No Dia 4, a transmissão começa logo no primeiro nível. Afinal, perder a bolha seria pouco profissional.

Michael Mizrachi, com 600.000 fichas, tinha apenas o quarto maior stack de sua mesa. A liderança pertencia ao profissional de Michigan Jared Passanante, com 1.361.000. A segunda mesa televisionada contava com Farah Galfond, com 436.000, e Vanessa Kade, com 437.000.

A principal atração da terceira mesa deveria ser Chance Kornuth, que começou o dia com 50 big blinds. Porém, quando a direção da transmissão finalmente mostra a mesa, Chance já está apertando a mão do adversário e recolhendo seus pertences.

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Os comentaristas profissionais não explicam a ação da mão, mas fazem questão de observar que, caso Chance estivesse preocupado apenas em entrar no dinheiro, não teria aberto aquela mão. Como joga torneios para vencer, resolveu atacar e acabou eliminado. Uma análise impressionante — o que faríamos sem ela?

Somente cerca de meia hora depois, a gravação da mão é exibida. No flop, houve um pequeno c-bet e call. O turn passou em check, e a verdadeira ação começou no river. Chance apostou 42.000 com um flush, e Nguyen anunciou all-in com um full house. Chance pagou os 338.000 restantes e foi eliminado.

Na bolha direta, as mãos passam a ser disputadas simultaneamente. Jack Effel corre até as mesas com all-ins e anuncia a ação para todo o salão.

Na primeira rodada, quatro all-ins são mostrados, e todos os short stacks conseguem dobrar. No último deles, um blefe bastante caro no river não funciona para Alex Foxen, que não consegue fazer um jogador largar uma trinca. Até aquele momento, as coisas não estavam indo muito bem para a escola Chip Leader Coaching.

Na segunda tentativa de estourar a bolha, são anunciados seis all-ins. Parecia impossível que todos os short stacks sobrevivessem, especialmente porque Josh Arieh havia apostado $100 contra $900 que a bolha ainda não terminaria naquela rodada.

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O primeiro short stack, Stoyan Madanzhiev, perde a mão com contra . Suas cartas não conseguem superar as do adversário. Mesmo assim, ele ainda teria a possibilidade de receber uma parte da premiação caso não fosse o único eliminado.

Chris Moneymaker e o representante do Cazaquistão Zhakiet Seitbekov também são eliminados. Outros três short stacks, entre eles Fabian Quoss, conseguem dobrar.

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Duas premiações de $15.000 são divididas entre os três jogadores eliminados. Dessa maneira, todos os bubble boys recebem de volta o valor do buy-in.

Em seguida, chega o momento de disputar uma vaga de $25.000 para o Main Event das Bahamas. Seitbekov vence o caro coin flip e fica com o prêmio.

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Em outra mesa, Georgios Sotiropoulos passa bastante tempo pensando diante de um all-in. Não fica claro se ele realmente considera o call ou se já começou o stalling.

No fim, ele simplesmente utiliza cerca de três minutos da transmissão para divulgar seus óculos da marca Ozzie.

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— Isso foi um raise? — pergunta Konstantinovich, com dificuldade para esconder o tom triunfante. — Então estou all-in.

Passanante, como normalmente se escreve no PokerNews, entra no liquidificador.

Michael Mizrachi parece aproveitar cada segundo do sofrimento do adversário.

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Finalmente, Passanante folda, e o dealer abre o flop . O turn e o river completam o board. Depois de tantas emoções, a melhor mão vence, embora tenha encontrado seu último out disponível.

Kristen Foxen deixa o Main Event com um sorriso constrangido.

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Farah Galfond escolhe o tamanho do terceiro barril.

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Ela aposta 50.000, e Griff folda lentamente.

Seus ranges e sizings demonstram uma boa preparação teórica.

Gregory Sly completa no small blind com A9o e aplica um check-raise no flop. O experiente senhor mostra sua malícia.

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O adversário desiste rapidamente.

Depois de uma pequena pausa, os jogadores da mesa principal são trocados, e Alex Foxen retorna aos holofotes. Não havia outras grandes estrelas na mesa.

Foxen tinha 610.000 fichas. Durante a bolha, caiu para 400.000 depois de um blefe malsucedido, mas conseguiu recuperar parte do stack.

Na segunda mesa televisionada estavam duas estrelas cujo brilho já diminuiu: Erick Lindgren e Brian Hastings, com aproximadamente 100 e 50 big blinds, respectivamente.

O recreativo Jordi Sanchez entrega seu stack para Lindgren em três etapas, em um pote limpado e disputado entre os blinds. No river, Lindgren pensa por tanto tempo que chega a parecer que interpretou sua própria mão de forma errada.

Mas não. Ele realmente valorizava muito suas fichas e confiava demais em linhas fortes.

Depois de alguns minutos, faz o call e manda o adversário para o caixa.

A discussão entre os especialistas também chama a atenção. David Williams e Maria Ho não conseguem pensar em nenhuma mão pior que com a qual Sanchez poderia estar apostando por valor no river.

Foxen perde um all-in pré-flop, contra e fica com pouco mais de 20 big blinds.

Quase imediatamente, ele defende o big blind com 98o, completa uma sequência contra um overpair e anuncia all-in no river.

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Savage pensa por bastante tempo e toma a decisão correta.

Vanessa Kade completa uma sequência e triplica o stack.

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Farah Galfond, por sua vez, perde metade das fichas com a segunda melhor trinca.

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Ela não chega ao fim do dia e termina na 722ª colocação, recebendo $25.000.

De repente, todas as mesas televisionadas passam por uma série de coolers pré-flop completamente insanos. Nem todos foram incluídos no relato.

Allen Lee não consegue superar Mizrachi com um par de damas. Ele vai all-in e está atrás.

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Outro ás aparece no flop e, depois do turn, Lee já não possui mais outs.

— Tight is right — diz Michael.

Na mão seguinte, Brian Nguyen aumenta, e Mizrachi levanta o polegar: uma 3-bet para 54.000.

— Não é possível que ele tenha a mesma coisa duas vezes seguidas — diz Michael, sorrindo.

Depois de um all-in e um call rápidos, Nguyen pergunta, surpreso:

— É sério? Ases duas vezes seguidas?

Mas não. Seus reis estavam relativamente seguros. Mizrachi tinha uma mão inferior.

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O ás não aparece, e Brian Nguyen dobra.

A transmissão muda para uma mão na mesa de Shaun Deeb.

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Deeb paga no flop, mas o turn traz uma carta que não era exatamente a desejada: .

Os dois jogadores dão check, e o river traz uma carta ainda pior:

Deeb aposta 145.000, o tamanho total do pote.

— Tenho a sensação de que Tabet simplesmente vai pagar — diz Nick Schulman, que felizmente havia assumido o lugar dos “especialistas” da primeira metade do dia. — Shaun pode facilmente ter ás-rei.

O parisiense de 32 anos, que disputava o Main Event da WSOP pela primeira vez, decide ir all-in.

Deeb não parece satisfeito e pede a contagem do stack.

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— O problema é que não vencemos nenhuma mão apostando por valor — explica Nick. — Ele não jogaria assim com . Ao mesmo tempo, é perfeitamente possível que também não tenha blefes.

Ao discutir as possíveis cartas do adversário, Deeb imediatamente menciona . Depois, tenta encontrar algum blefe, mas praticamente nenhuma possibilidade parece convincente, a não ser .

Tudo indicava o fold, e Shaun larga as cartas.

— Como é difícil jogar contra ele — aprova Schulman.

— As fichas de Shaun precisam ser merecidas — concorda Ali.

A sequência interminável de mãos premium continua.

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Hastings paga uma ação, e Yusupzade larga rapidamente seu par de dez.

Brian Hastings elimina Josh Giller e aumenta seu stack em aproximadamente 50%.

A direção mal consegue trocar as câmeras a tempo. Na mesa de Lindgren, Tom Gottlieb vai all-in com um par dominado e pede seu one time ao destino.

Nenhum milagre aparece no flop, mas ele acontece no turn.

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Começa o último e bastante caro nível do dia, com blinds em 10.000/15.000 e big blind ante de 15.000.

Na nova mesa televisionada estavam o ex-campeão Ryan Riess, com 535.000, e o antigo finalista do Main Event Boris Angelov, com um grande stack de 1.230.000.

Também estava ali Dutch Boyd, um pouco esquecido pelo público e com aparência de verdadeiro veterano, embora ainda nem tivesse completado 50 anos. E ainda um dos jogadores mias populares do mundo.

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Naquela fase do Main Event, a concentração de regulares já começava a lembrar um bom torneio online. Patrick Leonard defende o big blind e paga um c-bet de 15.000, equivalente a um terço do pote, no flop .

No turn , ambos dão check. No river , Campos não tenta blefar contra o top pro: dá check e folda diante de uma aposta de 60.000.

Antes de largar, porém, pergunta por precaução se Pads poderia ter .

— Não, mão eu não tenho, mas tenho um dez — responde Patrick.

O adversário sugere .

— Não pode ser, porque eu não apostaria 60.000 com valete-high.

— Quem tem um valete sou eu — admite o oponente.

— Ei, você não pode revelar sua própria mão — observa Ali Nejad.

Mas o ambiente na mesa era amigável demais para qualquer punição.

— A propósito, você recebe penalidade caso diga sua mão exata, certo? — pergunta Pads. — Nesse caso, terei de tomar cuidado.

Depois do fold do adversário, ele mostra seu dez para todos e sorri.

Mesmo com um dos menores stacks, Pads imediatamente se torna o centro das atenções. Na mão seguinte, paga um raise no small blind — que, vale lembrar, tinha um tamanho consideravelmente maior — e aplica um check-raise no flop dizendo:

— Não acredito, é a mesma mão pela segunda vez seguida!

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— Eu vou foldar, mas desta vez sou eu quem tenho um dez — responde Ruben. — Acho que esse cara mente o tempo todo!

Pads não fica em silêncio nem por um segundo. É até surpreendente como consegue grindar online com tanta disposição para conversar.

Ele conta que perdeu a voz durante uma partida de futebol no México e diz estar orgulhoso de sua seleção:

— Estamos fazendo todo o possível.

— Ao contrário dos Estados Unidos — comenta sombriamente alguém ao lado. — Nós jogamos muito mal.

Ali Nejad surpreende Schulman ao contar que jogou futebol a vida inteira e que, durante algum tempo, até trabalhou como árbitro.

Uma novidade da transmissão é uma câmera extremamente dinâmica presa aos óculos do dealer.

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Ele paga rapidamente um segundo barril de 100.000 no turn, embora pareça um pouco preocupado.

No river , Ryan anuncia all-in.

Angelov folda.

Riess, depois de muitos pedidos, mostra suas cartas.

Pads enfrenta uma 3-bet.

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— Isso é Jesus? — pergunta Patrick, apontando para o protetor de cartas do adversário. — Está bem. Faz com que eu acredite.

Ele paga e acerta uma trinca no flop.

Kharman aposta 50.000 em um pote de 200.000 no flop . Depois de pensar, Pads anuncia all-in, mas sua leitura não funciona. O adversário não havia acertado nada no flop e foldarápido.

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Pads paga um raise e um call e acerta top pair no flop.

Depois de dois checks, Dutch Boyd aposta 40.000 com a pior mão entre os três jogadores. Pads paga, e Harman folda.

O turn, um , traz uma mudança desagradável. Patrick dá check, e seu adversário, de aparência sempre sombria, aposta 60.000. Pads paga rapidamente.

No river , Patrick volta a dar check. Dutch Boyd não diminui o ritmo e, apesar da terceira carta de paus e da falta de kicker para seu top pair, aposta 80.000.

Era uma aposta incômoda, especialmente porque Pads tinha apenas 295.000 fichas restantes.

Ele pensa por muito tempo, analisa em voz alta as possíveis mãos do adversário e, finalmente, folda.

Fim do Dia 4

O Dia 4 chega ao fim, e os jogadores guardam suas fichas nos sacos. Ao todo, 533 participantes avançam para o Dia 5.

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A liderança ficou com o norte-americano Sam Swaylem, recreativo e especialista em inteligência artificial e segurança cibernética, com 3.800.000 fichas.

Artur Martirosian aparece entre os maiores stacks, com 3.495.000. Aram Bezhanyan, da Rússia, terminou com 3.100.000.

Quatro antigos campeões do Main Event continuam na disputa: Hossein Ensan, Greg Raymer, Ryan Riess e Michael Mizrachi.

Entre os jogadores conhecidos, Alex Foxen avançou com 1.695.000, Masato Yokosawa com 1.545.000, Sean Winter com 1.525.000, Shaun Deeb com 1.500.000 e Tony Dunst com 1.245.000.

Martin Zamani passou com 545.000, David Peters com 430.000 e Patrick Leonard com 295.000.

Uma mão de Sean Winter foi relatada no X por testemunhas impressionadas.

Winter, com aproximadamente 90 big blinds, abriu do cutoff.

Um recreativo que estava na mesa havia cerca de meia hora foi all-in do small blind por aproximadamente 80 a 85 big blinds.

Depois de pensar por dois minutos, Winter foldou um par de reis.

A mesa inteira pediu insistentemente para o adversário mostrar suas cartas. No fim, ele revelou um par de ases.

Belarmino lidera 11 brasileiros no Dia 5

O Brasil terá 11 representantes entre os 533 jogadores classificados, com Belarmino de Souza ocupando a liderança do grupo. Belarmino ensacou 2.725.000 fichas, stack equivalente a aproximadamente 136 big blinds para a retomada do torneio.

Brasileiros classificados:

  1. Belarmino de Souza — 2.725.000
  2. Lucas Bandeira — 1.700.000
  3. Vinícius Lima — 1.405.000
  4. Rafael Caiaffa — 1.120.000
  5. Douglas “Dowgh Santos” Ferreira — 1.055.000
  6. Bruno Porto — 930.000
  7. Arthur Campos — 775.000
  8. Wellington Araújo — 755.000
  9. Fabio Porcino — 600.000
  10. Ramon Pessoa — 330.000
  11. Erick Mossinger — 100.000
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Brasileiros eliminados na faixa de premiação

  • Marcos Alves — 534º, $32.500
  • Natham Neto — 573º, $30.000
  • André Cabrini — 612º, $27.500
  • Lucas Fauth — 697º, $25.000
  • Eduardo Silva — 793º, $22.500
  • Diego dos Santos — 805º, $22.500
  • Celso Sirtoli — 817º, $22.500
  • Danton Gomes — 855º, $22.500
  • Fábio Murakami — 859º, $22.500
  • Carlos Rocha — 872º, $20.000
  • Alann Lopes — 881º, $20.000
  • Alan Helfenstein — 901º, $20.000
  • Luiz Torres — 1.056º, $17.500
  • Felipe Boianovsky — 1.058º, $17.500
  • Romulo Dorea — 1.116º, $17.500
  • Rafael Reis — 1.126º, $17.500
  • James Queiroz — 1.133º, $17.500
  • Brunno Neves — 1.299º, $15.000
  • Guilherme Garcia — 1.319º, $15.000
  • Matheus Lima — 1.371º, $15.000
  • Pedro Cavalieri — 1.378º, $15.000

Jogadores selecionados no draft

  • Brock Wilson — 2.415.000
  • Malcolm Trayner — 1.740.000
  • Alex Foxen — 1.695.000
  • Ryuta Nakai — 1.685.000
  • Sean Winter — 1.525.000
  • Shaun Deeb — 1.500.000
  • Terrence Reid — 1.460.000
  • Brian Yoon — 1.350.000
  • Dylan Smith — 1.320.000
  • Jordan Siegel — 1.255.000
  • Chris Hunichen — 1.095.000
  • Ryan Leng — 990.000
  • Bradley Ruben — 965.000
  • Joey Weissman — 900.000
  • Stephen Chidwick — 760.000
  • Chino Rheem — 655.000
  • Josh Arieh — 610.000
  • Martin Zamani — 545.000
  • Joshua McCully — 470.000
  • Ryan Riess — 455.000
  • Michael Mizrachi — 440.000
  • David Peters — 430.000
  • Frédéric Normand — 405.000
  • Zdenek Zizka — 350.000
  • Patrick Leonard — 295.000
  • Aaron Kupin — 280.000
  • Qiang Xu — 210.000
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