por Alexander Badzhik
Alexander Badzhik conversou com o tetracampeão da Triton e um dos destaques da última série em Jeju. O renomado high roller contou quem convidaria para o Invitational, compartilhou seus planos para a próxima série no Chipre, relembrou sua “mão mais terrível” e apontou os melhores jogadores de torneios do mundo.
— Olá, Kiat! Como tem passado o tempo desde a série em Jeju?
— Olá! Está tudo ótimo: tenho ido a restaurantes, praticado atividades físicas e passado tempo com a família.
— Você mora na Malásia atualmente, certo? Do que mais gosta aí?
— Do conforto e da localização geográfica. E, claro, das pessoas! Todo mundo é muito simpático, é ótimo. Além disso, a Ásia vive um verdadeiro boom do poker há alguns anos: as oportunidades de jogar torneios ao vivo aumentaram bastante. De casa, consigo chegar facilmente à maioria das séries ao vivo.

— E do que não gosta?
— Hahaha, sinceramente, gosto de tudo. Não existe lugar perfeito, mas a Malásia é minha casa e nunca quis me mudar. Além disso, tenho o hábito de enxergar o lado bom das coisas, em vez de reclamar dos problemas.
— Parece um lema!
— Por sinal, tenho um lema, mas é outro: “Não tenha medo de errar, isso faz parte. O importante é não cometer o mesmo erro duas vezes. Aprenda e continue evoluindo”.
— Como começou sua trajetória no poker? Você se lembra da primeira vez que jogou ao vivo? Como tudo começou?
— Comecei a jogar quando estudava no Reino Unido. Havia torneios locais e pequenas séries todos os dias. Foi assim que me envolvi. Lembro de como fiquei completamente absorvido pelo jogo. Foi naquela época que comecei a levar o poker a sério.
— Qual torneio daquela época ficou mais marcado na memória?
— Um torneio de £300 em Nottingham, em 2015. Fui campeão e ganhei cerca de £50 mil. Não foi a maior premiação, mas passei a ter um bankroll e confiança no meu potencial!
Atualmente, Kiat soma $28 milhões em premiações registradas no The Hendon Mob. Na lista dos jogadores da Malásia com mais premiações ao vivo, ele está atrás apenas de Paul Phua, fundador da Triton.— Hoje, os buy-ins e as premiações são bem maiores… Como é um dia comum na vida de um high roller? Como você concilia trabalho e descanso?
— Durante as séries, sigo uma rotina simples, mas bem definida: faço questão de dormir o suficiente, me alimentar bem, fazer exercícios e me alongar antes de sentar para jogar.
Quando você joga os limites mais caros, é muito importante manter a mente descansada. Por isso, fora das mesas, tento até evitar pensar em poker. Descanso, encontro os amigos… Esse equilíbrio me permite manter a concentração e apresentar meu melhor jogo quando volto às mesas.
— Mas você certamente também dedica tempo ao estudo, certo?
— Sim, não tem como fugir disso. Estudo com softwares, principalmente o GTO Wizard e o HRC.
— Você certamente já ouviu falar de jogadores que usam solvers durante as sessões… Na sua opinião, como a cultura do cancelamento deveria funcionar nesses casos?
— Trapacear de forma consciente ou usar ferramentas proibidas precisa ter consequências. Sem isso, é muito difícil proteger o jogo.
Mas não acho que alguém deva ser automaticamente excluído da comunidade por causa de um único erro. Tudo depende da gravidade da infração. Foi intencional? Como a pessoa se comporta depois do ocorrido? Se ela reconhece a culpa e entende que precisa assumir a responsabilidade, deve ter uma chance de recomeçar do zero.
— E como você acha que devemos combater problemas mais amplos, como softwares infectados, a exemplo do que aconteceu recentemente com o MeshAgent?
— A segurança no poker precisa evoluir junto com a tecnologia. As salas online devem investir na identificação de atividades suspeitas, do uso de assistência em tempo real, o RTA, e de quaisquer outras ferramentas novas que deem uma vantagem desleal aos jogadores.
Para mim, a integridade do jogo é o mais importante. Os jogadores precisam ter a certeza de que todos estão competindo sob as mesmas regras. Por isso, a comunidade e as salas de poker devem colaborar mais e trocar informações. O ecossistema só tem a ganhar com isso.
Leia Leia— Vamos falar sobre a Triton. Consultei suas estatísticas e vi que a última vez que você saiu de uma série sem nenhuma premiação foi em Madri, ainda em 2022. Impressionante! Qual foi sua melhor série?
— A de março deste ano, em Jeju. Ganhei o torneio de Short Deck de $50 mil [nota da redação: recebeu $840 mil] e também fiz um acordo no torneio de $125 mil.
O acordo foi feito entre os três finalistas, e o título ficou com Bernhard Binder— Vamos ver você no Chipre? Pretende jogar a Triton ONE ou se concentrar na série de high rollers?
— Desde que comecei a jogar na Triton, nunca deixei de participar nem da ONE nem dos torneios tradicionais. Sempre procuro participar e apoiar a série, porque gosto muito dela. Então, com certeza, vocês vão me ver no Chipre!
— Quais torneios pretende jogar?
— Normalmente, jogo praticamente tudo, dos buy-ins menores aos mais caros. Tudo, exceto Omaha.
— O que você acha das estruturas turbo?
— Hahaha, um fato curioso: meus dois primeiros títulos vieram justamente em torneios assim! Então, parece que os turbos combinam comigo. :)
— São seus torneios favoritos?
— Sim. Também gosto dos Mystery Bounties e do Short Deck. Sempre tive bons resultados nesses torneios, por isso eles estão associados às minhas melhores lembranças.
— Adivinhe qual é a próxima pergunta!
— Acho que não há nenhum de que eu não goste. Normalmente, jogo quase tudo o que está na programação. Omaha simplesmente não é a minha modalidade.
— Já falamos da série de março em Jeju. Agora, vamos para setembro. Qual mão ficou marcada na última série?
— Uma em que recebi um par de ases no Mystery Bounty. Restavam duas mesas, e três jogadores foram all-in antes de a ação chegar até mim. Eu cobria todos e tinha AA. Bingo! Consegui ganhar! Com certeza, vou me lembrar dessa mão por muito tempo.

Mas também há uma mão antiga que eu preferia esquecer…
Foi no Invitational de $200 mil, no Chipre, em 2023. Restavam seis jogadores, eu tinha o terceiro maior stack e ainda havia alguns adversários muito curtos. Patrik Antonius, por exemplo, tinha 5 BBs. Fui all-in pré-flop com AA contra o chip leader, Ramin Hajiyev, recebi o call de K2s e fui eliminado. Foi bastante doloroso. Aquela bad beat custou caro.
— Muitos jogadores gastam centenas de milhares de dólares em buy-ins, mas não são tão extravagantes no dia a dia. Outros, por sua vez, estão acostumados a viver com luxo. Com qual postura você mais se identifica?
— Separo claramente o dinheiro do poker das despesas do dia a dia. Posso entrar em um torneio com buy-in de seis dígitos porque esse é o meu trabalho. Mas isso não significa que vou gastar quantias enormes com todo o resto. Não gosto de gastar dinheiro só por gastar. É importante que a compra valha o preço.
— Já que estamos falando em jogar dinheiro fora… O que acha de apostas paralelas? Costuma apostar com os amigos?
— Pequenas apostas com amigos ou sobre quem vai durar mais em um torneio podem deixar o jogo um pouco mais divertido e emocionante. Mas não sou daqueles que precisam estar apostando o tempo todo. O poker, por si só, já proporciona adrenalina suficiente.
— Vamos fazer um bate-bola. Os três melhores jogadores de torneios da atualidade.
— Jason Koon, Stephen Chidwick e Adrián Mateos.
— Se você fosse um empresário no Invitational, quem convidaria?
— Escolheria João Simão. É um cara muito legal e também joga demais.
— Seu país favorito para jogar poker?
— Coreia do Sul, Jeju! Foi lá que ganhei meu primeiro grande troféu.
— Jogar um torneio de $10 mil bancando todo o buy-in ou um de $100 mil dividindo a ação?
— O de $100 mil dividindo a ação. Gosto de desafiar os melhores jogadores e me testar em torneios com buy-ins altos. O importante é que o tamanho da minha participação seja adequado.
— O que você acha do novo formato Ocean?
— Ainda não joguei… A série KPC está acontecendo em Jeju agora, então estou concentrado nos torneios ao vivo. Mas acrescentar novas modalidades e formatos é sempre positivo. Isso torna o poker mais variado e atraente.