Sergey Nikiforov, o "Munez_StaRR", está dando action na NL40K, do ACR Poker, contra absolutamente qualquer adversário: Linus, Prodigy, Barak e SeaLlama. Ele joga sem medo e em um nível altíssimo. Veja por conta própria:

4.4
A ACR Poker, anteriormente conhecida como Americas Cardroom, é um site de poker online bem popular, com mais de vinte anos de história. Desde 2011, faz parte da WPN (Winning Poker Network), conhecida por seus fields mais fáceis, com americanos e canadenses.
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1. Uma armadilha para Linus

A primeira mão foi um pote com 4-bet contra Linus. Loeliger aplicou uma 3-bet com e recebeu uma 4-bet de Munez.

Linus pagou. O flop trouxe , uma textura bastante favorável para Munez, e os dois deram check.

O turn foi um .

Outra carta excelente para Munez. Ele possuía uma grande vantagem de equidade, então Linus não tinha muito a fazer além de dar check — inclusive com KQ.

Novamente, check-check. O river foi um . Linus precisava decidir se queria fazer uma "aposta fina" por valor. Em geral, havia mãos das quais extrair valor, já que QQ e JJ representavam uma parte considerável do range de Munez.

Linus apostou 25% do pote e recebeu um shove.

Que linha sofisticada de Munez! Ele poderia perfeitamente ter apostado 25% do pote no flop com todo o seu range.

Mas escolheu algo muito mais interessante: dois checks behind e um shove no river em resposta ao block bet.

Linus agora precisava tentar descobrir com que frequência Munez daria check duas vezes com AA e KK. O check no flop com reis seria mais lógico, mas Linus bloqueava essa mão. Munez provavelmente não mandaria QJ para uma 4-bet pré-flop com tanta frequência…

Restava supor que Munez estivesse transformando em blefe alguma mão como T9s. O solver não quer pagar com KQ.

Mas Linus quis… e recebeu uma notícia ruim.

A7o! O que acham disso? Munez preparou a armadilha durante toda a mão com essas cartas. Em vez da aposta padrão com todo o range, entrou imediatamente em uma linha polarizada. No fim, confundiu Linus e o levou a pagar com uma mão que o solver foldaria.

Não foi um call terrível. Na realidade, ficou próximo do breakeven. Ainda assim, foi uma mão excelente e uma boa lição sobre como pode ser valioso mudar de marcha no momento certo e escolher uma linha que o adversário não espera encontrar.

2. Linus pressiona com o bankroll

Linus abriu, Munez defendeu com e novamente acertou muito bem o flop, em uma profundidade bastante considerável.

Linus fez uma c-bet pequena, e Munez jogou de check-call. É uma linha clássica. É exatamente assim que o solver joga quando acerta o maior e o menor par da mesa.

Munez deu check no turn, e Linus se polarizou com o tamanho da aposta.

Era uma jogada esperada da parte dele: 150% do pote em um turn mais ou menos blank. Linus possuía vantagem de range e de nuts, com mãos como KQ, KK e QQ, portanto tinha todo o direito de adotar essa estratégia.

Munez pagou novamente. No river, Linus abandonou de vez qualquer timidez.

Uma aposta gigantesca de 2,5 vezes o pote. É importante observar que o nuts, , estava praticamente apenas no range de Linus. Por isso, fiquei até surpreso por ele não ter apostado ainda mais. Quando você possui todos os nuts em seu range, pode perfeitamente recorrer a tamanhos extremos:

É claro que seria difícil para Munez dar fold, embora, com seus dois pares, ele estivesse essencialmente fazendo bluff-catch. De qualquer forma, não dava para largar K6. Munez pensou durante bastante tempo, mas provavelmente não estava considerando seriamente o fold. Ele apenas gosta de avaliar tudo com cuidado em cada situação — e está certo em fazer isso.

Munez pagou, e Linus mostrou um blefe:

Linus escolheu uma mão interessante. Era praticamente um dos piores possíveis para continuar blefando no turn.

No river, o blefe fazia muito mais sentido, pois ele possuía um blocker para o nuts. Ter um oito na mão era positivo, já que Munez poderia querer fazer bluff-catch com K8.

Ainda assim, a linha de Linus ficou um pouco além do limite, especialmente no turn. Munez não é um jogador que se assusta facilmente com uma overbet. Ele encontrará todas as mãos necessárias para pagar.

3. Hora de enfrentar Barak

Stacks profundos e um pote com 4-bet. Barak Wisbrod tinha um par de noves.

Observe que a 4-bet foi grande, de três vezes o valor da 3-bet. Em grande profundidade, isso é natural. Caso contrário, o adversário conseguiria realizar sua equidade com frequência excessiva.

Em um flop baixo e conectado, Barak saiu apostando.

Sem dúvida, esse flop fornecia a ele mais sets e dois pares do que a Munez.

Munez não desistiu. O turn também favoreceu mais o range de Barak, que continuou apostando.

O principal alvo eram as overcards, como AK e AQ, mas não apenas elas. Munez deveria aplicar suas 4-bets de maneira extremamente polarizada, portanto também poderia ter mãos com no range.

Munez pagou novamente. No river, , Barak deu check. Uma aposta por valor já seria fina demais. Afinal, Munez poderia jogar dessa forma com todos os seus overpairs. Em uma mesa como essa e com tamanha profundidade, dificilmente ele teria pressa para colocar todo o dinheiro no pote com essas mãos.

Munez foi all-in.

Dificilmente Munez blefaria nessa situação com AK ou AQ. Portanto, seus blefes deveriam ser construídos ao redor de mãos com e .

Ou seja, seriam as mãos do fundo de seu range de 4-bet que haviam pagado duas apostas e agora não tinham alternativa além de blefar. Era difícil para Barak pagar, especialmente porque ele bloqueava algumas das mãos com 9x.

No fim, Barak pensou por algum tempo e foldou. Um fold correto e lógico, mas…

Munez estava blefando.

4. Agora Munez tem o bluff-catcher (Avr0ra chamou esta mão de "uma obra-prima")

Novamente, uma profundidade enorme e um pote 4-bet contra Barak. Munez tinha . Adiantando um pouco, preciso dizer que gosto demais desta mão.

Com 100 BB de profundidade, o solver dá shove com AQo. Com 250 BB, porém, a história é completamente diferente.

Munez pagou a 4-bet e também pagou uma aposta pequena no flop.

Novamente, caso os stacks fossem de 100 BB, seria possível jogar de check-raise. Em stacks profundos, porém, a linha mais passiva parece melhor.

No turn , ambos deram check. No river , Munez deu check. O solver também dá check com mais frequência do que aposta. Barak apostou dois terços do pote.

Munez aparentemente possuía um bluff-catcher bastante razoável. Ele bloqueava sequências e flushes, sem bloquear muito os blefes.

O range de 4-bet deveria ser polarizado, portanto Barak poderia perfeitamente ter mãos como Q6s ou K5s.

Em teoria, a mão de Munez deveria pagar sempre.

Um check-call padrão, sem precisar se preocupar com nada, correto?

Errado.

Munez pensou e foldou. Barak tinha a sequência nuts.

Foi uma espécie de, como diria Phil Hellmuth, white magic. Evidentemente, Munez sabia que, segundo o solver, aquele era um call obrigatório. Mesmo assim, de alguma forma, encontrou o fold.

Foi como se ele dissesse a Barak: "Amigo, não acredito que você vá me mostrar blefes suficientes com mãos ruins como K6s. Desculpe."

Munez simplesmente confiou em sua própria leitura e concluiu que Barak não teria blefes suficientes nessa linha.

Gênio!

5. Barak está sendo destruído

Sergey aumentou com e pagou a 3-bet de Barak. Desta vez, a profundidade era mais tradicional.

No flop, Barak fez uma aposta grande, e Munez pagou.

Uma aposta polarizada e um call obrigatório. Seguimos.

No turn, , Barak apostou novamente.

Munez possuía um par e um flush draw. Ele tinha apenas duas opções: pagar ou dar shove. Munez escolheu o shove.

Foi uma decisão interessante. O solver prefere dar shove com mãos ainda não formadas, como 65s. Com um par e um draw, tende a preferir o call.

Mesmo assim, também existem alguns shoves com uma mão desse tipo. Sem pensar muito, Barak foldou KQo.

Ele poderia perfeitamente ter considerado o call. Nesse ponto, a diferença entre as opções já era pequena.

Caso se considere que Munez dará shove com frequência com draws como 75, 65 ou QJ, o call será lucrativo.

Foram mãos muito legais! Diverti-me bastante assistindo e espero que vocês também tenham gostado.