O blefe criado no banho

Certa vez, eu estava tomando banho antes do campeonato de 2-7 single draw e inventei o seguinte move. Um jogador em early position dá raise, eu entro de call em posição, não troco cartas e faço uma grande aposta depois da troca. Parece que, nessa linha, é impossível colocar um blefe.

E então estamos jogando. O UTG dá raise. Eu tenho , uma mão horrível para esse jogo. Dou call. O button faz 3-bet! O UTG paga. “Ah”, penso, “então isso é perfeito!” Faço 4-bet. Os dois pagam!

O UTG troca uma carta. Eu fico pat. O button... também fica pat. Provavelmente um nove bom.

Depois da troca, o UTG dá check, e eu levo meu plano até o fim: faço uma aposta enorme. O button pensa por muito tempo e folda. O UTG não trocou e também folda. E eu, claro, não consegui deixar de mostrar minha mão.

Pequenos truques na mesa de poker

Sou obrigado a entrar em level o tempo todo, porque tenho uma história muito rica, falei muito em jogos televisionados, onde todos os espectadores viam minhas cartas. Lembro bem de uma vez em que me pegaram. Como era mesmo o nome dele?... Esqueci de repente. Aquele viciado, como era?... Ah, Martin Zamani!

Zamani: "Bryn Kenney ganhava cerca $2 milhões por semana do GGPoker"
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Estávamos jogando Omaha. Apostei no river, blefe. Ele pensou por muito tempo, queimou alguns time banks e então disse: “Fala comigo. Que mão você acha que eu tenho?” E eu: “Bom, não sei, ás-dama?” A carta mais alta do board era uma dama. E então ele dá call instantaneamente e diz: “Da última vez que você nomeou a mão de alguém, você não a batia”. Acontece que, em algum momento, eu tinha dito a alguém: “Acho que você tem ases ou reis, raise!”, mas eu não batia essas mãos. E ele se lembrou disso. Eu esqueci. Claro, como eu poderia lembrar tudo que falei na TV?

"Você lembra daquela nossa mão antiga no torneio Five Diamond? No river, eu completo straight. Aposto 47.000, mas o dealer anuncia 27.000, e eu rapidamente digo: não, não, são 47 mil, tem mais ali! E você dá call instantaneamente!"

Haha! Sim, porque você atuou muito bem naquele dia! Toby Maguire me pegou de um jeito parecido uma vez. Ele é um ator decente. Isso foi muitos anos atrás, no Commerce. Estávamos jogando cash. Ele aposta no river. Eu começo a contar o dinheiro e, de repente, ele faz um gesto como se fosse mostrar as cartas depois que eu dei call, mas no último instante percebe que eu ainda não tomei a decisão e para. O que isso significa? Ele claramente quer muito mostrar a mão. Ele tem nuts. Eu foldo, e ele mostra um lixo completo!

Existem inúmeros truques desse tipo. Alguns de nós adoram isso, mas também há aqueles para quem isso é totalmente indiferente. Aqueles caras fechados, de solver. Contra eles, você nem precisa se preocupar com tells reversos — eles não vão notar nada mesmo.

Também não tente exercer pressão psicológica quando não sentir superioridade nessa área sobre o oponente. Quando eu jogo um pote contra Phil Ivey, prefiro ficar em silêncio. Simplesmente calo a boca e olho para a mesa. Não tenho nada a dizer a ele!

Como continuar evoluindo

Depois dos 50, jogar fica mais difícil. Não porque você de repente fica burro. É só que você já alcançou o sucesso. Teve grandes vitórias e conseguiu construir sua vida, aproximá-la do ideal. Você não tem mais tempo nem motivação para trabalhar 24 horas por dia na teoria. Os jovens têm.

É preciso ter respeito pelos jovens. Procurar o que você pode aprender com eles. De jeito nenhum dá para achar que você já sabe tudo sobre o jogo. Eu me lembro de como, nos anos 90, jogava com estrelas do poker que me olhavam de cima, e eu entendia claramente o quanto jogava melhor do que eles, e que eles não viam isso. Por isso, sempre tive consciência de que não poderia ser o melhor do mundo se parasse de trabalhar mais do que todos. Como não estou disposto a estudar muito, a única chance que tenho de me manter à tona é aprender constantemente com os adversários e combinar o que descubro com meus 30 anos de experiência de jogo.

Seguir as exigências do solver não é algo valioso por si só. Um jogador de poker deve buscar ganhar dinheiro, não agradar o solver. É preciso ter uma visão mais ampla do jogo. E é nisso, espero, que está a minha chance.

Quando as pessoas pensam que há apenas um caminho correto para jogar, elas não enxergam a floresta por causa das árvores, ou como se diz. Recentemente ouvi uma frase de um regular conhecido, não vou citar o nome, dizendo que ele não conhece nenhum top player que não trabalhe constantemente com solver. E eu pensei: e Jesse Lonis, Adrian Mateos, Bryn Kenney? Eles não trabalham com solvers, mas são muito bons! Adrian me disse: “Eu vejo o que os caras de solver fazem e repito”. Haha! Eles não são tops? Ok. Mas eu prefiro jogar como eles, não como você.

Como Negreanu gostaria que seu legado no poker fosse lembrado

Pensei muito sobre isso no começo da carreira, quando tinha 20, 30, 35 anos. Hoje, praticamente parei. Tornei-me uma pessoa muito feliz. Adoro jogar golfe. Sou feliz por ter o privilégio de jogar high stakes quando surge essa vontade. Mas, se eu pensar em como gostaria de ser lembrado pelas pessoas? Talvez como alguém que foi fiel ao verdadeiro espírito do poker, um jogo feito para entreter. Alguém que ajudava todos ao seu redor a deixar a vida um pouco mais divertida, a não serem sérios e rígidos demais. Alguém que fez tudo que podia para desenvolver o jogo.

Tentei fazer o máximo possível: criei conteúdo, gravei vlogs, vim aqui para uma entrevista com você, totalmente de graça! Mas, no fim das contas, amigos e pessoas que gostam de mim entendem minha essência e sabem que minhas intenções são boas. E aqueles que não gostam de mim, que não entendem minhas piadas, minha vibe, eles não vão gostar de mim de qualquer jeito. Sei muito bem que meu estilo não é para todos. Alguns gostam de assistir ao meu jogo, outros fazem careta.

No começo da carreira, eu jogava cash no Bellagio e torneios, e os adversários me chamavam de “jogador da televisão”. De um jeito meio superior, sabe: “olha, chegou o jogador da televisão!” Acho que a maioria dos high rollers modernos me entende e valoriza minha contribuição, mas há entre eles um pequeno grupo de pessoas invejosas, ciumentas ou simplesmente muito negativas, que gostam de rir de mim porque eu não estou por dentro das últimas novidades de frequências de solver em stacks de 12 bb.

Negreanu é um dos maiores embaixadores da história do poker. Foi o principal nome do PokerStars por muito anos, onde jogou WSOP, WPT e tantos outros torneios de renome. Agora, ele representa o GGPoker e joga os torneios mais caros do mundo.

Chance, nós crescemos mais ou menos na mesma época, certo? Aliás, eu usava um programa em disquete para fazer simulações! Poker Probe, do Mike Caro, ok? Foi assim que passei a jogar bem stud hi-lo — trabalhei muito com o programa. Para descobrir a equidade, levava três horas! O programa calculava a equidade, determinava quem estava na frente, e era isso.

Onde quero chegar com isso? É difícil comparar eras. Hoje estamos em uma nova era. Eu consigo brigar quase de igual para igual com os melhores representantes dela. Mas, na minha era, eu dominava! E isso ninguém pode tirar de mim. Sim, hoje alguém joga melhor do que eu, mas naquela época consegui entender melhor do que os outros e fiz isso sozinho, sem chat em grupo e sem Chip Leader Coaching, aprendendo com os erros.

Os adversários mais difíceis antes e depois da era dos solvers

Entre os jogadores da velha escola, Phil Ivey. Entre os jovens, seu amigo, o senhor Foxen. Nem todos o avaliam tão alto. Mas eu geralmente tento não destacar jogadores que se apoiam apenas em um conhecimento profundo das leis da teoria. Eles não me assustam. Sim, eu sei que eles sabem fazer muita coisa. Mas Alex... Ele é capaz de dar call no meu blefe com uma mão que absolutamente todos os outros descartariam sem pensar. Pode, de repente, mandar dois, três barris... Ele está sempre na luta, sempre pressionando, sempre concentrado no jogo, muito observador. É bem difícil de ler. Um adversário desconfortável!

Os cinco maiores jogadores de poker da história, sem poder citar a si mesmo

Eu não me incluiria nessa lista de qualquer forma.

Minha lista provavelmente sairia um pouco ultrapassada, porque cresci em uma época em que o centro dos high stakes eram os mixed games na Bobby's Room. Se você não jogava lá, não podia ser considerado top. Por exemplo, Adrian Mateos é um jogador de torneios brilhante, talvez até o melhor. Mas ele reina apenas em um jogo, então não entraria na minha lista.

Também julgo levando em conta a era. Michael Jordan disse muitas vezes que é muito difícil comparar jogadores de épocas diferentes. Bobby Fischer se recusava a comparar jogadores contemporâneos a ele com os melhores de 1905. É óbvio que jogará melhor aquele que repete o que o computador faz, e não aquele que tem apenas suas próprias ideias. Mas e se enviarmos as estrelas modernas para o passado, onde elas não teriam a possibilidade de trabalhar com computador? Quem conseguiria repetir o sucesso e quem não, nós não sabemos.

Por isso, na minha lista está Chip Reese. Joguei com ele, lembro dele. Está Phil Ivey, que dominava tudo. Todos os mixed games, inclusive online. Até torneios ele destruía. Um verdadeiro assassino. Ele frequentemente me dizia que, quando sentava para jogar contra alguém, o oponente inicialmente sempre o superava, porque era fundamentalmente mais forte. Mas, à medida que jogavam, Phil aprendia cada vez mais sobre o jogo do adversário e depois começava simplesmente a destruir. Nas adaptações, ele era melhor do que todos.

Ele fazia coisas que ninguém fazia. Dava check-raise em 20% dos flops! Mais do que o solver recomenda, mas funcionava melhor. Uma das minhas histórias favoritas é de quando ele jogou uma mão online contra Jason Koon e ligou para ele para ouvir sua voz! River, Jason vai all-in, e de repente Phil liga para ele e diz: “Escuta, a carta do river não abriu aqui para mim, o computador travou ou algo assim, o que saiu?” Mas, na verdade, queria ouvir a voz dele, entender se o adversário estava nervoso ou não. Quem mais seria capaz disso?

Então, Ivey, Reese... Mais três lugares? Há muitos nomes dignos, ainda não tenho certeza se os incluiria no top 5, mas vou apenas citar nomes. Patrik Antonius. Jungleman. Ray Dehkharghani. David Oppenheim. Sim, penso primeiro em jogadores de mixed games. Se me pedissem para montar uma lista de Hold’em, ela seria diferente.

No geral, claro, todos esses top 5 são muito subjetivos e, além de tudo, dizem muito sobre as relações pessoais entre as pessoas. Certa vez, você disse sobre um jogador que não queria vê-lo na sua mesa. É difícil para você jogar contra ele, lê-lo ou algo assim. Não quero citar o nome, mas, por exemplo, eu me sinto muito confortável contra ele, sempre fico feliz em tê-lo na mesa, porque contra mim ele joga horrivelmente, entrega stacks.

Figuras controversas

Martin Kabrhel: Há alguns anos, se eu fosse diretor de torneio, proibiria até que ele entrasse na sala de torneios. Motivo: ele estraga o prazer dos outros jogadores com seu comportamento repugnante. Jogava muito devagar, se comportava de forma nojenta e não ficava um segundo em silêncio. Eu gosto de conversas na mesa, gosto de piadas e alfinetadas verbais, mas é preciso fazer pausas! Deixe os outros falarem também.

Hoje, me parece que ele suavizou. Talvez a atenção geral sobre sua pessoa tenha influenciado. Ele ficou um pouco mais amigável, não coloca tanto os outros contra ele. Parece que gosta da fama, gosta de dar autógrafos, e não quer mais ser um vilão tão grande assim.

Ainda assim, eu não quero vê-lo na minha mesa sob nenhuma circunstância, porque ele cansa demais. No entanto, acredito que ele percorreu um longo caminho e é capaz de se comportar na mesa como uma pessoa mais ou menos civilizada. Se ele começasse a falar pelo menos 40% menos palavras, seria simplesmente maravilhoso.

Korntuh e Foxen falam sobre Martin Kabrhel: "Um personagem interessante!"
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William Kassouf: Não vejo nele nenhuma qualidade que justifique seu comportamento. Ele coloca todos contra si e joga de forma incrivelmente lenta. Todos na mesa, inclusive ele mesmo, entendem que ele vai foldar, mas ele gasta cinco ou seis minutos nesse fold. Uma queima de tempo sem sentido! Para mim, pessoas assim não têm perdão. No lugar dos managers do torneio, eu diria imediatamente a ele: se pronunciar uma palavra sequer, recebe uma volta de penalty. “Não, não!...” — “Levanta, duas voltas de penalty”. Com ele, só assim.

Ren Lin: Ele me chama de treinador. [Quando ficou conhecido que ele ghosteou um amigo em um torneio de 10k,] ele me escreveu uma mensagem: “Treinador, cometi um grande erro...”

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No cheating existem diferentes gradações. Alguns discordam fortemente disso, mas eu penso assim. O que ele fez está, talvez, no nível mais baixo de nocividade. Primeiro: ele pessoalmente não tinha nenhum interesse financeiro. É o Ren. Nós dois o conhecemos muito bem: ele sempre corre para ajudar um amigo. “O quê? Que call? Folda!” Você lembra como, nos velhos tempos, no PCA, as pessoas ficavam sentadas no lobby jogando online, e todos ao redor torciam por elas e davam conselhos? Quando alguém ia longe, juntava uma multidão em volta...

Ren estava errado. Ele sabe que estava errado. E fez literalmente tudo que estava ao seu alcance para pagar por essa lição. Literalmente do próprio bolso, pagou a multa com dinheiro que não recebeu. Ele está cumprindo a punição, cumpre uma suspensão de um ano. E é isso!

Ren Lin é um bom cara. O poker precisa de pessoas assim. Foi um episódio ruim, mas ele assumiu a responsabilidade e tirou suas conclusões.

Estratégia de limps em MTT

Em alguns torneios recentes, escolhi uma estratégia de limps. Jogar passivamente, disputar potes pequenos — esse era meu plano. Curiosamente, acabou que a estratégia de limps, de certo modo, obriga os adversários a jogarem em um estilo mais calmo. Você inicia muitos multipotes, onde todos agem passivamente. Dá para blefar um jogador, mas, quando há quatro ou cinco contra você, é preciso seguir as cartas. O jogo fica mais honesto.

Outro ponto positivo: não existem simulações de solver para multipotes de cinco pessoas. Como jogar T6o no big blind pós-flop em um board ? É preciso pensar com a própria cabeça. As pessoas não estão preparadas para isso.

Acho que já contei demais. Amanda sempre briga comigo por isso. Então é melhor eu parar por aqui e apenas dizer que a estratégia de limps tem também vários pontos positivos adicionais que combinam bem com meu estilo. O jogo começa a lembrar um pouco Omaha. Ou short deck.

"Ah, a propósito. Você consegue citar uma pessoa que tem dois braceletes, joga principalmente online cash de mid stakes — e no ano passado foi longe no Main Event da WSOP aplicando uma estratégia pura de limps?"

Hmm, não é Dominik Nitsche? Não, ele nem sempre limpa, mais frequentemente joga de raises.

"Quer mais uma dica? Ele ganhou o Main Event da WSOP."

Uau! Hmm... Joe Cada? Não, espera — Greg Merson! Sim, exatamente.

"Ele disse que esse estilo causa muito desconforto aos adversários, e que encontra vários spots novos em que pode superá-los."

Eu gosto de jogar pós-flop. Os limps ajudam a aumentar o SPR e, assim, dão mais liberdade no pós-flop. Em stacks curtos, eu não gosto de limpar, embora isso também seja possível. Dominik e mais algumas pessoas limpam com stacks de 15-20 bb. Eu não faço isso. Quando tenho stack curto, a chance de ganhar os blinds e antes imediatamente, sem disputa, é valiosa demais para ser desprezada. Em deep stacks, é uma situação totalmente diferente. Essas migalhas não me preocupam. Prefiro tentar pegar o stack inteiro do amador.