Ganhar muito dinheiro no poker não foi suficiente para Yuri ‘theNERDguy’ Dzivielevski se sentir realizado, embaixador da CoinPoker. Na quinta edição da Live do Nerd, transmitida pelo canal da RegLife no YouTube, o brasileiro contou que continuava convivendo com uma sensação de vazio mesmo após o sucesso profissional. A mudança, segundo ele, veio com a conversão ao cristianismo, em um processo que começou pelo estudo durante a pandemia.

Eu tive muito sucesso, ganhei muito dinheiro, e mesmo assim, esse vazio e esse sentimento de culpa, esse sentimento de medo do futuro, ele continuava presente.

No relato, Yuri voltou à adolescência, quando começou a trabalhar como músico, falou sobre os problemas que teve com a bebida e explicou como a fé alterou suas prioridades. Depois, respondeu a perguntas dos espectadores sobre família, rotina e a relação com o poker.

4.8
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Da igreja aos palcos de Curitiba

Criado em uma família cristã, Yuri começou a tocar violão e guitarra ainda criança. Por volta dos 10 ou 11 anos, já tocava na igreja, mas explicou que aquela participação estava ligada principalmente à influência dos pais e à oportunidade de praticar música. Na avaliação que faz hoje, ainda não havia desenvolvido uma relação pessoal com a fé.

Perto dos 14 anos, recebeu um convite para tocar na banda de amigos mais velhos. O trabalho na noite o conquistou, e ele se afastou da igreja. Começou no pagode, ganhou experiência em Curitiba e depois participou de projetos com músicos profissionais, tocando em bares até aproximadamente os 18 ou 19 anos.

Foi nesse período que conheceu o poker. Ao recordar a rotina, também falou do consumo excessivo de álcool e da tentativa de preencher o que sentia com os prazeres disponíveis naquele ambiente.

Por fora, até parecia que eu era um cara feliz, mas eu não era.

O estudo da Bíblia durante a pandemia

Mesmo depois de deixar a rotina da igreja, Yuri continuou se apresentando como cristão durante parte da vida. Com o tempo, passou a questionar essa identificação: como poderia dizer que seguia uma fé cuja principal referência nunca havia lido por inteiro?

A reflexão ganhou força na pandemia. Com mais tempo em casa, decidiu iniciar um curso online de teologia bíblica da FHOP, de Florianópolis, com duração prevista de dois anos. Paralelamente, começou a ler a Bíblia com o objetivo de percorrê-la integralmente.

Uma edição de leitura diária, recebida de presente da sogra, ajudou nessa rotina. O formato alternava trechos do Antigo e do Novo Testamento, além de Salmos e Provérbios, tornando a leitura mais dinâmica.

A motivação inicial, explicou, era sobretudo intelectual. Yuri se descreveu como alguém analítico, racional e curioso, que gosta de estudar assuntos mesmo sem pretender se dedicar profissionalmente a eles. Naquele momento, via a teologia como mais um campo a explorar.

A experiência que marcou a conversão

O jogador situou o momento decisivo em um dia de estudo do livro de Apocalipse, em seu escritório, em Florianópolis. Segundo contou, foi ali que viveu uma experiência que interpreta como um encontro com o Espírito Santo.

Eu lembro exatamente do dia em que o meu coração foi completamente preenchido.

Yuri relatou que o peso da culpa e o medo do futuro deram lugar a uma sensação duradoura de paz. A expectativa de adquirir conhecimento acabou acompanhada de mudanças que, em sua avaliação, partiram de dentro para fora e alcançaram seu comportamento.

Ao falar dessa experiência, reconheceu seu caráter pessoal: disse que não consegue apresentá-la como uma demonstração lógica ou científica da existência de Deus para outras pessoas. O propósito da transmissão era compartilhar o que viveu e como isso repercutiu em sua vida.

A mudança na relação com a bebida

Um dos exemplos mais concretos apareceu no relato sobre o álcool. Yuri reconheceu que ficava agressivo quando bebia e que esse comportamento causava sofrimento às pessoas próximas. Ainda assim, durante muito tempo acreditou que nunca abriria mão da bebida.

Beber não é um problema, só que beber, pra mim, era um problema.

Ele contou que, após episódios de mal-estar associados ao consumo, passou a sentir aversão até ao cheiro de cerveja. Estimou ter ficado aproximadamente um ano sem beber e atribuiu essa mudança à transformação espiritual que estava vivendo.

Na live, explicou que voltou a apreciar vinho, mas que sua relação com o consumo mudou: disse que hoje percebe um limite a partir do qual deixa de sentir prazer e para de beber. Para ele, porém, o aspecto mais importante de todo o processo foi a mudança interna, descrita como uma ‘alegria estável’.

O lugar do poker depois da conversão

A dedicação ao poker também entrou nessa revisão de prioridades. Yuri afirmou que a obsessão pelo jogo e pela alta performance havia ocupado um espaço central em sua vida. Com a conversão, disse ter desenvolvido mais empatia e passado a enxergar a própria identidade para além dos resultados.

Eu vi que isso não era mais aquilo que me definia.

O trabalho continuou presente, mas ganhou outro significado. Yuri contou que passou a perceber suas viagens para jogar também como oportunidades de aprendizado espiritual, mantendo o compromisso com as exigências da profissão.

Ao responder a um espectador que relatou não ter a aprovação da família para jogar, recomendou paciência, diálogo e a demonstração de disciplina na rotina. Em sua visão, a forma como alguém conduz o trabalho ajuda a explicar aos familiares a relação que mantém com o poker.

Ele também ressaltou que essa relação precisa ser avaliada individualmente. Disse conhecer pessoas que tiveram de se afastar do jogo porque ele se tornou um problema, assim como aconteceu com a bebida em sua própria trajetória.

Descanso e cuidado com a carreira

Na parte dedicada às perguntas do chat, Yuri defendeu a importância de ter condições de interromper o grind quando necessário. Associou a construção de uma reserva de emergência à possibilidade de descansar e atravessar períodos ruins sem a mesma pressão financeira sobre cada resultado.

Sobre a própria rotina, contou que trabalha seis dias por semana e costuma reservar o sábado para descansar. A escolha permite passar tempo com o filho, que está fora da escola nesse dia, e se preparar para o domingo, sua principal jornada de poker.

Yuri afirmou que continua gostando de trabalhar e não pretende reduzir esse ritmo tão cedo. O dinheiro permanece como motivação, mas disse que o prazer nas atividades que realiza também explica sua dedicação.

Me dá muita alegria trabalhar, sabe, em todas as coisas que eu faço.

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