — ele é quase zero em GTO, mas funcionará na prática muito melhor do que o solver considera. Aposto o pote cheio.

O que o adversário fará? Provavelmente dará raise com uma dama, caso não tenha dado raise com ela no flop. Muitas vezes pagará com um dez, raramente com pares menores. Foldará A-high, K-high, algum . Tudo isso nós não bloqueamos. Resumindo, é uma aposta ótima, eu gosto.
O adversário pagou, e no river veio .
E eu continuo me apoiando no fato de que desbloqueio muitas mãos que ele pode foldar no river. Não nos cruzamos com — ele frequentemente foldará os dez contra o terceiro barril — e certamente vamos expulsar e .

Bam, toma overbet. É verdade que dava para apostar um pouco menos contra um recreativo — contra um regular, o size está bom. Tentar expulsar um dez aqui é uma ideia totalmente válida; com uma dama, eu também daria overbet.
Mas o ponto principal dessa mão é a nossa decisão no turn. Vocês podem barrelar com mãos vazias, sem muita equidade. É uma boa ideia, não tenham dúvida. Vocês não precisam necessariamente de uma mão adequada; às vezes, a vantagem de range é suficiente. Não digam a si mesmos: “não vou blefar com , prefiro ter aqui”. Claro que seria melhor ter aqui, quem discorda? Mas isso não significa que não dá para apostar com .
Vamos ver mais uma mão.
Raise do hijack, defendemos . Lideramos em um flop favorável e recebemos raise:

Do lado dele, isso pode muito bem ser um blefe ou semi-blefe, e por value há um conjunto amplo de mãos, começando por algo como A6s. Temos uma excelente mão para 3-bet: temos open-ended, backdoor de flush, bloqueamos calls automáticos de 5x. E, acima de tudo, nosso 3-bet vai parecer muito assustador. Há muita fold equity. Se a sua linha for suficientemente ameaçadora, você vai forçar o adversário a foldar uma parte considerável de mãos fortes.

Procurem esses spots, briguem pelos potes, não tenham medo de experimentar. Não dá para blefar apenas onde os blefes são naturais como o sorriso de um bebê. Não procurem calls criativos — parem de pagar os nits —, procurem melhor raises criativos e segundos/terceiros barrels. Isso vai abrir para vocês um admirável mundo novo, acreditem. Um espaço enorme para criatividade, vocês vão gostar.
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3. Calls desnecessários em potes médios
Ou, mais precisamente, a incapacidade de largar a mão assim que o cheiro de queimado aparece.
Demos raise com e recebemos 3 calls. O flop passou em check, no turn o BB apostou, e nós pagamos.

Claro que o call é normal. Ele tem ali muitas mãos médias e semi-blefes, top pairs piores. Depois vemos isto:

As pot odds são excelentes, temos uma top pair forte, com a qual praticamente não demonstramos força. E as pessoas se colocam em uma armadilha de pensamentos sobre topo do range, força escondida da mão e por aí vai. “Vou pagar e ver o que acontece no river, não posso foldar agora.”
Pode, claro que pode. Um deles tem um nove quase sempre, é o fold mais simples do mundo. Mesmo que, em algum universo, ainda tenhamos a melhor mão, no river alguém pode melhorar ou nos blefar. Quando a casa está pegando fogo, não se deve sair correndo para juntar as coisas; é preciso cair fora o mais rápido possível. As pessoas dão call até o river em spots em que praticamente nunca chegarão ao showdown com a melhor mão. Depois são obrigadas a foldar — e ficam surpresas por que a red line está caindo.
Mais uma mão. Raise do hijack, 3-betamos com e recebemos cold call do BB.

O raiser também paga, e vamos ao flop em três. Fazemos c-bet — dava para ser um pouco maior, aliás — e recebemos dois calls:

No turn, o jogador no BB lidera alto:

Temos overpair, como foldar? E se ele tiver noves? Bem, em geral, pode ter noves! Sim, há uma chance de ser um recreativo que avalia mal a força da mão ou apostou com draw. Mas não estamos jogando adivinhação. Temos fatos, estatísticas: a linha de check-call e grande lead no turn indica força na maioria das vezes. Além disso, um jogador que acredita tanto nos seus noves provavelmente daria raise com eles no flop.
No geral, suspiramos, mandamos para o muck e esquecemos. A casa está pegando fogo, fujam.
Raise do button, 3-betamos do small blind e recebemos call. No flop, check-check; no turn, apostamos e, de repente, recebemos raise:

Sim, a aposta pequena pode ter provocado um blefe do adversário. Mas vamos pensar: com o que ele blefa? Ele está em posição; com , e , poderia tranquilamente apostar no flop. ou ? Tudo bem, digamos. Mas, em média, o field no Rush&Cash joga tight, até nit. Com draws, as pessoas principalmente pagam, não dão raise.
Há ainda outro argumento a favor do fold: simplesmente não existem bons rivers para a nossa mão no baralho. Então, no river, de qualquer forma, teremos que dar check. E isso significa que, nesta mão, eu preciso não só resistir caso esteja na frente, como também tomar uma decisão difícil no river. E tudo isso contra um range em que há muitas mãos contra as quais não tenho outs — , flushes. Não vejo como o call aqui pode ser mais lucrativo em EV do que o fold.
E a última mão de hoje. Aqui temos uma ilustração perfeita de um spot em que as pessoas sempre dão call uma street a mais.
3-betamos no SB contra o cutoff e recebemos call. No flop, apostamos pequeno e recebemos raise:

Pagamos, claro. No turn vemos o e recebemos um segundo barril:

Perguntem a si mesmos: com que frequência as pessoas dão raise no flop como blefe aqui e depois apostam o turn em uma carta de paus? Que mão seria essa? Tentem imaginar. E mesmo que consigam, olhem o cenário ideal em que vocês precisam acertar depois:
- Vocês precisam encontrar um adversário raro que faz esse tipo de blefe.
- Ele precisa não melhorar no river.
- E depois ainda é necessário que ele não continue blefando no river.
Condições demais, concordam? Aprendam a foldar nessa situação na primeira oportunidade, assim que sentirem algum sinal de que algo na mão está indo mal. Isso não é covardia, é coragem. Fazer bons folds é difícil, mas necessário. Depois, a red line vai agradecer.