— Olá, tudo bem? Faz tempo que você não escreve no GipsyTeam, ultimamente também não fez streams, e provavelmente nem todo mundo acompanha o canal no Telegram. Com o que você tem se ocupado ultimamente?
— Olá! Antes, quando eu acordava, sabia com o que estaria ocupado até a noite. Agora, sobra bastante tempo livre — e nem sempre fica claro o que fazer com ele. Viajo pelas séries, assisto futebol… Já não existe mais aquela obrigação de jogar os “sunday majors”, por assim dizer.
— Então dá para dizer que você já não é mais um regular de online?
— Se eu não sou um aposentado do poker, então sou uma personalidade midiática do poker. E meu fundo também está crescendo; neste ano, lançamos uma nova marca.
Recentemente, Dima Shakhov me chamou de jornalista. Soa engraçado! Na maior parte do tempo, fico direto na internet, estudando conteúdo, publicando pequenas notas no Telegram. Eu gosto disso!
— Que projetos midiáticos no universo do poker, nos últimos um ou dois anos, te agradaram ou ficaram na memória?
— Há pouco conteúdo bom. O que eu mais gosto é da Marle, esposa do Spraggy — é sensacional! O Minton tentou trabalhar nos moldes dela, mas não parecia muito natural, parecia forçado. Já com a Marle, tudo sempre foi muito orgânico.
No começo da carreira, ainda antes da pandemia, ela fazia TikToks; em um dos vídeos, andava pelo Bellagio e listava com quais jogadores tinha dormido. Muito bom!
— O que são os MTTs modernos? O quanto os torneios e os amadores de hoje diferem do que existia 15 anos atrás?
— Eu gosto de comparar o poker ao xadrez. Diante do tabuleiro, ao lado, por exemplo, de Ilya Gorodetskiy, eu sou um bobão. Ainda assim, assisto ao GothamChess [Nota da redação: canal do mestre internacional e blogueiro de xadrez Levy Rozman], conheço as aberturas principais, a Defesa Francesa… Fico muito feliz por ter entendido os seis primeiros lances do Magnus (risos). Em resumo, eu entendo alguma coisa! Mas, para o Ilya, o meu nível continua sendo infantil.
Com a mesma lógica acontece com os amadores no poker. Por exemplo, eles aprenderam a donkar em boards pareados, o que é um conceito muito simples. Ou apostar grande em uma carta perigosa. Ou dar all-in sem colocar todas as fichas, deixando uma para trás. E fazem isso com motivo ou sem motivo. O fato de um amador entender isso não é um problema para o regular. Mas o jogo está caminhando para um ponto em que dominar alguma base já não é difícil.
Quando comecei, não existia nenhum software. Lembro perfeitamente de ficar diante de um quadro branco com um marcador tentando calcular se era push ou não. Hoje, com um solver à disposição, qualquer amador pode melhorar o skill e eliminar um monte de pequenos erros. Mas ele não vai virar profissional, porque soluções prontas não bastam. A situação é parecida com os engines no xadrez: você sabe qual é o lance certo, mas por que aqui é preciso mover o cavalo? Qual é a lógica, qual é o sentido? Por que em outra posição é preciso mover a torre? É nessas respostas que estão os segredos do profissionalismo: onde é correto jogar de limp, onde é necessário raise, quando é preciso pushar.
É dessas nuances que nós, regulares, tiramos vantagem, e uma vantagem bastante significativa. No começo da minha carreira, um winrate de 5bb/100 era respeitado. Hoje, esses já são números de um regular fraco — tem gente mostrando 10 e até 15bb/100.
Como a maioria dos fundos ainda se orienta pelo winrate, os jogadores se adaptaram e começaram a inflá-lo — entram mais cedo no torneio e tentam ganhar 500bb de um fish. Em termos de blinds, isso é muito; em dinheiro, são migalhas. Mas, se o relatório é analisado por alguém que não entende muito bem, o jogador é promovido e passa a grindar stakes mais altas.
Na FF, entendemos que não dava para confiar em winrates, porque eles estavam inflados. Então criamos nossa própria métrica.
É uma fórmula complexa: multiplicamos um monte de fatores, torneios difíceis e fáceis, números do começo e do fim do MTT… Medimos a vantagem real sobre os oponentes. Há casos em que o H2N ou o HM4 mostram 20bb/100 para o jogador, mas o EV pelas nossas métricas internas é de -2bb/100. Então ele que volte a estudar e depois retorne. Introduzimos essa métrica em abril e a chamamos de FFEV — e foi aí que começamos a decolar.
— Como dá para inventar uma coisa dessas, quem trabalha nisso?
— Tudo começou uns 6 ou 7 anos atrás, quando chegamos à conclusão de que só víamos a ponta do iceberg e que dava para cavar muito mais fundo, fazer novas descobertas na ciência do poker. Por exemplo, em como o select funciona. É preciso estudar os torneios, encontrar padrões e tirar conclusões. E assim em tudo.
Começamos a criar departamentos que no fim viraram o nosso instituto de pesquisa. Esses departamentos nos empurram para frente — inventam coisas que antes simplesmente não existiam. Neles trabalham pessoas que realmente entendem da resolução de tarefas específicas e fazem isso de forma contínua, sem conciliar com outras atividades. Reunimos especialistas fortes, não apenas amigos, esposas de jogadores ou conhecidos, mas verdadeiros profissionais.
E essas pessoas abriram novas possibilidades de desenvolvimento para nós. Elas criaram novas ferramentas, como o FFEV e a página de select na área pessoal.

Agora o jogador nem precisa pensar na escolha dos torneios, pode simplesmente sentar e jogar os verdes (aqueles que o nosso departamento calculou como os mais lucrativos para aquele aluno específico). Isso economiza uma enorme quantidade de tempo e nervos e, ao mesmo tempo, é muito eficiente do ponto de vista de maximização do lucro.
E fizemos esse tipo de transformação em absolutamente tudo, inclusive no treinamento.
— E o que ainda dá para inventar nisso? Parece que em 2026 já se sabe tudo.
— Antes não existia nenhum sistema nem estrutura de ensino. Lembro que, no começo da carreira, simplesmente fui ao top-200 do PocketFives e mandei mensagem privada para todo mundo: “Me treina, eu pago!”. Umas trinta pessoas responderam, vinte recusaram. Com mais umas cinco, consegui conversar.
Foi bastante útil. Por exemplo, treinei com Aaron Been. Ele defendia a ideia de que o big blind precisava ser defendido de forma muito ampla; além dele, naquela época só Konstantin Puchkov jogava assim (risos). Estava uns cinco anos à frente da teoria do poker, era um visionário.
No geral, o papel do coach naquela época muitas vezes não era realmente ensinar, mas transmitir confiança de que você tinha aprendido alguma coisa.
— E isso também é importante! A confiança interna é 40% do sucesso. Muita gente tem medo de blefar no river ou, ao contrário, de dar call. Quando, nos treinos, você já tinha passado por aquele nível básico mínimo, a utilidade do aprendizado em si caía bruscamente. Explicavam que era possível dar check ou apostar, mas não especificavam quando isso deveria ser feito.
Depois, comecei a estudar as frequências com muita atenção. Juntava em um alias todos aqueles que eu considerava fortes. Individualmente, havia poucas mãos de cada um (com sorte, 2.000 hands), mas, no total, acumulava bastante coisa. Eu colocava isso no software, olhava as stats e procurava ideias.
O fato de eu nunca ter me considerado o mais inteligente me ajudou muito. Enquanto você não for o melhor, não deve inventar suas próprias estratégias. Eu simplesmente “roubava” as dos outros, passava para os alunos, e isso funcionava. Montamos um arquivo enorme de ideias e só depois começamos a criar as nossas. Por exemplo, que contra um raise do botão é possível pushar 40 blinds. Na época, isso ainda nem passava pela cabeça de ninguém.
No GipsyTeam, o Feruell escreveu certa vez que, em spins de 20bb, era possível dar call em um push com 76o e foldar AKo. Aquilo foi uma verdadeira quebra de paradigma. Comecei a cavar nessa direção — e realmente, as linhas de decisão podem ser diferentes:
Contra um adversário desconhecido, um regular de SnG heads-up (antes de ler meu blog) vai all-in em 25bb apenas com 22-55. Mais provavelmente até 22-44, mas isso, neste caso, não é essencial. O 76o contra o range 22-55 tem 51% de equidade. Para o call, basta 48%. Assim, ao dar call em vez de fold, eu ganho 30 fichas de EV, o que, levando em conta o limite, equivale a cerca de $60.
Vocês podem perguntar por que o range de all-in é tão desbalanceado — e essa seria uma ótima pergunta. A resposta está no fato de que pares pequenos jogam muito mal no pós-flop, já que praticamente qualquer flop traz três overcards, e ao mesmo tempo são mãos fortes o bastante para serem pushadas. Se você tem, digamos, 55, já pode jogar de min-raise esperando um resteal all-in de 22-44 ou A3o, A2s, que você domina. Para 22, provocar um resteal na prática não faz muito sentido. Quanto mais alto o par, mais lucrativo é jogar de min-raise. Naturalmente, com algum histórico entre os jogadores, não dá para dar call com 76o.
Naquele tempo, isso era visto como uma mensagem de uma Supermente; hoje, todo mundo só diria: “ah, coisa de gtozeiro”. Depois vieram exploits mais sofisticados, e nós os desenvolvemos até virarem estratégias inteiras.
Foram surgindo os mais variados insights. Por exemplo, se o flush completou no river, diante de uma aposta de dois potes, vão foldar com uma frequência muito maior do que deveriam. No geral, o principal é testar coisas diferentes e ver como funcionam. Lembre da Teorema do Yeti! [Nota da redação: a 3-bet em flop seco, especialmente pareado, quase sempre é feito em blefe]
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Na época, eu estudava com RomeoPro, Pads, Bencb, Dvoress. Naquele tempo, você chegava ao coach e ouvia: “Eu sou muito bom, pergunte o que quiser, eu respondo”. E isso era o treinamento.
Abriam para você a porta do engenheiro-chefe da fábrica, de quem você podia descobrir tudo. O problema era que, se eu soubesse qual era o meu problema, eu mesmo já o teria resolvido.
Na prática, todo o treinamento se resumia a dizer à pessoa: “Isso é um erro, então é melhor jogar assim”. De todos com quem estudei como aluno, provavelmente só o RomeoPro sabia como ensinar de verdade: encontrar sozinho os problemas do aluno e explicar exatamente o que ele precisava corrigir.
Todo esse ensino pré-histórico era um tipo de caos que precisava ser sistematizado e estruturado. Imagine que precisamos construir um muro. Alguém pode simplesmente tentar empilhar pedras cada vez mais alto, e esse também é um caminho, mas é um caminho pouco confiável e ainda limitado em altura.
Nós tentamos construir o muro de forma sistemática, tijolo por tijolo, com uma base sólida e perspectivas claras.
Criamos nosso próprio sistema e o chamamos de “Caminho do Jogador”: o aluno recebe um programa de treinamento com etapas claras e vai cumprindo tudo como em uma quest, aumentando gradualmente suas competências.
Ao mesmo tempo, não apenas fazemos o jogador passar por aulas — uma equipe inteira de especialistas trabalha com ele individualmente.
— O que essas pessoas fazem? Não basta um bom coach?
— No meu entendimento, seria um enorme erro seguir cegamente o nome de um único coach. O importante nem são tanto os resultados dele como jogador. Para evoluir, é preciso um sistema que não desmorone se o coach desaparecer ou se as estratégias dele saírem da meta. Esse sistema precisa ser adaptável às mudanças e focado em identificar e resolver os seus problemas únicos.
Cada coach tem seus pontos fortes e fracos. Um é mestre no jogo em ICM, outro entende muito bem de torneios knockout, um terceiro é forte em heads-up e 3-max. MTT é uma prova de múltiplas modalidades, em que você precisa saber fazer de tudo. Por isso, temos especialistas capazes de desenvolver o jogador em todos os aspectos.
A história conhece uma enorme quantidade de fundos que construíram seu trabalho em cima de nomes famosos e depois desmoronaram sem glória. Voltando à pergunta de por que precisamos de tanta gente.
Além dos coaches, temos curadores, mentores e mental coaches.
Os coaches cuidam da parte técnica do jogo, os curadores fazem o papel de managers pessoais, ajudam o jogador a não relaxar e o mantêm em forma. Os mentores são colegas mais experientes, jogadores de limites mais altos, que compartilham experiência e dão apoio. Poker é um jogo com um nível alto de carga psicológica, então ter por perto alguém que já passou pelo caminho que você está percorrendo é muito útil.
Os mental coaches e psicólogos colocam a cabeça no lugar de forma profissional. Oferecem ajuda individual, organizam aulas em grupo sobre diferentes temas, fazem seus próprios webinars e intensivos, explicam como o seu cérebro funciona e como fazer amizade com ele.
— O sonho do poker ainda está vivo hoje? Digamos que eu aprendi as combinações e as regras, mas não sei mais nada. Quanto tempo eu precisaria para ganhar $500 ou $1.000 por mês?
— Com base na nossa experiência, o sonho do poker está vivo. Pegamos pessoas com experiências e backgrounds completamente diferentes e as transformamos do zero em jogadores sólidos e lucrativos. Para isso, temos até o curso FF Start: você pode aprender as regras conosco de graça. Alguns deles, com esforço suficiente, chegam até a ganhos muito altos.
Se comparar com outras profissões, o poker continua sendo um caminho promissor e rápido para qualquer pessoa interessada. É claro que nem todos vão virar milionários, mas todos são capazes de chegar a uma renda digna.
No geral, o sonho do poker está hoje mais acessível do que nunca. Se antes isso dependia muito de uma coincidência de circunstâncias, agora é uma questão de empenho e disposição para trabalhar duro. Provavelmente, somos o único fundo que trabalha com educação profissional de poker, com uma infraestrutura montada literalmente do zero. Temos orgulho de ter aprendido não apenas a jogar bem, mas também a ensinar muito bem.
Novamente comparando com o xadrez, é fácil falar disso como profissão. Diante de um tabuleiro de xadrez, eu nunca conseguiria ganhar dinheiro. Para alcançar um nível em que alguém comece a te pagar alguma coisa, você precisa investir mais de dez anos. Já no poker, para chegar aos primeiros duzentos dólares, três meses podem bastar. Nada mal, considerando que, em um emprego comum, você precisa entrar na universidade e viver em alojamento estudantil com uma bolsa de três mil rublos.
Costumo dizer aos alunos que o primeiro dinheiro não deve ser encarado como salário. É uma bolsa, que sustenta a motivação para continuar jogando. A principal tarefa é aprender a jogar em um nível básico. E isso já garante uma renda mínima.
Depois, tudo depende do talento. Nem todo mundo vai ser o Messi. Dmitry Kombarov ou Artyom Dzyuba não jogam no Barcelona não por preguiça: falta skill para eles, a Premier League russa é, objetivamente, o teto deles. Não dá para ir além, por mais que se tente. No poker é a mesma coisa. Há jogadores cujo máximo é ABI $50. Eles nunca vão conseguir jogar acima disso. E há um “Ronaldo”, obcecado pelo que faz. Nesse caso, o sucesso é inevitável.
O fogo interior não pode ser aceso. Só pode ser mantido, cercado de cuidado, para que não se apague. Mas, se a motivação não existe desde o começo, você não vai conseguir fazer nada.
Lembro de quando Ilya AcidVaule e Vladimir Polomar chegaram. Eles subiam a cada mês, avançavam como quebra-gelos. Já naquela época eu escrevia que seriam estrelas no futuro. Passaram-se seis meses, um ano, e eles já estavam jogando os torneios mais caros da FF, e depois tudo o que havia de mais caro. Eles tinham esse fogo, mas a maioria das pessoas, naturalmente, não é assim.
Também há outros exemplos: Vladimir Minko, Arseniy hello_totti Malinov — outro dia ele estava jogando a mesa final do GG Millions de $10.300, e pensar que nós grindávamos juntos os SnGs 45/90/180max de $0,25. Eu já dizia para ele naquela época: “Você vai ser o melhor do mundo!”. É gratificante saber que consegui enxergar essa semente nele.

— Você mencionou seus alunos muitas vezes. Ainda dá treinamentos?
— Acho que já faz uns três anos que não trabalho como coach.
— O que você faz no fundo?
— A forma mais fácil de comparar minha atividade é com o Steve Jobs. Meu papel é, em grande parte, ideológico e de mentoria. As pessoas ao redor trabalham, e eu ando por ali como um ganso importante dando alguns palpites. Muitas vezes entro nas calls como especialista. Controlo para que nada siga na direção errada.
— A FunFarm já tem 13 anos, certo?
— As primeiras menções nos registros históricos realmente datam disso, mas, falando com precisão, naquela época nós não éramos um fundo no sentido atual, apenas trabalhávamos bastante com backing. Como fundo propriamente dito, temos uns oito ou nove anos.
— Por que você acha que conseguem se manter até hoje?
— Porque a nossa abordagem pretende ser científica. Tentamos não tomar decisões aleatórias e não lamentamos quando abrimos mão de coisas que “foram construídas historicamente”. Estamos abertos à crítica e às mudanças, e prontos para refazer tudo se acharmos que dá para ser melhor.
Os concorrentes muitas vezes não estão prontos para admitir que estão fazendo besteira. Por exemplo, um erro básico e evidente é repassar rakeback ao jogador. Isso é ruim, porque faz com que ele pense em jogar mais, e não em jogar melhor. Ele entende que vai jogar 700 torneios e ganhar certa quantia em rakeback. A meta básica também muda: deixa de ser ganhar dinheiro no poker jogando bem, e passa a ser simplesmente jogar o máximo possível e ver se a máquina vai despejar algo ou não.
O backer não consegue existir de forma saudável em um sistema em que o jogador não está interessado em ganhar dinheiro. Ou quando ele apresenta ROI abaixo de 12%. Nesse caso, para o backer, a conta é negativa — eu já falava disso há uns cinco anos. É preciso mostrar pelo menos 16-17%, de preferência mais.
— Lembrando aquele velho ditado dos “dois anos”, quanto tempo você acha que realmente resta para o poker?
— Quando eu entrei no poker, 15 anos atrás, já diziam que ao poker “restavam dois anos”. Naquela época, todo mundo tinha certeza disso. Agora olhamos para trás e pensamos: só um idiota poderia achar isso.
No momento atual, muita coisa depende das criptomoedas. Do quanto os rooms estarão dispostos a usá-las. Por exemplo, sites licenciados, como o PokerStars, recusam cripto — provavelmente por questões jurídicas. Caso contrário, o negócio deles estaria cem vezes melhor. Eles certamente entendem isso, mas se colocaram numa armadilha.
Essa história não é nova. Os primeiros a cair nesse tipo de armadilha foram o partypoker. Quando o mercado americano fechou, o Party era o maior room do mundo. Eles cometeram um erro fatal — se legalizaram e viraram uma empresa de capital aberto. Tinham ações, tudo ótimo… E então, de repente, veio a regulamentação: “Estamos fechando o mercado americano”.
Já o PokerStars e o Full Tilt eram empresas privadas. Eles diziam: “A lei não vale para nós, podemos vender bolinhas de golfe” [Nota da redação: em 2011, o Departamento de Justiça acusou o Full Tilt de disfarçar depósitos nos rooms como pagamentos por mercadorias a falsos comerciantes online, que supostamente vendiam joias, bolas de golfe etc.]. Isso é um fato real sobre o Full Tilt — era assim que enganavam os bancos. E seguiram existindo — até a “Black Friday”.
No YouTube tem um documentário bacana, Bet Raise Fold, sobre a cena dos regs old school. Andrew Lichtenberger contava que havia tanto dinheiro que ele já tinha até escolhido uma ilha particular para comprar. E então veio a “Black Friday”, e pronto, a vida que conheciam desmoronou…
O Full Tilt e o PokerStars cresceram e atropelaram todo mundo. Hoje, o PS já é uma empresa legalizada, enquanto a GG é uma empresa privada, que consegue contornar problemas com cripto e afiliados e se sentir bem.
Em certo sentido, a GG agiu de forma genial: eles não aceitam americanos, então não existe ninguém que possa chegar de porta-aviões e bombardear tudo. Mas a União Europeia, por exemplo, ainda pode implicar com eles — gostam de aplicar multas bilionárias… Só que simplesmente não vão pagar e vão dizer: “Procurem a gente onde quiserem, reclamem na comissão de Curaçao”. É difícil imaginar que consigam sufocá-los. O mais provável é que legalizem a operação e os obriguem a pagar impostos.
Para mim, o poker existe na internet, mas o jogo vivo é, de fato, o verdadeiro poker. Ele sempre vai encontrar novas formas de sobreviver, apesar dos problemas do online e das dificuldades jurídicas em diferentes países.
Quando eu tinha 18 anos, pensava que seria legal inventar um sistema parecido com loteria, mas mais justo, no qual só os mais inteligentes vencessem. Depois percebi: isso já existe, é o poker!
Antigamente, os cassinos podiam cobrar qualquer comissão e estava tudo bem para todos. Agora a situação mudou: as estruturas pioraram, e os profissionais, em termos de nível, se aproximaram uns dos outros. As vantagens ficaram menores, e já não dá para cobrar mais rake — o jogo simplesmente não vai rodar. O Galfond já colocou em prática uma ideia parecida nos Estados Unidos: não haverá rake nenhum.

A evolução está levando ao ponto em que o rake nos torneios, mais cedo ou mais tarde, vai desaparecer completamente. Por enquanto, o sistema ainda sobrevive com comissão. Se deixar de sobreviver, a comissão será removida. O problema do rake, para mim, não está apenas na sua existência, mas também na forma como a legislação encara isso. Por exemplo, nos EUA você pode organizar um jogo até dentro da sua casa, desde que não cobre comissão. No momento em que começa a cobrar, isso já vira crime.
Se você joga sem rake e cobra pela entrada no local, isso é normal. O clube do Doug Polk, no Texas, funciona exatamente com esse princípio. Você compra uma associação, paga para entrar, e o jogo acontece sem comissão. [Nota da redação: os acontecimentos dos últimos dias mostraram que nem essa abordagem é uma solução definitiva.]
Quando você já não irrita ninguém com o rake, o poker fica mais próximo do xadrez: talvez até apareça publicidade. Em torneios high rollers, poderia muito bem haver anúncios da Porsche, Lamborghini, Patek Philippe. Afinal, esse é exatamente o público-alvo deles!

O poker não vai morrer, e sim evoluir sob pressão de fatores externos.
Se o jogo ficar fácil demais de ser batido, vão inventar algo para torná-lo mais complexo, por exemplo: adicionar uma terceira carta ou começar a tirar cartas do muck. Ainda não estamos no topo da evolução, há toda uma escada pela frente.
É um negócio de bilhões. É ingênuo achar que todo mundo simplesmente vai cruzar os braços. O WPT Club Gold agora está tentando pela segunda vez: primeiro vendiam fichas, implicaram com isso. Agora inventaram outra coisa… O Polymarket não é uma casa de apostas, é um mercado de previsões. O DraftKings não é gambling, é fantasy. Todo mundo evolui e procura brechas.
O setor privado é mais flexível e mais ágil do que o Estado. O que pode nos destruir é um AI estatal, com mudanças na lei sem atraso burocrático. Muita gente diz que o próprio mundo só tem mais dois anos… Nós já não estaremos aqui, mas o jogo vai continuar vivo. Vai surgir um novo império, um análogo da GG movido a AI, robôs jogarão entre si, e quem fará stream será um AI-Minton. Então, com o poker, não precisa se preocupar!
Venham aprender poker do zero na FunFarm ou impulsionem sua carreira e consigam backing na FirstFund.