– Shiina Okamoto, seja bem-vinda ao podcast GTO Lab!
– Muito obrigada pelo convite! É um prazer enorme.
– Conte como você chegou ao poker. Quando e por que decidiu jogar profissionalmente? O que influenciou essa decisão?
– Na universidade, eu estudava arquitetura, mas depois de me formar consegui um emprego completamente fora dessa área, no setor de vendas de um banco de investimentos estrangeiro, onde trabalhei por 10 anos. Vendia ações, títulos e diversos produtos financeiros. A empresa era excelente, mas o trabalho em vendas me cansava muito, e o tema finanças, para ser sincera, nunca foi algo próximo de mim. Só que eu não tinha hobbies específicos, então trabalhei pacientemente durante esses 10 anos, sabendo que não estava exatamente no meu lugar. E como mais eu poderia ganhar dinheiro?
Com o tempo, porém, o setor em que eu trabalhava começou a ir mal. No fim das contas, recebi uma proposta muito generosa para pedir demissão, com uma ótima indenização. Como eu já queria largar tudo havia algum tempo e naquele momento tinha me interessado pelo poker, mesmo ainda não ganhando dinheiro com isso, aceitei. Isso aconteceu há cerca de dois anos. Minha experiência no poker até então era de apenas alguns anos.
Depois de sair do trabalho, não procurei outro emprego e mergulhei de cabeça no poker. Queria estudá-lo 24 horas por dia, e foi exatamente isso que fiz. Durante seis meses inteiros, trabalhei exclusivamente teoria. O que veio depois é conhecido. Em 2023, fiquei em segundo lugar no torneio feminino da World Series. Em 2024, venci. Em 2025, venci novamente. Graças a isso, consegui patrocinadores e hoje ganho um bom dinheiro com o poker.
Leia Leia– Como você estudava? De onde vinha o conhecimento?
– Eu e alguns amigos criamos uma comunidade de jogadores que queriam estudar o jogo em conjunto. Fazemos sessões online pelo Discord, usamos softwares de GTO disponíveis na internet. Depois de estudar algumas linhas ótimas, discutimos entre nós, analisamos para que lado as pessoas mais se desviam na prática e determinamos como explorar melhor esses desvios.
O poker online é proibido no Japão, então não podemos estudar como os outros, jogando um volume enorme de mãos. Isso, claro, é um problema. Além disso, no Japão não há grandes produtores de conteúdo educativo focado em MTT, e usar sites estrangeiros é difícil para mim por causa do inglês. (A entrevista com Jaffe foi feita com tradutor do japonês – GT). Esses são problemas comuns à maioria dos jogadores japoneses e que nos impedem de evoluir mais rápido. Mas os treinos conjuntos com amigos ajudam a contornar parte dessas dificuldades.
– Você ficou em segundo lugar no campeonato feminino e depois venceu duas vezes. Profissionais dizem que poker não é só sorte, mas também habilidade, embora reconheçam que é preciso dos dois para vencer. Como você conseguiu ganhar duas vezes seguidas um torneio com milhares de participantes?
– Claro que precisei de muita sorte. Na primeira vez, ainda não me conheciam, mas tanto em 2024 quanto em 2025 eu já era relativamente famosa, e precisei levar em conta a imagem que as adversárias tinham de mim. “Ela joga bem, então certamente pode blefar aqui!” Ou: “Quero jogar um pote contra ela, tentar enganar ou blefar!” Todo mundo começa a se ajustar, mas acho que sou muito boa em encontrar contra-ajustes. Essa habilidade foi uma parte importante da minha vantagem.
As mulheres são muito influenciadas pelas emoções, e eu não sou exceção. Mas depois de jogar quatro dias seguidos, passei a entender claramente como as emoções afetam as decisões, especialmente na fase final, quando restam menos de cem jogadoras. E, claro, na mesa final algumas ficam extremamente nervosas. As mulheres jogam poker com menos frequência e, portanto, se veem menos vezes sob a pressão típica dos finais de MTT. As reações ao estresse são muito individuais: algumas passam a jogar de forma extremamente agressiva, outras ficam completamente passivas. De alguma forma, consigo intuir essas mudanças com base na nacionalidade, aparência e idade das adversárias. Talvez seja experiência acumulada nesses três anos.
A mesa final da WSOP deixa qualquer um nervoso, não só mulheres. Mas quando você tem alguma experiência, isso dá uma grande vantagem tanto na leitura dos oponentes quanto no controle das próprias emoções.
Eu não me levanto da cadeira durante all-ins. Na minha opinião, quando você se levanta, é porque está pensando na possibilidade de perder. Se você estiver atrás, tudo bem, mas quando tem grande vantagem de equidade e se levanta e perde, isso derruba muito o psicológico — depois disso, é possível perder a concentração por bastante tempo. Também é importante não reagir aos gritos da torcida, para não quebrar o equilíbrio do seu jogo.
– Falando em leitura de adversários, quero tocar no tema da inteligência emocional e social. Isso não se aprende no solver, mas é extremamente importante, especialmente nos limites médios e baixos. Assisti atentamente às transmissões dos campeonatos femininos, e me parece que há um método muito claro no seu jogo. Como você consegue entrar na cabeça das adversárias, levar em conta diferenças culturais, e assim por diante? É talento natural ou algo que você desenvolveu?
– Tudo parece girar em torno da leitura das emoções dos outros jogadores. Como faço isso? Conversando na mesa. Tento entender o melhor possível o que as adversárias pensam sobre mim. Como fiquei relativamente conhecida, as reações variam bastante. Mulheres com personalidade forte e espírito competitivo muitas vezes estão dispostas a tudo para não perder um pote para mim, e eu sinto esse clima mesmo em uma conversa casual. Outras preferem evitar spots complicados contra uma campeã e jogam de forma mais tranquila e passiva. Diferenciar umas das outras é relativamente fácil. Conversando, tento entender o caráter de cada uma e classificá-las.

– Você joga outros jogos que não têm relação com poker e que exigem pensamento em vários níveis?
– Sim. Antes de começar no poker, joguei durante cinco anos vários jogos de tabuleiro, era meu hobby. Settlers of Catan e outros jogos parecidos, que exigem bastante raciocínio, me davam muito prazer.
– Stephen Chidwick e Daniel Dvoress jogam Catan muito bem — fica a dica, se você precisar de parceiros de treino! Além dos jogos de tabuleiro e do poker, o que mais te interessa?
– Acho que não tenho outros hobbies! Provavelmente, eu amo demais o poker.
– Conte como é uma semana normal sua, quando não há uma série de torneios. Como você divide o tempo de estudo? Você tem treinador?
– Esse é um tema um pouco delicado, e eu não gostaria de revelar todos os detalhes. Em geral, minha agenda é bastante apertada, mas quando tenho um dia totalmente livre, ou participo de treinos online com amigos, ou estudo sozinha. Quanto a treinador, formalmente não tenho um, mas existe uma pessoa a quem sempre recorro quando surgem dúvidas. É um japonês, jogador profissional e treinador, mas eu não faço aulas com ele — apenas esclareço pontos específicos de algumas mãos.
– Tema perigoso para os Estados Unidos, mas vou arriscar: quais são os prós e contras de ser mulher no mundo do poker?
– Prós não me vêm muitos à cabeça. Talvez seja possível usar o estereótipo de que mulheres não blefam. Contras há muito mais. Para começar, as mulheres simplesmente têm menos resistência física do que os homens. Isso pesa especialmente em torneios com dias muito longos, como na World Series. Perto do fim, a concentração cai bastante. Por isso, tento não entrar nos torneios desde o primeiro nível, exceto no campeonato feminino ou em eventos em que pular o início significa perder muito EV. Sei que não aguento um dia inteiro.
Além disso, como já disse, acredito que as mulheres, por biologia, são mais emocionais do que os homens. Isso é visível até nos torneios femininos, onde muitas, ao perderem até uma mão padrão, direcionam sua irritação à oponente. Esse tipo de tilt prejudica o nível de jogo. Temo que isso seja inevitável por razões biológicas, e de vantagem isso definitivamente não tem nada. Percebo essas reações também em mim e faço o máximo para me controlar.
– Mas também dá para olhar por outro lado. A opinião comum, e também minha experiência pessoal, é que as mulheres costumam ter maior inteligência emocional. Talvez sejam mais emocionais, mas isso ajuda a entender melhor os outros. Isso não é uma vantagem?
– Hm… Talvez, se as mulheres jogassem o mesmo volume, os resultados se igualassem aos dos homens. Mas a maioria não joga regularmente. Por isso, se no topo praticamente não há diferença de skill, no nível médio as mulheres jogam pior por falta de volume. E a habilidade de ler emoções só se desenvolve com boa prática. Não acho que exista uma capacidade inata feminina de entrar na mente dos adversários apenas por serem mais emocionais.

– Treinei mulheres e conversei com jogadoras de todos os níveis, inclusive as melhores do mundo. Segundo elas, os homens geralmente acham que mulheres nunca blefam ou blefam muito pouco, mas basta verem alguns blefes para passarem a achar a adversária “maluca”, desequilibrada. Ou seja, só enxergam extremos, sem equilíbrio. Isso é um ponto positivo, dá para explorar. Já o ponto negativo é que, quando você é a única mulher em uma mesa cheia de homens, ninguém te esquece. Suas mãos serão mais lembradas, mais anotadas mentalmente. Isso é uma grande desvantagem.
– Sim, concordo. Ao mesmo tempo, no meu caso pessoal, a imagem sempre foi um pouco diferente. Mesmo quando eu não era conhecida, meus blefes eram frequentemente pagos. Amigos diziam que eu provavelmente tinha uma expressão facial séria demais. Acho que meu estilo de jogo não difere muito do que se imagina à primeira vista.
No geral, jogadores fortes já entenderam que mulheres também são capazes de grandes blefes. A meta mudou, e há menos espaço para exploit.
– Hoje, nos torneios high rollers, há uma jogadora muito forte: Kristen Foxen. Também Sosia Jiang, embora jogue menos, mostra um excelente poker e é respeitada pelos high rollers. Você acha que veremos novas mulheres nesses torneios nos próximos anos?
– Haha! Não sei. Espero que sim. Mas não acredito muito!
– Você tem objetivos no poker?
– É difícil estabelecer metas baseadas em resultados por causa do fator sorte. Quero apenas me tornar mais forte. Sim, com ajuda da sorte, consegui vencer dois campeonatos femininos seguidos. Mas sejamos honestos: o nível de jogo neles é inferior ao dos torneios abertos. Quero ter bons resultados em fields mistos e em torneios caros — como a Kristen Foxen. Não quero ser vista como forte apenas em torneios femininos.
– O poker no Japão parece estar se desenvolvendo bastante. Este ano houve muitos japoneses na World Series. O que está acontecendo?
– Nos últimos dois ou três anos, o número de jogadores japoneses cresceu muito. A principal razão é Masato Yokosawa. O canal dele no YouTube é extremamente popular, e muita gente chega ao poker por influência dele. Também ajudou o fato de eu ter ganhado um bracelete no ano passado, o que atraiu muitas mulheres para o poker.
O que vem pela frente, não sei. Você conhece a revista econômica japonesa Nikkei Business? Em 2025, eles publicaram uma lista de tendências, e o poker apareceu, de alguma forma, em sétimo lugar. Isso diz muito sobre a popularidade atual do jogo.
Leia Leia– Há lados negativos na sua popularidade atual no Japão?
– Claro que a atenção me agrada. Olhando para meus resultados, as pessoas escrevem: “Vejam, isso prova que poker é pura habilidade, sem sorte!” Mas a realidade é que no poker há uma variância enorme, e a sorte tem um peso gigantesco. Eu simplesmente tive muita sorte. Por isso, tenho receio de que meus resultados criem nas pessoas uma impressão equivocada sobre o poker.
– Agora algumas perguntas rápidas. Dê um conselho a um turista que visita o Japão pela primeira vez: que comida ele não pode deixar de provar? Apenas uma.
– Eu amo shabu-shabu!
– O que você menos gosta em Vegas? E o que mais gosta?
– Depois que ganhei o bracelete, adoro simplesmente caminhar pelas ruas de Vegas. Mesmo longe dos cassinos, as pessoas frequentemente vêm me parabenizar. É muito agradável! Me sinto uma estrela! O ponto negativo… definitivamente a comida. Não combina com meu gosto e é muito cara! Acho que custa três vezes mais do que no Japão.
– Você está em um heads-up pelo título do Main Event da WSOP. Quem você menos gostaria de enfrentar?
– Eu adoraria jogar esse heads-up contra uma mulher, de preferência uma amadora bem fraca, haha! Não quero nenhum profissional forte, ninguém mesmo! Contra eles, provavelmente eu teria que dar all-in em toda mão.
– Escolha alguém!
– Nenhum nome me vem à cabeça. Difícil!
– Imagine que você possa, em uma única noite de sono, adquirir conhecimentos equivalentes a cem horas de estudo intensivo de um tema específico de teoria do poker. Qual tema escolheria?
– Pré-flop, especialmente opens do small blind e defesa do big blind contra o botão.
– Imagine que sua carreira no poker acabou. Qual seria seu trabalho dos sonhos? Pode escolher qualquer coisa, menos poker.
– Trader.
– Pronta para analisar uma mão?
– Sim.
– Ótimo. Mão da mesa final de 2025. Os stacks estão indicados acima. Você abre do botão com contra duas adversárias de stacks curtos. O quão próxima foi essa decisão para você? Considerou ir all-in? Há folds nessa situação?

– Claro que é muito importante haver um stack ainda menor que os dos blinds. Mesmo com A2o, eu nunca daria all-in aqui. É difícil explicar bem, mas o field não é, digamos, otimizado para GTO. Por causa do short stack, os blinds teoricamente deveriam foldar muito. O bubble factor é enorme! Mas eu acreditava que muitas jogadoras não entendiam bem o que o ICM exige delas, incluindo SB e BB nessa mão. Meu all-in não teria fold equity suficiente.
– De fato, quando vi a transmissão, tive a impressão de que tanto o small blind quanto o big blind queriam jogar para ganhar, e não respeitavam o ICM. Vemos Heather Alcorn com fazendo a ação menos provável e apenas pagando seu raise. O fold me parece padrão, mas contra um botão amplo dá até para considerar all-in. De qualquer forma, ela paga. A BB folda K6o.
No flop, Alcorn dá lead de 300.000 em um pote de 600.000.

O que você pensou nesse momento?

– Que eu poderia foldar com bastante confiança já no flop. Eu tinha jogado o dia inteiro anterior com essa adversária, e ela sempre dava lead com top pair ou melhor nessas situações, independentemente da textura do board. O range de call dela no small blind incluía e , e eu acreditava que meu top pair era, com grande probabilidade, mais fraco. Mas eu tinha backdoor flush draw, e também não dá para ignorar o fator mesa final. A final muda as pessoas. A tempestade de emoções influencia decisões. Alguém que nunca blefou pode, de repente, começar a atirar. Por isso, decidi pagar uma aposta e ver o que aconteceria depois. Mas o primeiro pensamento foi foldar na hora.
– Para mim, o fold nem passaria pela cabeça, eu escolheria entre call e raise. Mas eu não joguei o dia inteiro contra a Alcorn!
No turn, ela continua apostando, agora 500.000:

– Como eu disse, no flop ainda deixei uma pequena possibilidade de blefe, mas o sizing dela no turn tira todas as dúvidas. Não há blefes ali, zero. Por isso, larguei sem hesitar.
– Um fold absurdamente bom! E completamente inesperado para mim. Mas quero destacar que, logo após a mão, você sorri para a adversária, elogia a jogada e pergunta qual mão ela tinha. Inclusive, parece sugerir .
Permita-me um pequeno desvio. Você conhece o jogador Martin Kabrhel?
– Sim, claro.
– Ele venceu o Mini Main nessa série. O estilo dele se caracteriza por conversar o tempo todo com os outros jogadores e extrair muita informação disso. Alguns querem desesperadamente blefar o Martin, outros têm medo de que ele desvende seus blefes e os ridicularize. Acho que, para vencer um torneio como o Mini Main ou o Million Maker, é preciso ser um pouco de Martin Kabrhel — não calar a boca e dialogar com os vizinhos de mesa. Se me dissessem que uma jogadora ficou em segundo no campeonato feminino e depois venceu dois anos seguidos, eu apostaria que fosse americana, já que a comunicação ativa pode aumentar bastante o ROI. Mas você vem de uma cultura completamente diferente e, ainda assim, usa o mesmo recurso com sucesso!
– Eu uso as conversas para obter informações sobre os estilos das adversárias, mas na mesa final isso já é menos relevante, pois joguei muito tempo com todas elas e conheço bem suas estratégias básicas. Aqui é outra coisa. Por causa da tensão da mesa final, elas podem mudar o jogo de repente, ir para um lado imprevisível. Mantendo um clima amigável e relaxado, eu incentivo que continuem jogando do jeito habitual. Um aumento súbito de hostilidade pode tornar o jogo perigosamente imprevisível. Por isso, fiz o máximo para que reinassem paz e amizade.
– Vamos analisar outra mão contra Alcorn, agora em 3-handed.

Você dá limp de K3o no small blind. Algo a comentar?
– Alcorn tinha cerca de 20 blinds. Eu achava que, se ela tivesse um ás, daria all-in, e não faria isolations amplas contra meu limp. Por isso, optei pelo limp.
– Heather dá check. No flop, você aposta um blind, ela paga.

– Eu não acreditava no ás. Ela poderia ter dama, claro, mas no geral eu estou à frente do range dela. Ela não blefa muito, então apostei um blind para proteção.

– No turn, você dá check, e Heather aposta meio pote. Você pensa bastante e dá raise para 1.400.000. Jogada malvada! Como chegou a essa decisão? Já checkou pensando em check-raise? Ou Heather se denunciou ao apostar?
– Sinceramente, eu não esperava que ela apostasse. Eu não a coloquei em ás. Pelo jogo dela até então, também não esperava apostas da dama, não acreditava que jogaria de forma tão agressiva. Colocar dois pares em um board com cartas de broadway, considerando o pré-flop, é quase impossível; duas broadways ela teria shovado antes. Então decidi jogar de check-raise. Eu entendia que ela nem sempre largaria imediatamente, mas achava que no range dela não havia nenhuma mão que aguentasse um all-in no river. O plano da mão estava traçado até o fim: check-raise no turn e bet no river.
– E depois de pensar um pouco, Alcorn folda. Belo pote! Há algum tema que você gostaria de discutir antes de encerrarmos o podcast?
– Tenho uma pergunta para você. Nunca ouvi falar de um jogador japonês que tenha contratado um psicólogo profissional. Mas para vocês isso parece ser relativamente comum. Pessoalmente, acho que a importância da psicologia é subestimada no Japão. Tenho curiosidade em saber o quanto os profissionais de topo no Ocidente investem em suporte psicológico.
– Excelente pergunta. Recentemente assisti a uma série sobre um psiquiatra japonês e entendi que a ajuda psicológica foi tabu no Japão por muito tempo, mas isso vem mudando.

A vida de um jogador profissional de poker é muito estressante, e muitas vezes é impossível saber se nossos resultados refletem de fato o nível do nosso jogo. Muitos sofrem com essa incerteza, então é útil dissociar resultados da autoestima, conseguir se orgulhar de si mesmo mesmo quando os sucessos não vêm, mas sem perder a autocrítica. Acho que é exatamente para isso que servem os treinadores de psicologia.
– Obrigada.
– De nada! Para encerrar, pedimos que nossos convidados deem três recomendações aos ouvintes. Pode ser qualquer coisa — um livro, um prato, um filme, um hábito… Qualquer coisa que possa ser útil.
– Durmam bem. Alimentem-se bem. Acreditem na sua sorte. Isso é importante.