O novo livro de Garrett Adelstein, Beneath the Cards, foi colocado à venda em 1º de setembro.
Para divulgar o lançamento, Garrett participou de vários podcasts conhecidos:
- Passou mais de três horas na companhia de Doug Polk. Eles lançaram um podcast e depois publicaram outro.
- Passou duas horas e meia respondendo às perguntas dos apresentadores do Mechanics of Poker.
- Participou por uma hora e meia do Table 1 Podcast.
- Conversou por uma hora e meia com o Poker.org.
Garrett também respondeu às perguntas do GipsyTeam e de usuários do Reddit. Decidimos deixar o conteúdo em vídeo para os fãs mais dedicados.

— Você compartilhou algumas histórias malucas nas redes sociais: a ocasião em que alguém tentou roubar $650.000 de você e a aposta com Alan Keating. Pode contar outra história parecida?
São tantas que é impossível contá-las. Mas a história dos flips contra Keating no Bellagio teve uma continuação...
Estávamos apostando $20.000 por flip. Perdi $300.000 e depois consegui ficar $320.000 no lucro. Então, Alan decidiu encerrar a noite. Eram três da manhã — hora de relaxar!
É claro que não fui dormir. Sentei para jogar heads-up contra o melhor regular e tirei três stacks dele. Depois de perder $60.000, meu adversário deixou a mesa. Era hora de entrar no ‘jogo principal’, com big blind de $2.000. Lá, ganhei mais $200.000: flopei uma trinca e meu adversário não largou seus ases.
Às 10h, eu estava com $500.000 de lucro. Em vez de dormir para me recuperar da ressaca, passei o dia inteiro na Strip e depois fui pela primeira vez ao EDC (Electric Daisy Carnival, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, realizado em Las Vegas) — e fiquei lá a noite toda.
Esse festival foi a experiência mais marcante da minha vida. Naquela época, eu não sabia nada sobre música eletrônica, mas desde então passei a frequentá-lo quase todos os anos. Sempre tive dificuldades com minha saúde mental e, até hoje, nada me coloca em um estado de espírito mais positivo do que esse gênero. Seja em shows, festivais ou nas músicas do Spotify, a música eletrônica continua sendo uma das minhas maiores paixões.

— Como é um dia típico na vida de um regular de cash live high stakes? Você estabelece um número mínimo de horas de jogo? Qual é a chance de vermos você novamente nas transmissões do Hustler em breve?
Escrever um livro é um processo que consome tudo. Nos últimos quatro anos, joguei apenas de cinco a dez sessões porque estava trabalhando em Beneath the Cards. Portanto, sobrou pouco da minha antiga vida, quando eu participava de duas ou três transmissões por semana e passava o restante do tempo analisando mãos ou trabalhando com solvers GTO.
A prática regular sempre foi um componente fundamental. Era assim que eu me sentia confiante no jogo e combatia a ansiedade. Ainda participarei de transmissões de vez em quando, mas definitivamente não no Hustler Casino Live.
— Você já tomou uma decisão definitiva?
Sim. É uma decisão final e uma posição baseada em princípios.
— Qual software de poker você utilizava para evoluir?
Sou um cara à moda antiga. Sempre usei o PioSolver. Fiz milhares de análises; foi nele que realizei todo o meu treinamento teórico.
— O jogo ajudava você a lidar com a ansiedade?
Pelo contrário (risos). O poker trouxe uma quantidade absurda de estresse.
— Como você combate esse estresse?
Correr maratonas é o que me salva. Poucas coisas acalmam tanto a mente quanto uma corrida de três horas.
— Quando surgiu a ideia de escrever um livro? O que o inspirou?
Uma parte de mim busca há muito tempo uma forma de sair do poker. Sempre sonhei em escrever! Depois do J4, a ideia de produzir um livro de memórias passou a fazer muito mais sentido comercialmente. Mas foi a coisa mais difícil que já fiz na vida; nada sequer chega perto. Falta pouco para eu compartilhar meu trabalho com o mundo, e isso é incrivelmente empolgante.
Nós abordamos detalhadamente em nosso site a lendária mão do J4 e tudo o que aconteceu depois:
Leia Leia— Como funciona o processo de escrever um livro? Você contou as histórias e deixou que o editor montasse a versão final? Ou sentou e escreveu tudo sozinho?
Reescrevi o rascunho diversas vezes antes de mostrá-lo a alguém. Foram dias incrivelmente assustadores, porque eu não fazia ideia se havia produzido algo que valesse a pena. No fim, contratei um excelente editor...
Escrever um livro razoável já é difícil. Mas levar o manuscrito ao nível que eu exigia de mim mesmo é algo completamente diferente. Um trabalho assim exige uma quantidade absurda de tempo.

— Você disse que o livro teria um capítulo exclusivo sobre o J4. Trata-se apenas de suas memórias ou encontraremos novas reflexões sobre o escândalo?
Conto quase tudo pela primeira vez no livro. Por exemplo, analiso os erros que eu mesmo cometi ao longo dessa história.
Também haverá um apêndice separado no qual são analisadas todas as evidências, a maioria delas nunca publicada. Suspeito que as pessoas ficarão chocadas quando lerem!
— Você vai enviar um exemplar autografado para Robbi?
Por falar nisso, ela publicou no Twitter que já encomendou um exemplar. Ficarei feliz em autografá-lo na próxima vez que nos encontrarmos! 😉
Garrett nos forneceu um trecho do livro, que publicamos abaixo. É possível comprar o e-book ou a edição impressa no site de Garrett.
Leia LeiaVoltar ao trabalho depois do casamento foi difícil. Havia um contraste marcante entre a semana maravilhosa que acabara de viver e o mundo do poker, onde cada um lutava por si. Nos meses seguintes, enfrentei uma downswing de $500.000. Quando você leva um chute no saco toda vez que entra em cena, jogar poker deixa de ser muito divertido. A frustração começou a crescer...
Em dezembro de 2021, prometi participar de três dias de gravações do High Stakes Poker, um dos principais programas de poker do mundo. Eu não queria ir — o burnout estava intenso demais. Mas o contrato era mais importante do que o dinheiro: tive que entrar em um avião e voar para a Cidade do Pecado.
Tentei esvaziar a mente. E o que poderia ser melhor do que um ritual antes do jogo? Tomei um café da manhã saudável, fiz um ótimo treino e depois meditei no quarto do hotel. Eu teria a oportunidade de enfrentar os caras que cresci assistindo: Phil Ivey, Daniel Negreanu, Doyle Brunson, Tom Dwan e Patrik Antonius. E fiquei feliz por ter ido.
Logo no começo do primeiro dia do jogo de $500/$1.000, fiz um enorme blefe contra Negreanu.
A mão começou comigo aumentando do lowjack para $3.000. Negreanu respondeu com uma 3-bet para $10.000. Uma aposta alta, aparentemente representando um range forte! Fora de posição, fiz uma 4-bet para $40.000. Um blefe imprudente, considerando o quanto eu acreditava que o range dele era forte. Negreanu pagou.
No flop e no turn, ambos deram check. Naquele board, essa linha não era exatamente a ideal, principalmente se eu quisesse representar algo como AA, apostando flop e turn por valor. Em vez disso, decidi minimizar minhas perdas, dar check com a mão ruim até ser tarde demais e não piorar a situação.
Quando o river apareceu, eu ainda estava convencido de que Negreanu tinha uma mão forte e não desistiria. O plano continuava o mesmo: jogar a toalha. No instante seguinte, porém, fui all-in em um blefe, colocando $179.000 em um pote de $82.000. Foi uma espécie de confusão que até hoje não consigo explicar. Meu adversário pagou rapidamente com um par de dez.
Fui destruído. O pote de $440.000 foi um desastre, possivelmente a pior mão da minha vida. Não consegui esquecê-la nos dois dias seguintes, então meu nível de jogo não melhorou muito, para dizer o mínimo.
Quando as gravações terminaram, percebi que até tivera bastante sorte: havia perdido “apenas” $400.000 em um jogo com stakes tão altos. Mas o que mais me incomodava não era o dinheiro perdido, e sim minha incapacidade de me destacar no cenário do poker. Parecia uma repetição do meu desastre no Survivor.
“O público pensava que eu era o melhor”, passou pela minha cabeça. “E aqui estou eu, sob os holofotes, distribuindo fichas. Não passo de uma fraude...”
Ao longo da minha carreira em jogos transmitidos, construí a imagem de um grande jogador de No-Limit Hold’em. Se eu não sou tão bom naquilo que passei metade da vida praticando, então quem sou eu? E o que acrescento às pessoas e ao mundo?
Passei a vida inteira fugindo da síndrome do impostor e usando pura força de vontade para superar as dúvidas constantes que tinha sobre mim mesmo. Mas o poker funciona de maneira diferente. Não importa quanto você se esforce, nem sempre conseguirá apresentar seu melhor jogo. Às vezes, terá que se contentar com um jogo de nível C. E, em outras ocasiões, perderá mesmo apresentando um jogo de nível A.
Surgiu uma vaga e o apresentador Brent Hanks me convidou para participar do último dia de gravações. Calculei que o jogo teria um EV de +$50.000, desde que eu estivesse no estado mental adequado. Mas, com meu jogo mental destruído e meu cérebro derretendo, precisei recusar.
Em vez disso, fiquei bêbado durante um jantar com Tom Dwan e outro amigo. Na manhã seguinte, voltei para casa de ressaca e mergulhei em uma depressão profunda. Ganhei rapidamente cerca de sete quilos. Durante algumas semanas, apenas fiquei deitado na cama e comi tudo o que aparecia pela frente. Basicamente, voltei a fazer as mesmas merdas destrutivas que pensava ter deixado para trás.
Depois de cinco anos administrando bem minhas emoções dentro e fora das mesas, aquela foi uma recaída devastadora. Por fim, consegui me recuperar fazendo exercícios, passando tempo com amigos e trabalhando meus pensamentos irracionais com minha esposa. Ainda assim, evitei as transmissões por dois meses: não queria aparecer diante das câmeras antes de perder o peso que havia ganhado.
Eu ainda tentava interpretar o papel do cara perfeito, mesmo que apenas de forma subconsciente. Não tinha problemas em falar sobre minhas oscilações de peso anteriores — afinal, agora estava em excelente forma. Falava tranquilamente sobre a máquina de tilt que costumava ser, pois naquele momento eu era emocionalmente estável. Admitia facilmente os problemas de saúde mental que tivera, porque supostamente tudo aquilo estava no passado.
Mas a realidade era diferente: depois do fracasso no HSP, meu estado mental desmoronou em um instante.
Era um teatro do absurdo. Assim como certa vez criei um personagem na mesa para receber calls quando tinha o nuts, agora eu mentia para o mundo e para mim mesmo, fingindo que meus problemas haviam ficado para trás. Mas a depressão não estava no retrovisor. Infelizmente, eu ainda não havia compreendido tudo.
Naturalmente, os usuários do Reddit também demonstraram grande interesse pelas provas relacionadas ao J4 mencionadas por Garrett.
Garrett realizou um AMA e respondeu detalhadamente a várias perguntas.
— A pergunta mais importante: com J4o, devemos dar fold pré-flop ou ir all-in para evitar entregar qualquer coisa mais tarde? (Nota do editor: por algum motivo, a pergunta foi apagada por um moderador, mas a resposta de Garrett permanece disponível.)
Boa, a pergunta com mais votos é uma provocação — bastante inteligente, por sinal. Sua popularidade merece uma resposta 😉:
O livro possui dez partes, além de um apêndice. A décima parte reúne tudo o que está relacionado ao J4. Ela aborda tudo o que aconteceu nos bastidores, meus processos de raciocínio — muitas vezes equivocados —, os vários erros que cometi e o que finalmente aprendi com tudo isso. O restante do livro não tem relação com a polêmica.
Minha esperança é que os críticos consigam enxergar o lado humano de tudo isso, principalmente depois de conhecerem minhas outras vulnerabilidades e fraquezas. Mesmo que você esteja convencido de que teria lidado muito melhor com a situação, espero que ao menos compreenda por que fiz o que fiz nos dias e semanas seguintes ao J4. E por que frequentemente gostaria de ter agido melhor sob tamanha pressão.
Cada pessoa buscará algo diferente em Beneath the Cards. Muitos querem histórias malucas de apostas. Alguns querem entender o que me permitiu chegar ao topo da minha área. Outros buscam dicas de estratégia de poker. Há quem queira conhecer todos os detalhes íntimos da polêmica do J4. Outros já estão cansados de ouvir falar nisso e têm mais interesse pelo restante de minha carreira de quase 25 anos. Tento oferecer tudo a todos, mantendo o texto principal com cerca de 300 páginas. Não foi fácil.
A maior parte das evidências está distribuída por vários apêndices. Essa foi uma das muitas decisões realmente difíceis que precisei tomar durante a produção do livro. Mas, para aqueles interessados na pergunta de um milhão de dólares — “Robbi e seus parceiros trapacearam?” —, fiquem tranquilos: os apêndices apresentam muitos detalhes e evidências, além de informações que, em sua esmagadora maioria, nunca foram divulgadas. Suspeito que isso será bastante chocante para quem acompanhou a polêmica.
Algumas dessas informações também são explicadas melhor em vídeo. Essa foi a motivação para criar um documentário analisando todas as evidências do J4. A grande maioria dos detalhes da história do J4 está somente no livro, junto com o restante da minha trajetória, é claro. Mas o vídeo funciona como um ótimo complemento para quem estiver interessado nas provas. Ele será publicado no fim de 2026 em meu canal no YouTube.
Algumas pessoas me acusaram de escrever um livro apenas para ganhar dinheiro. Quem me dera. Nunca trabalhei tão duro em algo quanto trabalhei nos últimos quatro anos. Precisarei vender muitos livros apenas para recuperar o investimento feito nisso. Chamar o livro de projeto pessoal seria até pouco. Mas, depois de passar a vida ganhando muito dinheiro em um mundo de soma zero, chegou a hora de mudar completamente de direção.
Sei que muito mais ódio será direcionado a mim nas próximas semanas. Acho — ou espero — estar mais preparado para lidar com tudo desta vez. Este AMA é um bom treinamento 😁.
— Garrett, você tem 21 anos e precisa recomeçar sua carreira no poker em 2026. Como estudaria e quão agressivamente subiria de limites?
Para deixar claro: sem a base de conhecimento que tenho atualmente, eu nem sequer consideraria essa possibilidade. O poker em 2026 está extremamente difícil. Hoje, ele se assemelha a muitas outras áreas brutalmente competitivas, nas quais você precisa investir anos e anos sem qualquer garantia de obter lucro — muito menos de ganhar muito dinheiro. Uma carreira no poker apresenta inúmeros problemas.
Mas, na hipótese de eu ter 21 anos, estar sem dinheiro e, milagrosamente, possuir todo o conhecimento técnico sobre poker, as habilidades interpessoais, a experiência e tudo mais que o Garrett de 40 anos possui, imagino que essa seria uma das raras situações em que “continuar” minha carreira faria sentido.
Eu encontraria uma maneira de juntar 50 buy-ins para o limite que pretendesse jogar. Com sorte, conseguiria economizar ou pegar emprestado o equivalente a $5 (big blind) × 100 big blinds (buy-in) × 50 buy-ins = $25.000. Ou juntaria $10.000 e jogaria $1/$2, se fosse necessário. Se trabalhar em outro emprego para economizar antes não fosse uma opção, provavelmente buscaria um investidor e forneceria tudo de que ele precisasse para compreender que eu realmente era muito bom naquele jogo.
A partir daí, começaria a grindar os melhores jogos públicos e privados nos quais conseguisse entrar, provavelmente em Los Angeles ou Las Vegas. Usaria tudo o que aprendi ao longo dos anos para encontrar os melhores jogos — mesas shorthanded e partidas durante a madrugada —, trabalharia 80 horas por semana e usaria minha experiência para evitar diferentes armadilhas, como tilt, jogos privados manipulados e gastos excessivos. No $2/$5, existem muitas oportunidades de encontrar jogos insanos.
Eu não gostaria nem um pouco desse trabalho. Mas estaria desesperado para me reerguer. Curiosamente, essa situação hipotética tem muito em comum com o que fiz depois de quebrar aos 22 anos, com exceção do conhecimento que tenho hoje. Você aprende muito sobre si mesmo quando está com as costas contra a parede.
— Qual é a principal mudança de mentalidade que jogadores de cash games low stakes, com buy-ins entre $500 e $1.000, deveriam fazer? Qual é o maior equívoco deles?
Acreditar que o poker se resume a uma única coisa. Ganhar muito dinheiro — principalmente no poker live — não depende apenas de conhecer a solução GTO. Nem de aplicar o exploit perfeito contra cada adversário. Tampouco se resume à seleção de mesas, networking e política do poker, resistência para jogar por mais de 24 horas nas melhores partidas ou capacidade de identificar tells físicos e padrões de tamanho de apostas. Depende de tudo isso — e de muito mais.
Para se tornar excelente, você precisa identificar quais habilidades oferecem o maior retorno no ambiente em que joga. Depois, deve realizar o trabalho — muitas vezes monótono — necessário para se tornar elite em cada uma delas. Para a maioria de vocês em 2026, provavelmente não é uma boa maneira de investir o próprio tempo.
— Quão frustrante é ter toda a sua carreira definida atualmente por uma manchete sensacionalista?
Há alguns anos, isso teria me incomodado demais. Tenho certeza de que nem sequer teria respondido a essa pergunta. Hoje, porém, tenho sentimentos contraditórios.
Falo sobre tudo isso no livro, mas existem algumas coisas às quais sempre serei muito sensível. Diga que sou péssimo no poker e não haverá problema algum. Isso não me afeta. Mas, apesar de todos os anos que passei aprendendo a gostar de mim mesmo, ainda dói quando alguém diz que não sou uma boa pessoa.
Acho que essa é a parte mais difícil das perguntas sobre o J4. Muitas pessoas possuem entre 1% e 5% das informações, mas julgam como se tivessem 100%. É a internet; elas têm esse direito 😄.
Por outro lado, na minha opinião, foi o J4 que deu vida a Beneath the Cards. Se o incidente não tivesse ganhado repercussão mundial, acho que jamais teria acreditado que um número suficiente de pessoas se interessaria por um livro de memórias sobre poker a ponto de justificar o investimento de vários anos no projeto. Talvez eu esteja errado.
Amo o poker. Sempre amei e sempre amarei. Mas chegou a hora de me concentrar em outra coisa. E essa nova atividade acabou proporcionando os quatro anos mais gratificantes da minha vida profissional. Nesse sentido, sou grato a Robbi e aos demais envolvidos. Não sei se, de outra maneira, teria conseguido abandonar um trabalho confortável, de meio período, que me rendia sete dígitos por ano.
Algumas pessoas acham que sou um idiota por não ter mantido uma boa relação com o HCL e garantido meu lugar naqueles jogos. Eu entendo. Mas acho que esse julgamento ignora o quanto ganhar mais $1 milhão a $3 milhões por ano acrescentaria pouco ou nada à minha vida. Além disso, eu ainda precisaria continuar fazendo um trabalho do qual já estava bastante cansado. É fácil para mim dizer isso, considerando todas as oportunidades favoráveis que tive durante minha carreira no poker.
— Olá, Garrett! Se o J4 não tivesse acontecido, o que você acha que estaria fazendo hoje? Também pretende voltar em tempo integral aos jogos transmitidos?
Gostaria de pensar que teria migrado, de alguma maneira, para a área de desenvolvimento pessoal — ou para outra atividade que considerasse intrinsecamente gratificante. Mas provavelmente estou mentindo para mim mesmo. A competição, o dinheiro e o fluxo constante de elogios de desconhecidos na internet não seriam fáceis de abandonar, principalmente sem os aprendizados que adquiri depois do J4.
Provavelmente não voltarei ao poker em tempo integral. Mas acredito que continuarei disputando jogos high stakes transmitidos algumas vezes por ano no futuro próximo. Principalmente em pequenas doses, ainda não me canso dessa merda.
— O que você acha que teria acontecido se tivesse vencido a mão do J4?
Esta resposta vai receber muito ódio, mas tudo bem. Se estamos falando sobre minha reação ao J4, a resposta é: exatamente a mesma coisa. Ponto final.
Talvez o mundo não tivesse se importado, o que naturalmente teria provocado um enorme efeito borboleta: não haveria escândalo internacional, livro e tudo mais.