Bernhard Binder começou a jogar poker em 2021. Em fevereiro de 2025, ele venceu o GGMillion$ Phase (recebeu $1,8 milhão); em dezembro do mesmo ano, venceu o Super Main Event da WSOP Paradise de $25k ($10 milhões); em março deste ano, venceu um Triton com buy-in de $125k ($2,1 milhões).

Na semana passada, Bernhard chegou à mesa final de mais uma edição regular do GGMillion$ como chip leader, mas perdeu no heads-up.

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— Você conheceu o poker há bem pouco tempo. Conte como sua carreira começou.

— Comecei a jogar torneios há quatro anos. Antes disso, joguei cash e SNG por alguns meses. Me interessei por poker porque meu amigo mais próximo, Samuel Mullur, já jogava profissionalmente. Acho que muita gente conhece esse nome.

Eu comecei praticamente do zero e por algum tempo joguei micro-limits. Já não lembro com exatidão, mas acho que cheguei aos mid stakes em uns seis meses. No segundo ano de carreira, eu já jogava high stakes. Nunca fiz parte de times de poker, sempre grindei por conta própria, só recebi ajuda de amigos.

No terceiro ano, cheguei aos super high stakes. Joguei minha primeira Triton em Jeju em 2025, mas antes disso eu já tinha experiência jogando os limites mais altos do online.

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— Em fevereiro de 2025, você venceu o GGMillions Phase. Antes disso, você já tinha algum resultado importante em torneios que influenciou sua carreira?

— Houve algumas vitórias que ajudaram muito. Por exemplo, logo no começo eu ganhei um torneio dominical de $25 e recebi $6.000. Isso ajudou demais a subir de limites. Sempre houve progresso constante. Isso é poker de torneio, então qualquer grande cravada é muito importante.

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— No live, você fez o primeiro ITM no verão de 2023. Você já pensava em jogar live desde o começo ou inicialmente planejava focar no online?

— Eu nem pensava em live quando comecei a jogar. No começo, eu só queria experimentar o que era o poker na internet e ver se conseguiria alguma coisa. Nunca olhei muito longe.

No geral, eu não aconselharia ninguém a ir para o live sem experiência no online, pelo menos mínima. No live, os buy-ins são muito mais altos, então é preciso ter algum bankroll. Claro, dá para jogar cavalado, mas eu não sou muito fã de vender uma parte significativa da action sem necessidade real.

Comecei a pensar no live quando vieram os primeiros resultados no online. Dei sorte de chegar à Triton praticamente de imediato, recebi uma proposta vantajosa de backing. No Triton, quase todo mundo vende partes, porque os buy-ins são altos demais. Mas eu me acostumei rápido aos limites altos e não senti tanta pressão.

Eu já tinha passado por tudo isso no online. Você joga seu primeiro torneio de $100, depois de $1.000, depois de $10.000. Cada degrau seguinte é especial, mas você se acostuma rapidamente a cada nova etapa.

Sim, $100.000 é muito dinheiro, mas, se você ficar pensando nisso o tempo todo, não faz sentido nem sentar no torneio.

— Em dezembro, a agenda é cheia. Por que decidiu ir para a WSOP Paradise?

— Para mim, nem houve escolha. É uma das séries mais caras, e ainda por cima lá são disputados vários torneios Triton.

O Super Main tem buy-in alto, mas, graças às várias promoções e satélites, ele reúne muitos jogadores. Não dá para perder uma oportunidade dessas.

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— Você não tinha tanta experiência em torneios com estrutura lenta?

— Sim, os torneios online têm uma dinâmica completamente diferente. O Super Main é um torneio de cinco dias, com vários dias iniciais. Uma verdadeira maratona. Ali, no Dia 3, o torneio basicamente ainda está começando, enquanto no online e na Triton os torneios de três dias são bem raros.

Ele até é percebido mentalmente de uma maneira completamente diferente. Acho que no online eu sou, como jogador, muito mais forte do que no live. Em primeiro lugar, por causa da experiência. Mas desta vez dei sorte e consegui vencer.

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— Você sentiu uma atenção maior depois da vitória?

— Eu não fujo da atenção, mas também não a procuro. Fiquei surpreso quando recebi mensagens de pessoas de quem eu não ouvia falar havia uns 10 anos. Minha infância foi em uma pequena vila austríaca, e muitos conterrâneos me parabenizaram, inclusive alguns que eu nem conheço.

— Em parte do torneio, você jogou usando um adesivo da CoinPoker, mas na mesa final os organizadores pediram que você o tirasse. Isso afetou seu jogo de alguma forma?

— Sinceramente, sim. Fiquei irritado. Até na Triton os adesivos de patrocinadores são permitidos, embora haja restrições de tamanho. Já na WSOP me disseram de forma categórica que as regras eram deles e que podiam proibir qualquer publicidade como bem entendessem. Eu nem tive a possibilidade de defender meu ponto de vista. Na hora isso tira você do eixo, mas tive que aceitar e não pensar nisso. O mais importante é manter o foco no jogo.

— No 5-hander, você jogou uma mão grande contra Belarmino De Souza. Ele foldou no river a mesma sequência, e Torrel desistiu no turn; no river ele acertaria full house.

— Durante o torneio, essa mão nem me pareceu nada de especial. Fiquei feliz por ter puxado um pote considerável, mas não entendia a importância dela, porque eu só sabia quais eram as minhas cartas. Só entendi tudo quando me passaram as informações da transmissão.

Tenho 99% de certeza de que o Torrel confundiu o que tinha na mào. Ele achou que tinha apenas uma dama. É difícil dizer como a mão teria se desenvolvido se ele entendesse que tinha dois pares. Talvez o jogador com a segunda sequência tivesse aumentado de novo, eu teria anunciado um reraise, e ainda assim o Torrel teria foldado.

O river não foi dos melhores, mas eu ainda tinha uma mão muito forte. Eu dei all-in por valor. No fim, evitei uma divisão de pote, tive muita sorte.

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— Quanto tempo depois você soube o que eles tinham?

— Na mesa final, eu tinha um grande grupo de torcedores me apoiando, e muitos estavam assistindo ao stream. Mas eu já tinha avisado antes para que não me distraíssem com bobagens e só me contassem algo realmente importante. Torneios desse tipo desgastam muito, então é fundamental usar bem os intervalos. Mas, claro, sobre essa mão me contaram imediatamente.

— No fim, você e Torrel chegaram ao heads-up. Que sensação é jogar um HU por $4 milhões?

— O que ficou marcado é que jogamos por uma eternidade. Eu nem me lembro exatamente quanto tempo foi, mas foi muito (Nota da redação: 3,5 horas).

Fiquei um pouco surpreso com o quão bem ele jogava, levando em conta a idade avançada (78 anos). Ele manteve o foco durante toda a mesa final e jogou em um nível muito bom. Gostei de alguns recursos estratégicos dele. Por exemplo, às vezes, no button, ele fazia raises de 3x ou 4x, aumentando a variância.

Se eu fosse o treinador dele, aconselharia agir exatamente assim. Talvez ele realmente tenha procurado ajuda de alguém. Gostei do jogo dele. O heads-up foi desgastante, ainda bem que no fim consegui vencer.