As últimos notícias do poker misturaram polêmicas e bastidores com conteúdo pop e debate estrutural sobre o jogo. Teve sessão high stakes “fora da curva” em mansão de US$40 milhões, desdobramentos jurídicos de um caso ligado a partidas privadas e celebridades, denúncia de trapaça em sala de poker nos EUA, exposição de uma suposta “fazenda de bots” no online e, em paralelo, novas dores de cabeça para a WPT Global — agora por marketing e uso de imagem. Para fechar, Stephen Chidwick trouxe um raro “banho de realidade” sobre lucro no high roller e Jungleman apareceu com uma proposta tão inusitada quanto provocativa para encerrar discussões vazias nas redes.
05 jan 2026 — Rampage joga cash game high stakes em mansão de US$40 milhões e vive sessão “surreal”

O criador de conteúdo Ethan “Rampage” Yau levou o público para um cenário que parece roteirizado: um cash game high stakes em uma mansão estimada em US$40 milhões, em Vancouver, com clima de espetáculo e extravagâncias que vão além das fichas. O vídeo, publicado no canal do streamer, alterna turismo de luxo com ação pesada nas mesas — e faz questão de vender a sensação de “tudo pode acontecer” quando straddles entram em cena e os potes começam a escalar.
Dentro do jogo, a sessão vira uma montanha-russa. Rampage sobrevive a um all-in cedo e dá a entender que a noite pode ser boa, mas o enredo muda com blefes que não passam e decisões que custam caro. Em um dos pontos altos (e baixos) do episódio, ele se envolve em um cooler clássico de high stakes ao encontrar e bater de frente com , um pote de US$ 32.000.
A cereja do absurdo vem quando o jogo incorpora um elemento de cultura pop como “prêmio”: uma carta de Pokémon rara (avaliada em cerca de US$1.500) entra na dinâmica da mesa como bounty e ainda vira peça de um minijogo para definir seu destino. No fim, Rampage saiu perdendo pouco mais de US$15.000, mas conseguiu um conteúdo incrível para o seu canal.
13 jan 2026 — Xuan Liu acusa WPT Global de usar sua imagem após fim de parceria
A WPT Global voltou ao centro das críticas após a jogadora Xuan Liu afirmar que sua imagem continuava sendo exibida em versões do aplicativo e do site voltadas ao público asiático, mesmo depois do encerramento do vínculo comercial. Liu foi embaixadora da sala entre 2023 e 2025 e disse que só percebeu a permanência do material promocional após ser avisada por terceiros.
Em vídeo publicado nas redes, ela questionou como o erro teria passado despercebido e levantou a possibilidade de que a exposição pudesse ter continuado por tempo indeterminado sem a reclamação pública. A reação da comunidade foi imediata, com comentários defendendo compensação financeira — inclusive de outros criadores e jogadores.
O caso se soma a uma sequência recente de controvérsias envolvendo a marca e suas diferentes frentes. A principal crítica, aqui, é de governança e controle: em um mercado altamente competitivo, “errar” uso de imagem não parece apenas descuido — vira combustível para desgaste reputacional.
15 jan 2026 — Jungleman propõe “debates valendo dinheiro” para encerrar discussões vazias no X

Cansado do que chamou de discussões inúteis e repetitivas nas redes, Dan “Jungleman” Cates apareceu com uma ideia provocativa: transformar debates online em confrontos com dinheiro em jogo. A lógica seria simples — e, no estilo dele, direta: se alguém acredita mesmo no que está defendendo, que coloque uma quantia na mesa e debata com mediação e “juízes”; caso contrário, o debate não passaria de ruído.
A proposta nasceu depois de horas de embates com usuários em temas sociais e políticos, e Jungleman elevou o tom ao oferecer valores altos para quem aceitasse discutir. Na visão dele, a existência de um “custo” filtraria argumentos rasos e reduziria a performatividade típica de rede social. Mais do que um plano viável, a publicação funcionou como crítica ao ambiente: muito barulho, pouca consequência e quase nenhum incentivo para boa-fé.
O assunto repercutiu porque encosta em uma característica do poker: a cultura de que opiniões e decisões ganham peso quando há risco real envolvido. E Jungleman, como sempre, fez questão de misturar provocação, humor e ego.
15 jan 2026 — Tobey Maguire pode depor em julgamento de advogado acusado de fraude fiscal ligada a poker

O nome de Tobey Maguire reapareceu no noticiário do poker por um motivo bem distante das mesas televisionadas. O ator, conhecido por frequentar partidas privadas de high stakes, pode ser chamado a depor no julgamento do advogado Tom Goldstein, acusado de fraude fiscal em um caso que envolve supostos milhões em ganhos no poker ao longo de anos.
Leia LeiaSegundo o que veio a público, promotores afirmam que Maguire teria pago US$500 mil por serviços jurídicos e que esse dinheiro teria sido direcionado a alguém para quem Goldstein devia uma dívida de poker. O processo também recupera uma disputa antiga envolvendo um “ator de Hollywood” que buscava receber cerca de US$15 milhões ganhos em uma partida privada — caso que, agora, é associado ao nome de Maguire em relatos da imprensa.
O ator não é acusado de irregularidades, mas sua presença como possível testemunha mostra como o poker high stakes, especialmente no circuito privado dos EUA, continua cruzando com disputas milionárias, contratos, dívidas e efeitos colaterais legais. O julgamento ainda envolve depoimentos de bilionários e uma narrativa de “vida de luxo” supostamente financiada por ganhos não declarados.
17 jan 2026 — Casa de poker de Doug Polk bane dupla suspeita de marcar cartas após alerta de vlogger

Uma denúncia feita dentro do salão terminou em expulsão e banimento em um cardroom do Texas. Dois homens foram retirados do The Lodge Card Club, em Round Rock, após o vlogger Anthony Martino reconhecer a dupla e alertar a equipe. A suspeita: os jogadores trabalhariam juntos para marcar cartas e manipular a dinâmica da mesa.
Martino afirma que os dois já teriam histórico semelhante em salas da Flórida e da Califórnia e que havia um padrão de comportamento: insistência em se posicionar em assentos específicos e tentativa de “cercar” adversários para extrair mais valor com sinais e jogadas combinadas. Após a abordagem, funcionários do Lodge inspecionaram o baralho e, segundo o relato, encontraram indícios de marcação, levando ao banimento imediato.
O caso reacende uma preocupação recorrente no poker ao vivo: golpes simples, como marcas físicas, ainda aparecem mesmo em ambientes profissionais. A história também mostra a dificuldade de impedir reincidências nos EUA: quando banidos, suspeitos podem apenas migrar para outras salas, criando uma espécie de “rodízio” de tentativas.
O The Lodge é uma da casas de poker mais famosas dos EUA, já que um dos seus donos é ninguém menos que a estrela do poker e do conteúdo Doug Polk.
19 jan 2026 — Martin Zamani divulga vídeo de suposta “fazenda de bots” em site online
O jogador high stakes Martin Zamani publicou nas redes um vídeo que, segundo ele, mostra parte de uma operação em larga escala usando bots para jogar poker online em mesas altas de um site não regulamentado. As imagens exibem dezenas de monitores rodando automaticamente, com poucas pessoas no ambiente, supostamente apenas para manutenção e suporte técnico.
Zamani afirma que não gravou o vídeo, mas que recebeu o material de terceiros e decidiu tornar público para dar visibilidade ao problema. Conhecido por já ter exposto situações de má conduta no poker, ele defendeu que esse tipo de esquema tende a prosperar onde há menor fiscalização — e indicou que sites regulados teriam mais barreiras e incentivos para coibir o uso de automação.
Leia LeiaO episódio teve um desdobramento importante: no dia seguinte, a CoinPoker anunciou ter identificado um problema envolvendo bots em sua própria plataforma, com banimento de dezenas de contas e reembolsos que somam mais de US$156 mil. A postura foi elogiada por jogadores conhecidos do online, como Patrik Leonard e bencb.
19 jan 2026 — Stephen Chidwick diz que “lucro real” é bem menor que os US$76 milhões em premiações
Em um raro momento de transparência, Stephen Chidwick respondeu em um AMA no Reddit quanto do seu volume monumental de premiações ao vivo, cerca de US$76 milhões, virou, de fato, lucro. A estimativa surpreendeu quem olha apenas para rankings: segundo ele, o ganho líquido estaria entre US$5 milhões e US$10 milhões, e ainda assim sem cravar o número exato.
A declaração joga luz sobre uma realidade pouco discutida fora do círculo de high rollers. No torneio caro, “resultado bruto” é só a superfície: entram na conta buy-ins repetidos, trocas de ação, backing, impostos e custos de viagem; além da variância e séries de perdas que podem ser longas mesmo para os melhores do mundo. Chidwick, que é apontado há anos como um dos jogadores mais consistentes do planeta, acaba virando exemplo do argumento: se até ele converte uma fração do total em lucro, muita gente no topo pode estar empatando ou perdendo.
Leia LeiaNo mesmo papo, ele também cutucou um efeito colateral da era dos solvers: a facilidade de “decorar respostas” pode estar diminuindo o treino de fundamentos como leitura de ranges, raciocínio do zero e adaptação ao que as pessoas realmente fazem — não ao que a simulação idealizada sugere.