Natasha Ego1stka conversou com Andrey “Suba” Subbotin, que viaja pelo mundo e mantém em nosso fórum um blog sobre a rotina de um regular de poker ao vivo. Neste verão, ele voltou mais uma vez a Las Vegas, mas não para buscar um bracelete, e sim para jogar cash games. Falamos sobre os caros jogos privados, os personagens curiosos encontrados nas mesas, sua paixão pelo poker ao vivo e os motivos pelos quais o poker live está gradualmente perdendo o interesse dos recreativos.

— Olá, Andrey! Normalmente, todo mundo vai a Las Vegas no verão por causa da World Series, mas você foi especificamente para jogar cash games. Por quê?

— Acho que este foi o último ano em que vim exclusivamente para jogar cash, porque, sinceramente, as perspectivas não são muito animadoras. Há muitos recreativos por aqui, mas a maioria quer disputar braceletes e acaba jogando torneios. Para mim, viajar para Las Vegas já se tornou uma tradição anual. Tenho amigos que moram aqui e muitos regulares também vêm para a cidade. É um ótimo lugar para socializar e buscar inspiração.

— E por que você não joga torneios? Pelo que entendi, você jogava MTTs antigamente.

— É simples. Primeiro, eu não me preparei. Passei o ano inteiro jogando cash e só participei de alguns torneios nos fins de semana. Mas o principal motivo foi não ter resolvido minha situação tributária. Atualmente, para pessoas com passaporte russo, qualquer prêmio que exceda o buy-in em mais de $5.000 sofre uma retenção de 30%. Jogar com uma expectativa 30% menor é completamente inviável.

— Em quais cassinos você costuma jogar e quais são os limites?

— Na verdade, não existem tantos lugares em Las Vegas onde seja possível jogar relativamente caro. Os jogos regulares de $5/$10 ou acima disso, de maneira geral, só acontecem no Wynn, Venetian, Aria e Bellagio.

Tenho a impressão de que o Bellagio é o lugar dos regulares europeus: italianos, franceses e espanhóis. Já no Wynn, o field parece mais americano, ou até americano-asiático. Acho que isso acontece porque o Wynn é bastante popular em Macau. Os jogadores da Ásia chegam aqui e vão todos para um lugar que já conhecem.

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Eu jogo principalmente no Venetian. Dá para dizer que é a minha casa em Las Vegas. Inclusive, estou sentado aqui agora enquanto converso com você. Em primeiro lugar, é a sala mais nova. Ela foi inaugurada, acho, há cerca de dois anos. É limpa, clara e confortável. Além disso, as mesas de poker ficam afastadas do cassino, então você não precisa ouvir constantemente o barulho das máquinas caça-níqueis.

Outro ponto muito importante é que não existe uma área para fumantes. Em outros cassinos, assim que você sai do poker room, encontra um monte de gente fumando. Até durante o jogo dá para sentir o cheiro, e isso me incomoda muito. Aqui é tudo limpo e organizado. É como estar em casa.

O único ponto negativo é que não há jogos acima de $5/$10. Mas os limites nos Estados Unidos são uma questão bastante específica. Muitas vezes, são apenas números escritos na placa da mesa.

Às vezes, você se senta em um $1/$3 e todos estão no prejuízo desde a noite anterior. Os open raises não são de dois ou três blinds, como no online, mas de 20 ou 30 bb. Os americanos também adoram straddles. Algumas vezes, colocam straddles até quase o botão. Você pensa que se sentou em um $2/$5, mas, na prática, o jogo vira $10/$20/$40/$80.

Tento encontrar esse tipo de ação e gravo vídeos curtos para o meu canal mostrando as loucuras do poker ao vivo americano. No fim das contas, o conceito de limite aqui é bastante relativo. Tudo depende da composição da mesa.

— Há quanto tempo você está em Las Vegas?

— Cheguei em 22 de maio e vou embora em breve. Poderia ficar mais tempo, mas temos uma sequência de comemorações familiares no começo de julho: os aniversários da minha esposa e da minha filha. Isso é muito mais importante para mim do que jogar cartas.

Nas últimas viagens, aluguei apartamentos pelo Airbnb. No ano passado, conheci uma mulher que aluga quartos por aqui e agora negocio diretamente com ela. A melhor parte é que o quarto fica a dez minutos a pé da Strip, então não preciso alugar carro nem gastar com Uber.

Tive muita sorte, porque as despesas e o transporte por aqui podem custar uma fortuna. Quando você percebe, já gastou todo o lucro.

— Como está sendo esta viagem para você?

— Neste momento, estou com cerca de $7.000 de lucro. De maneira geral, isso é suficiente para cobrir as despesas, me divertir e comprar presentes para as pessoas próximas.

Os gastos aqui são absurdos. No começo do ano, pensei em viajar para jogar em Los Angeles, mas fiz as contas e cheguei a uma conclusão desanimadora: jogando $2/$5, não é possível cobrir os custos. No $5/$10, já seria possível, mas seria necessário jogar sem parar.

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Vamos fazer as contas. Uma passagem de Moscou para Los Angeles custa cerca de $2.000. Alugar um lugar para ficar durante um mês custa outros $2.000. Em Los Angeles, é impossível ficar sem carro, porque os cassinos estão em diferentes regiões da cidade. O aluguel de um veículo custaria aproximadamente mais $1.300. Já chegamos a $5.300. Além disso, é necessário comer, passear e comprar algumas coisas. Isso representaria pelo menos mais $1.200. No total, seriam $7.300 por mês apenas em despesas.

Para superar esse rake adicional jogando $2/$5, seria necessário apresentar um win rate absurdo. Até mesmo no $5/$10 seria difícil. Para quem realmente deseja experimentar o cash game americano, eu recomendaria ficar por três ou quatro meses. Caso contrário, financeiramente não vale a pena. E, caso o objetivo seja ganhar uma boa quantia, será necessário grindar bastante.

— Apesar de todos esses pontos negativos e das despesas, você continua sendo um regular do poker live. Por que não migra para o online?

— Para os padrões do mundo do poker, eu já sou velho. Tenho 36 anos. Jogo desde os 18 e, no começo, era mais um jogador de online. Em algum momento, surgiu um bom jogo fechado em Yaroslavl e fui migrando gradualmente para o poker ao vivo. Gostei, comecei a viajar pelo mundo e joguei tanto torneios quanto cash games. Atualmente, combino o online com o poker ao vivo, mas tento viajar sempre que possível. Gosto de conhecer novos destinos. No ano passado, por exemplo, descobri as Filipinas.

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— Achei que você diria que é completamente apaixonado pelo poker live e, por isso, estaria disposto a fazer qualquer sacrifício...

— Na verdade, é exatamente isso. Vejo que os regulares mais jovens não gostam muito do poker ao vivo. Eles acham entediante, lento e reclamam que não é possível acumular volume suficiente. Eu sempre gostei. Adoro conversar com as pessoas, fazer novos contatos e viajar. Para mim, se você não é apaixonado pelo poker ao vivo, dificilmente conseguirá jogar bem ao vivo. Realmente é bastante entediante, além de ter muita variância e ser caro, especialmente para quem joga torneios.

— Quantas vezes você já viajou para os Estados Unidos?

— Nem sei, mas lembro que vim pela primeira vez em 2012. Com certeza, já foram mais de dez viagens. Além de Las Vegas, joguei em Los Angeles, Washington, Miami e Filadélfia.

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— Depois de tantas viagens, você certamente acumulou várias histórias engraçadas. Pode contar algumas situações curiosas que aconteceram nas mesas?

— Sim, tenho muitas histórias. É difícil lembrar de todas ao mesmo tempo. Há cerca de sete anos, estávamos jogando em Miami, acho que em um $10/$25. Um rapaz se sentou na mesa. Ele era bastante acima do peso para os padrões europeus, mas totalmente normal para os padrões americanos. Era muito divertido e agradável. Ele convenceu todos a jogar com straddles. Quando chegou a vez dele, decidiu que, em vez de fazer o straddle, jogaria all-ins no escuro. Um verdadeiro gambler.

Quando descobriu que eu era russo, sugeriu que todos na mesa tentassem adivinhar o que ele havia feito profissionalmente na Rússia. Prometeu entregar todo o stack para quem acertasse. Cada jogador teve várias tentativas, mas ninguém conseguiu. No fim, descobrimos que ele havia trabalhado durante vários anos como bailarino. Eu jamais imaginaria!

Outra vez, joguei com um médico proctologista. Ele passou a noite inteira contando histórias sobre os diferentes objetos que precisou retirar de pacientes: bolas de bilhar, canetas, apontadores e até chaves. A mesa inteira não conseguia parar de rir.

Também havia um homem que tinha bebido um pouco além da conta. Sempre que recebia cartas como AK ou AJ, combinações que somam 21 no blackjack, ele se levantava, virava as cartas e gritava: “Blackjack!”

Como é possível não amar o poker ao vivo depois de situações como essas?

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Mas nem tudo é perfeito. Nas Filipinas, por exemplo, o custo de aluguel e de vida é muito baixo. Por isso, uma quantidade inacreditável de regulares foi para lá. Como resultado, os jogos ficaram extremamente entediantes. Você chega de ótimo humor, senta-se à mesa e tenta conversar com os jogadores, mas todos ficam de fone de ouvido e mexendo no celular. É impossível jogar em um ambiente assim!

Recentemente, também venho encontrando mesas em que a maioria dos jogadores, ou até todos eles, são mais velhos do que eu. Não estou nem um pouco acostumado com isso!

Mas nem tudo é tão ruim. No Venetian, por exemplo, acontecem conferências constantemente. Depois dos eventos, as pessoas vão jogar cash para se divertir e relaxar. Elas conversam, contam histórias do trabalho e simplesmente passam um bom tempo.

Nos Estados Unidos, o poker não é visto apenas como gambling. Muitos o tratam mais como um jogo de tabuleiro. Gosto demais dessa abordagem.

Já no $2/$5, muitas vezes encontramos rapazes extremamente sérios, preocupados com cada decisão +EV e tentando jogar todas as mãos como se estivessem seguindo um solver. Eles passam até 20 horas assim: de fone de ouvido e com um iPad ao lado, assistindo a alguma série. Às vezes, acho que começo a ficar constrangido por eles, porque, visto de fora, é algo horrível.

Resumindo: os jogadores do online acabaram com o poker ao vivo. Eles próprios destruíram o jogo e depois reclamam nos fóruns que os recreativos desapareceram. Isso não é interessante para os recreativos. Eles vão ao cassino para se divertir e passar um bom tempo.

Recentemente, um amigo fez uma ótima analogia. Os recreativos enxergam as fichas como ingressos para as atrações de um parque de diversões. Muitos nem pensam que podem trocar as fichas novamente por dinheiro. Eles compraram as fichas e estão procurando diversão. O que encontram? Uma mesa de poker onde ninguém conversa. Ao lado, existe uma mesa de blackjack ou craps onde todos estão se divertindo, recebendo coquetéis e conversando com um dealer simpático. A escolha é óbvia.

Em setembro, joguei nas Filipinas. Um grupo de empresários de Singapura, apaixonados por gambling, apareceu por lá. Eles andavam acompanhados por assistentes, que levavam as fichas em bandejas, como em um programa de televisão. O jogo era insano, divertido e muito caro.

Voltei às Filipinas em fevereiro, justamente durante uma série de torneios. Vi novamente aquele grupo. Durante dez dias, eles não se sentaram uma única vez em uma mesa de cash! Os regulares perderam excelentes whales, ou “unicórnios”, como são chamados nos Estados Unidos.

— Você não escuta ou assiste a nada enquanto joga?

— Não, absolutamente nada. Tento até deixar o celular de lado para não me distrair. Há muito tempo, li uma declaração de Mikita Bodyakovsky dizendo que o nosso cérebro não consegue alternar rapidamente entre o celular e o poker. O cérebro é como um computador. Quando existem muitas tarefas abertas, ele começa a travar e ficar mais lento. Mesmo quando você está apenas ouvindo música, o cérebro continua alternando entre duas tarefas.

Quando joguei ao vivo pela primeira vez, em 2012, eu me comportava exatamente como esses jovens jogadores do online. Era muito confiante e talvez tivesse uma autoestima um pouco exagerada. Também jogava de fone de ouvido e, durante a sessão, às vezes pegava o iPad para assistir a uma série durante uma ou duas horas. Normalmente, terminava mal: perdendo um stack.

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— Como os jovens jogadores do online podem se adaptar ao poker live? Parte desse comportamento também pode acontecer por nervosismo.

— Basta ir ao cassino, sentar-se nos jogos mais baratos e tentar socializar. Caso você não consiga, talvez o poker ao vivo simplesmente não seja para você. Seria como se eu dissesse que quero ser cozinheiro, mas tenho medo de cortar carne. O que fazer? Aprender. O poker ao vivo também é uma profissão.

Há alguns dias, conheci um rapaz da Alemanha. Ele é jovem, tem 23 ou 24 anos, mas é extremamente comunicativo e falante. Começamos a conversar e perguntei onde ele havia desenvolvido tanto essa habilidade. Ele respondeu que, há dois anos, joga em partidas fechadas na Alemanha, frequentadas por grandes recreativos, e que precisa conversar com eles.

Aconteceu algo parecido comigo. Cresci nos jogos fechados de Yaroslavl, onde era impossível sobreviver sem socialização e comunicação.

— Qual é a diferença entre jogar em Las Vegas e jogar nos clubes fechados de Yaroslavl?

— Esses clubes já não existem mais em Yaroslavl. De maneira geral, segundo os dealers e jogadores que vivem permanentemente aqui, praticamente todos os jogos caros de Las Vegas já migraram para um formato de clube privado. Todos os jogos acima de $5/$10 se tornaram privados.

No Bellagio, por exemplo, existe a famosa Bobby’s Room. No começo, você consegue entrar sem problemas e jogar algumas sessões. Quando percebem que você é profissional, educadamente mostram a porta. O mesmo acontece no Wynn. Neste ano, um conhecido YouTuber alugou uma mesa por lá, o @bostonjimmyy. Eles organizam um $25/$50 por convite praticamente todos os dias.

Em resumo, em cada grande cassino existe uma espécie de Boston Jimmy que organiza os jogos caros. A decisão dele determina se você poderá ou não participar. Talvez ele também exija que você venda uma porcentagem da sua ação para ele ou faça algo parecido. Não conheço todos os detalhes.

Uma coisa está clara: sem contatos, você não vai muito longe no poker ao vivo atual. Hoje em dia, é praticamente impossível entrar livremente nos jogos caros. Até dá para jogar uma ou duas sessões, mas profissionais não são bem-vindos. Blogueiros famosos e personalidades conhecidas, como Nik Airball ou Rampage, não enfrentam esse problema.

Também me disseram que metade desses jogos acontece a crédito. Dá para dizer que todo o high stakes migrou para uma espécie de versão semiprivada dos antigos clubes fechados. Ainda é possível jogar $10/$20 ou $20/$40, mas provavelmente você terá de se sentar com seis ou sete regulares e apenas um recreativo que ainda não foi convidado para um jogo privado — mas certamente será.

Um regular conhecido disse que, para os demais jogadores, resta apenas roer os ossos.

— Você não poderia fingir que é recreativo e, ao mesmo tempo, continuar jogando com lucro? Por exemplo, jogar algumas mãos ruins de vez em quando ou fazer algo parecido.

— Outro grande problema dos jogos privados é que sempre existem side games que você não entende. Durante um período, o Squid era popular, e estão sempre inventando algo novo. Por causa dessas novidades, é provável que você já não consiga jogar com muito lucro. Talvez até fique negativo. Além disso, jogam constantemente com straddles. Na prática, um jogo inicialmente menor pode virar algo próximo de $100/$200. É muito caro.

— Você já conseguiu participar desses jogos?

— Não, embora tudo dependa dos seus contatos. Há alguns dias, o gerente do Venetian me ofereceu uma partida. Ele é um bom amigo e conversamos praticamente todos os dias. O jogo alternava uma órbita de Omaha com uma de Hold’em. A cada troca de dealer, havia um bomb pot. Os blinds eram de $10/$25, mas entendo perfeitamente que, na prática, seria no mínimo um $25/$50. Ou seja, um jogo muito caro.

Depois de vários anos viajando para Las Vegas, foi a primeira vez que recebi um convite para uma partida semifechada.

— Você gostaria de jogar mais caro?

— Em 2012, vim para jogar $5/$10 e continuo jogando os mesmos limites. Depois de 18 anos de carreira no poker, não me tornei um regular de high stakes. É pouco provável que isso aconteça agora, aos 36 anos. Portanto, já não tenho esse tipo de ambição. Por outro lado, pretendo mergulhar no poker de torneios em breve. Será interessante descobrir o que pode acontecer.

Certamente, terei mais destinos disponíveis. Fizemos as contas e percebemos que viajar de Moscou para os Estados Unidos é muito caro e complicado. Viajar para a Ásia já é mais viável, mas os cash games de lá não são tão interessantes. Em compensação, existem torneios tanto na Europa quanto na Ásia.

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— Você contou algumas situações engraçadas nos cassinos. Também já passou por experiências desagradáveis?

— Nos Estados Unidos, tudo é totalmente seguro nesse aspecto. A qualquer momento, você pode chamar o floor. A pessoa receberá uma advertência e, caso o comportamento se repita, será retirada do cassino.

— E quando essa pessoa é o principal recreativo da mesa?

— Essa é uma visão típica dos antigos jogos fechados russos, onde se acreditava que, se você fosse o grande recreativo, poderia fazer qualquer coisa. Nos Estados Unidos, todos são iguais. Mesmo que esteja perdendo dezenas de milhares — embora nas minhas mesas ninguém perca dezenas de milhares, apenas alguns milhares —, caso se comporte mal e incomode os outros, o floor vai se aproximar e mandá-lo descansar.

O mesmo vale para o álcool. O floor pode se aproximar e dizer: “Você não vai beber mais.”

Contei a história do homem que ficava gritando “blackjack”. Nós nos dávamos bem, mas, em determinado momento, ele começou a incomodar todo mundo. Depois, pediu $1.000 emprestados. Disse que iria até o quarto e devolveria $1.200. Recusei educadamente. Mais tarde, o floor veio até mim e perguntou se estava tudo bem e se eu tinha alguma reclamação contra ele.

Não existe essa situação em que alguém se comporta de maneira horrível e todos fingem que não aconteceu nada apenas porque essa pessoa está perdendo muito dinheiro na mesa.

— Qual é a sua expectativa anual de ganhos?

— Registro minhas estatísticas em um aplicativo. Nos últimos dois anos, minha média no $2/$5 foi de $50 por hora. Quanto mais horas você jogar, mais vai ganhar.

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— Quais são os seus países favoritos para jogar?

— Antigamente, gostava muito de viajar para o Chipre com a minha família. O Merit é um lugar perfeito para combinar férias e poker. Íamos todos juntos: minha esposa e minha filha aproveitavam o ótimo hotel enquanto eu jogava. Todos ficavam felizes. Além disso, é o destino mais próximo onde é possível jogar com grandes estrelas.

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Gosto muito dos torneios na França. Joguei em Paris, Deauville, Cannes e Nice. Viajei bastante pelo país e tudo sempre foi organizado em um excelente nível. O cronograma é sempre muito claro: os torneios começam às 12h, existe uma pausa para o jantar às 18h e, às 23h, o dia de jogo já terminou.

O mais importante é que só é permitido fazer um reentry. Não existe uma multidão de regulares entrando com 15 bb nos últimos minutos do registro. Uma reentrada e acabou. Além disso, os jogadores costumam ser muito agradáveis, especialmente os mais velhos. São verdadeiros aristocratas.

— Você gostaria que todos os torneios permitissem apenas uma reentrada?

— Com certeza! Ainda vivi a época em que não existiam reentries na WSOP. Todos os torneios eram freezeouts: você era eliminado e ia descansar. Pelo que entendo, a comunidade do poker não possui uma opinião unânime sobre o assunto. Algumas pessoas consideram as reentradas positivas. É claro que elas aumentam a premiação, o que deixa os torneios mais atraentes para os recreativos. Mesmo assim, eu transformaria todos os torneios em freezeouts, especialmente os eventos de bracelete. Ganhar um bracelete é um momento único e uma lembrança para toda a vida. Gostaria que todos tivessem as mesmas chances. Hoje, em muitas mesas finais, a maioria dos regulares fez cinco entradas no torneio.

Deveria funcionar como no Main Event. Os recreativos economizam durante seis meses para pagar o buy-in e todos possuem as mesmas chances, com apenas uma bala.

Isso é justo.

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— Como é a sua rotina de trabalho em Las Vegas?

— Tenho um cronograma bastante específico. Acordo às quatro ou cinco da manhã. Abro os aplicativos e verifico em quais lugares ainda existem jogos acontecendo desde a noite anterior. Quando encontro algum, vou para lá. Às cinco ou seis da manhã, já estou no cassino. Jogo até aproximadamente 11h ou 12h, faço uma pausa para o almoço e depois começo o segundo turno, que vai até as 17h. Vou dormir entre 19h e 20h. Faço isso praticamente todos os dias. É como viver o mesmo dia repetidamente.

À noite, existem dois grandes problemas. Há uma quantidade enorme de pessoas barulhentas e é muito difícil conseguir um lugar na mesa. Nem você nem o recreativo conseguem se sentar. As listas de espera chegam a ter 20 ou 30 pessoas.

Pela manhã, o cassino é tranquilo e confortável. Sempre existe algum lugar disponível. Além disso, encontramos jogadores que passaram a noite jogando, já cansados e depois de algumas bebidas. Isso também é uma grande vantagem.

De maneira geral, os adversários mais lucrativos de Las Vegas pertencem a dois grupos: o primeiro é formado por pessoas muito bem-sucedidas que foram ao cassino para se divertir e relaxar. Normalmente, elas até se vestem para ir ao cassino como se fossem ao teatro. O segundo grupo é composto por jogadores que estão no prejuízo desde a noite anterior e geralmente já beberam um pouco. É claro que as pessoas que beberam nem sempre se comportam bem. Elas falam alto e demoram para agir. É muito mais agradável e interessante jogar com aqueles que simplesmente foram ao cassino para se divertir.

O problema é que eles passam algum tempo em uma mesa entediante cheia de regulares e depois vão embora para jogar baccarat ou blackjack, onde um dealer simpático pergunta sobre a família deles e mantém uma conversa agradável.

— Você disse que tem muitos conhecidos em Las Vegas. Com quem costuma conversar e como vocês passam o tempo?

— Um grande amigo meu, que é regular de torneios, mora aqui há cerca de quatro anos. Ele prepara steaks incrivelmente saborosos. Nunca comi nada melhor, nem em restaurantes e muito menos quando tentei cozinhar por conta própria. Há alguns dias, finalmente encontrei Gia Skhulukhiya. Nós nos conhecemos há cerca de dez anos. Nos encontramos pela primeira vez perto de Rostov, quando existia a zona de jogos de Azov City. Recentemente, torci por ele em uma mesa final no Wynn.

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É difícil acreditar. Antigamente, jogávamos torneios de 20.000 rublos. Agora, ele estava disputando um heads-up valendo quase $2 milhões. Conheci muitos jogadores excelentes em Azov City. Ainda tento manter contato com alguns deles.

De maneira geral, é difícil encontrar os meus amigos por aqui porque temos horários diferentes. Às 20h, eu já estou indo dormir. Mas, caso meu entusiasmo pelos torneios continue, no próximo ano estarei competindo com eles.

— Atualmente, você mora em Yaroslavl, certo? Quais são os planos para as próximas viagens de poker live?

— Passo a maior parte do tempo lá, mas viajo bastante. A partir de setembro, pretendo começar uma nova vida nos torneios ao vivo. Antes disso, quero treinar bastante no online e acumular volume. No fim das contas, os torneios são muito mais interessantes de jogar. Além disso, os troféus são lembranças para a vida inteira.

Todas as noites, antes de dormir, assisto durante uma ou duas horas às transmissões comentadas por Dima Shakhov. Em uma delas, havia uma equipe de comentaristas incrível: Semin e Gorodetsky. Parecia que eu havia voltado à infância. Assisto e vejo pessoas chegando às mesas finais jogando de uma maneira que dá vontade de chorar. Muitos conseguem alcançar uma decisão cometendo erros monstruosos.

Fica claro que ainda existe dinheiro no poker. Sim, a variância é enorme, mas, do outro lado, existem a emoção, a possibilidade de grandes resultados e um pouco de fama. Resumindo, quero me testar nos torneios. Vou dedicar um ou dois anos a isso e veremos o que acontece.

Depois de vários anos viajando para Las Vegas, ganhei uma segurança. Como diz Avr0ra, caso a situação fique difícil, sempre terei a possibilidade de voltar ao cash e ganhar meus $50 por hora.

— Espero que, daqui a um ano, possamos conversar novamente e você conte como ganhou o seu primeiro bracelete :)

— Seria maravilhoso. Apoio totalmente essa ideia!